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quinta-feira, 16 de agosto de 2012

MACACOS ME MORDAM




MACACOS ME MORDAM



Ela sonhava com alguém que tivesse alma de girassol.

Que lhe ajudasse a atingir suas metas da mesma forma que o girassol faz quando cegamente acompanha o astro-rei.

Ontem viu alguém assim que preenchia tudo isto. Neste momento tinha vontade de perseguir cegamente aquela luz. Seus braços foram grilhões que a prendiam ao corpo dele como se não pudesse mais pensar.

Ela pensava ter vontade de ferro, mas neste momento descobriu que estava magnetizada por aquele corpo, por aquela aura, por aquela alma.  E tudo que lhe era proibido, naquele momento não tinha mais importância, ela iria para qualquer lugar que aquele homem fosse.

Macacos me mordam, pensava... Um amigo lhe falou que temos que viver o presente. Ela ainda estava presa ao passado. Tinha medo de tudo: medo de si e medo de amar sem preconceitos, sem preocupação.

Cabe tanta vida dentro de um pequeno coração. Dentro dela estava aquele homem, um amor de outono, obra-prima da natureza, sonho de menina, seu pecado mais-que-perfeito, sua flor de cactos, sempre-viva, meu jasmim cheiroso.

Como pode aquele homem ter entrado em sua retina e ficar em seu cérebro, corroendo seus pensamentos?

O amor tem que nos dar conforto, paz, satisfação e ele tornou-se sua inquietação...

Ontem mesmo ela o queria em seus amanhãs, porém ele tornara-se uma obra-prima que seus olhos contemplavam feito Vênus de Milo, Monalisa e Davi, a obra mais perfeita de Michelangelo.

Que “macacos me mordam” pensava ela. Se eu não puder lhe tocar com minhas mãos que um dia mordam cada parte deste  corpo perfeito. Meu único problema não é o corpo que vestiste para chegar a mim, mas a alma que dentro dele estava. Esta alma eu já conheço de outras vidas pelas quais passamos e desde este tempo conservo meu amor por ti...

Pensava naquele momento a mulher de 85 anos que se apaixonara por um jovem de 25, como se fizesse uma viagem ao passado...



Mário Feijó
16.08.12
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