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segunda-feira, 12 de junho de 2017

(CARTA) AO MEU AMOR

(CARTA) AO MEU AMOR

Capão da Canoa, 12 de junho de 2017

                Meu caro amor

                Você é o maior presente que a vida me deu nestes poucos anos que estamos juntos.
Eu quero te agradecer por estar em minha vida. Eu já tinha esquecido como era bom amar, depois de algumas separações e morte de amores anteriores.
Você chegou feito luz do sol, depois de uma grande temporada de chuva. Você também trouxe para mim o canto dos pássaros no final de tarde. É só uma figura poética, mas eu me sinto assim, como se pássaros cantassem para mim todas as tardes, sempre que estás ao meu lado.
Quero também te dizer que é muito bom, dormir e ter você por perto. Acordar e sentir teu corpo aquecendo e me dando energia extra. Eu também quero te dizer que o teu calor desperta em mim algo, feito semente que com a energia adequada, água e luz desperta para a vida.
Não importa a forma como você entrou em minha vida, nem a forma que tomou como ser, para me inspirar amor. Você poderia ser uma flor, porque eu iria te amar, talvez por um curto tempo porque as flores não são eternas. Você poderia ter aparecido como um pet qualquer, um gato, um cachorro ou um peixe que eu também poderia te amar, e seria por um tempo maior que a vida de uma flor.
Eu só percebo que você chegou com um pouco de atraso, porém chegou, eu já estava cansado e envelhecido, ao contrário de você, em plena forma e mais vigor que eu. Porém não me importaria se você não fosse um homem, mas um bicho ou outro ser qualquer. Quero te dizer que eu te amo, que te quero, que te desejo e que sejamos parceiros, amigos e amados como somos no hoje e no agora e que este hoje seja eterno no que for possível.

Com amor,


Mário Feijó


terça-feira, 6 de junho de 2017

A VOLTA E A RECONCILIAÇÃO Capítulo III

A VOLTA E A RECONCILIAÇÃO

Capítulo III

Pedro atende ao telefone e vê que Carol não está bem.
- Calma querida. Diz ele.
- Fique onde você está. Vou pegar um táxi e já encontro você.
Ela fica mais segura e deixa fluir toda a tristeza e desespero pelos quais passara nos últimos tempos, caindo numa crise, quase convulsiva de soluços e lágrimas.
Quinze minutos depois chega Pedro que fica assustado com o desespero de Carol.
Neste momento ambos esquecem as angústias e caem, um nos braços do outro, e no conforto daquele abraço ela o beija apaixonadamente. Tudo é esquecido. Só importa o amor que ainda sentem um pelo outro e percebem que não há motivos para não confiarem um no outro.
Quando se acalma, ela diz a Pedro:
- Por favor, perdoe-me.
- Perdoá-la? Mas por qual motivo? Diz Pedro estupefato.
Carol resolve contar tudo, desde o início quando percebeu a gravidez, e o medo que teve de contar-lhe, depois de algumas tentativas frustradas.
Pedro a ouve, sem falar nada, e percebe que ele também em nada ajudou quando rejeitava a ideia de ser pai. No início apenas arregalou os olhos. Depois passou a um estado de incredulidade diante do que ouvia, até chegar ao ponto em que pediu:
- Não se martirize mais e me perdoe por ter sido tão injusto com você. Eu dizia que não queria ter filhos, por você. Pensei que não poderia mais e não queria ter ilusões, nem tampouco causar decepções em você, caso disse que queria um filho. Eu vinha já pensando em formar uma família com você e como disse não menstruava mais, alegava não querer ser pai.
- Perdão, meu bem! Tudo o que eu quero é você. Case-se comigo e esqueçamos tudo, se possível.

...

Passados seis meses foram em lua de mel para o Rio de Janeiro. Visitaram o Cristo Redentor, numa manhã de domingo. Dia ensolarado, via-se toda a cidade. Lá embaixo a baia de Guanabara reinava esplêndida. O aterro do Flamengo aparecia resplandecente. No mar muitos barcos e iates ancorados. Do outro lado via-se a Urca e o Pão de Açúcar, com seus românticos bondinhos, indo e vindo. Já era o inicio da tarde quando voltaram do passeio e como a tarde estava quente pensaram em ir à Praia de Copacabana. Passaram no hotel para se trocar e Carol percebeu que sua carteira com documentos, o celular e dinheiro haviam sumido. Ela tinha sido roubada e não percebera.
Em consequência do transtorno passaram o resto da tarde numa delegacia do subúrbio, próxima do hotel onde estavam hospedados. Havia muita gente e poucos policiais de plantão. Ouviram, enquanto aguardavam, casos de estupro, roubo e assassinato. Era uma situação caótica e depressiva. Ele percebeu que seu drama era dos menores ali, afinal o dinheiro não era muito, todo o problema seriam seus cartões e celular. Com o boletim de ocorrência nas mãos poderia viajar e na volta providenciar seus documentos. Na segunda feira iria a uma agencia de seu banco cancelar os cartões e à operadora do seu celular para bloqueá-lo.
Estavam jantando quando o telefone de Pedro toca. Era o número de Carol. Resolveu atender pensando que alguém poderia tê-lo encontrado. Porém eram os ladrões agindo. Ameaçaram os dois de sequestro, caso não depositassem dez mil dólares em determinada conta. Tiveram acesso às mensagens de Carol e sabiam da viagem, do voo, do local da hospedagem e falaram até sobre os filhos dela.
Voltaram à delegacia e foram recomendados pelo delegado a trocar de hotel. Assim resolveram mudar aquela noite e no dia seguinte voltar para casa, em Florianópolis.
Dois dias ficaram envolvidos com o transtorno do roubo. Carol teve sorte por estar acompanhada de Pedro, caso contrário nem saberia o que fazer para voltar pra casa.
Os documentos demorariam uns dias para ficarem prontos. Os filhos de Carol foram orientados a mudar de números. Ligia, a filha de 28 anos, recém-casada fora a que ficou mais assustada com toda a história, já o irmão Alex que morava nos Estados Unidos, por conta de uma pós-graduação, fora avisado de tudo, mas parecera tranquilo.
Depois de tudo resolveram ir para o Águas Mornas Palace Hotel, no pequeno município de Águas Mornas que pertence à Grande Florianópolis. Lá é só campo, descanso e águas termais. O que mais queriam depois de tudo?
Instalados naquele paraíso perceberam que não precisavam ter ido tão longe para encontrar o que procuravam. Bastavam-se um ao outro e se entregaram ao encanto da paixão quando o telefone de Pedro tocou. Era um número do Rio de Janeiro... Esqueceram de trocar o número de Pedro.
Olharam um para o outro... atenderiam? Perguntaram-se com o olhar...


Fim do terceiro Capítulo

Mário Feijó
06.06.17


(E)NAMORADO



(E)NAMORADO

Eu sempre fui romântico e imaginara
Um amor como nos contos de fadas
Agora fico encantado com cada curva tua
Seja ela do teu peito ou do teu ventre

E me encanto mais ainda
Quando acordo com o cheiro de café
Com a casa varrida, o banheiro limpo
Tudo o que nunca fizeste e fazes para me agradar

E me descubro enamorado não mais por fadas
Mas pelos teus beijos com gosto de café fresco
E com teus abraços quando pela casa nos cruzamos
Como se estivéssemos passeando num campo em flor

Tudo é tão diferente do que sempre tive
Porém é o que mais se aproxima do que pensei
Sobre alguém me amando e sobre felicidade
Eu nunca, jamais pensei viver esta nossa forma de amor

Mário Feijó

06.06.17

sábado, 3 de junho de 2017

DEPOIS DA CHUVA




DEPOIS DA CHUVA

Na beira do riacho
As palmeiras dançam um balé
Sincronizadas balançam
Impulsionadas pela força do vento

Por detrás do vidro fumê
Eu me escondo de viventes
Que perdidos descem
E sobem a estrada asfaltada

Ontem as ruas eram cobertas por um lençol de água
Hoje úmidas refletem a luz do sol
Ainda encharcadas pela água
Do temporal que tudo alagara

O frio, o vento e a chuva
Fizeram com que minhas roupas
Grudassem em meu corpo molhado
Enquanto eu, feito um gato, me esticava no sol

Mário Feijó

03.06.17

terça-feira, 23 de maio de 2017

ENTRE O CHEIRO DE CAFÉ E O DE MARESIA




ENTRE O CHEIRO DE CAFÉ E O DE MARESIA

Sempre morei rodeado de mar. Eu mesmo já me senti uma ilha. Afinal de contas Florianópolis, cidade em que nasci, é uma ilha e eu morava no continente. Quando criança pensava que o resto do mundo era todo igual.
Pelas manhã ouvia o apito dos navios chegando na “Ponta do Leal”, onde havia o que chamávamos de “latões” da PETROBRAS, para descarregar óleo, gasolina, querosene e gás, derivados de petróleo.
Eu acordava todos os dias para ir pra aula com o cheiro do café fresco (que meu pai fazia) e o da maresia. Afinal eu morava a pouco mais de quinhentos metros do mar.
Cresci neste ambiente simples e gostoso. Sai pela primeira vez de casa para uma viagem ao Rio de Janeiro quando já tinha quase 22 anos. Fiquei encantado com aquela metrópole. Era tudo grandioso, movimentado, mas a geografia era muito parecida com a da minha terra. Chacoalhei durante 22 horas num ônibus convencional da “Autoviação Penha”. Que chic eu me senti.
Eu fui visitar minha tia Lourdes que morava há muito tempo no Rio de Janeiro. Sempre falou-se naquela cidade como algo maravilhoso. Até as músicas cantavam seus encantos. Não tínhamos televisão. O máximo que tínhamos eram os cartões postais. Uma beleza indescritível para um sonhador que vivia catando revistas e jornais velhos na rua (nunca inteiros, sempre uma única folha rasgada, mesmo assim eu lia).
A geografia das duas cidades, Rio de Janeiro e Florianópolis, eram muito parecidas: morros e muito mar no pé das montanhas. Para todos os lados que a gente olha é isto o que vemos. Além do mais o Rio de Janeiro também tem a sua ilha de Niterói bem na frente da cidade. As praias são tão belas, numa e noutra.
Meu primeiro choque com a geografia aconteceu quando viajei para o nordeste. Faltavam lá os morros para encantar a paisagem. Nunca vira o mar tão infinitamente grande e assustador, foi assim em Natal e Fortaleza.
Mais tarde, depois dos cinquenta anos, comecei a me aventurar pelos países da Bacia do Prata: Uruguai e Argentina. Lá também o horizonte é infinito e o mar grandioso. Só que o Oceano é o Pacífico e não o nosso Oceano Atlântico.
Neste momento, eu me recolho em minhas reflexões, percebendo o quão pequeno sou diante da grandeza e da força do mar ouvindo suas ondas batendo na frente da casa de minha amiga Maria da Graça. Aprendi a viver no litoral do Rio Grande do Sul sem reclamar das montanhas que faltam atrás do mar.
Volto à realidade ouvindo o chiado da chaleira fervendo onde minha amiga passa um café cheiroso que ameniza o gostoso cheiro de maresia, sem o qual não sei viver.
Minha memória sempre foi acentuada quando ouço ou vejo, e, sem ouvir o mar ou sentir o cheiro de café eu prefiro que “me tirem os tubos”, como dizia um personagem de Jô Soares quando acordava de um coma e se deparava com uma realidade estranha a que estava acostumado.

Mário Feijó
23.05.17


(Texto produzido na Oficina Literária Mário Feijó, nesta data) 

segunda-feira, 22 de maio de 2017

O MOTIVO DA TRISTEZA DE CAROL (segundo capítulo)



O MOTIVO DA TRISTEZA DE CAROL (segundo capítulo)

Jorge é um homem de 38 anos, 1,90m de altura, atleta, pesando 90 quilos, formado em administração de empresas e trabalha na Universidade Federal de Santa Catarina como professor de administração. É mestre em Recursos Humanos e professor adjunto no departamento de administração, do Centro Socioeconômico.
 Apaixonou-se por Carol quando ela quis fazer mestrado na área de Recursos Humanos e ele foi seu professor. Estão juntos há dois anos e meio. Para ele nunca pesou o fato de ela ser mais velha que ele. Nunca outros perceberam isto física ou emocionalmente.
A relação entre os dois sempre foi ótima. Eram sexualmente liberais, nunca moraram junto. Não havia ciúmes e cobranças entre eles e se encontravam duas ou três vezes por semana.
Ultimamente Carol vinha tocando muito repetidamente neste assunto, no qual Jorge não queria discutir. Sempre soubera que ele não queria ter filhos e ela insistentemente falava em ter mais um.
Ela sempre dissera a Jorge que não queria mais filhos. Tivera dois filhos antes, fruto do seu primeiro amor quanto tinha 15 e 17 anos. Portanto já se preparava para ser avó a qualquer hora.
Pensara estar na menopausa e começou a sentir coisas estranhas em seu corpo e resolvera ir ao médico que confirmara uma gravidez de 13 semanas. No início foi um choque, mas ela era contra o aborto. Totalmente contra. Não fora precavida pelo fato de que sua menstruação muito irregular passara a ser distante acontecendo no último ano somente três vezes. Seu médico lhe dissera que estava entrando na menopausa. Aí relaxou no contraceptivo.
Por isto tocara no assunto com Jorge, porque tinha medo de ser direta, e começaram a discutir e pouco se verem. Ela não falara pra ninguém sobre a gravidez sabida há pouco mais de um mês e no dia sete de maio, na semana que antecedia o dia das mães, ela tinha viajado a trabalho e no hotel tropeçara e caíra numa escada. Foi parar num hospital, teve toda a assistência, porém seu bebê não resistira ao tombo da mãe. Três horas depois o médico lhe informara que o bebê não sobreviveu. Sofrera tudo sozinha. Primeiro porque não conseguira contar a Pedro, e se ele não sabia para quê iria contar. Só depois iria decidir o que fazer. Ficara hospitalizada por dois dias e depois fora embora. Ela estava em Blumenau e pedira para sua colega de trabalho Cléia vir buscá-la como motorista. No caminho lhe contaria tudo. Agora não fazia mais sentido esconder de ninguém. Não só seu corpo estava machucado. Sua alma estava dolorida. O médico lhe dera um atestado de três dias e na empresa tudo ficaria por conta do tombo.
Jorge aparecera e a tratara com carinho. Ela não lhe contou nada... Agora não fazia mais sentido, era o que lhe parecia. E por mágoa resolvera por um fim no relacionamento. Colocou a culpa de seu drama todo na sua intransigência e não conseguia perdoá-lo. Sofriam ambos, pois eram apaixonados. Mas ela pensou que era melhor assim. Sofria agora duas vezes. Por seu grande amor e por seu filho que não vingara.
Refletiu sobre sua vida, desde o primeiro amor que acabara durando apenas sete anos. Ambos eram imaturos, mas valera, pois fora um amor tranquilo. E agora que tinha um grande amor não conseguia a paz e a tranquilidade quando se casara com Alexandre, pai de seus dois filhos e que se tornara um grande amigo.
No dia das mães e aniversário da avó ela tinha bastantes motivos para tamanha tristeza. Não contara a ninguém, além de Cléia, decidiria depois o que fazer com o fato. Primeiro iria se curar daquela dor. Por isto logo depois de comer uma pequena porção de peixe frito com pirão e camarões ensopados, saiu à francesa, sem ser vista. Dentro do carro desmoronou em prantos e com medo pegou o celular e ligou para Jorge.


Mário Feijó  - Fim do segundo capítulo

SIMPLES ASSIM



SIMPLES ASSIM

Eu simplesmente me calo
Diante da beleza da flores
Da energia do mar
Da luz do sol e do brilho do luar

Eu silencio diante do poder de Deus
Do riso de uma criança 
Do olhar carente dos nossos velhos
E me encanto com o sopro dos ventos 

Com a frescura das matas
Com a vitalidade dos rios
Que saciam os seres vivos

Eu simplesmente me calo
Diante do teu corpo 
Que por vezes apenas me aquece
E sempre me oferece muito amor


Mário Feijó
20.05.17

quarta-feira, 10 de maio de 2017

MINHA RESSURREIÇÃO





MINHA RESSURREIÇÃO

Havia sol nos meus dias
Mesmo quando neles chovia
Eu via a luz de felicidade
Nos verdes olhos de minha mãe

Ela era campo perfumado
E eu sentia o cheiro de alfazema
Que ela todos os dias exalava
Como se fossem tardes primaveris

Hoje ela é apenas brisa fresca
Nas lembranças que me sobraram
Porém ela está tão presente
Quanto quarenta anos atrás

Eu apenas me descobria homem
No dia em que me disseram:
“Tua mãe faleceu”
Só agora eu descubro que ainda estamos vivos

Mário Feijó

09.05.17

A TRISTEZA DE CAROL (conto) 1º. CAPITULO




A TRISTEZA DE CAROL (conto)

1º. CAPITULO

                Carol era uma mulher que por onde passava sempre chamava a atenção. Era bonita, dentes brancos, sorriso largo e arrasador, cabelos negros longos, porém seu perfume a precedia, anunciando sua chegada muito antes de sua presença. E, ao adentrar em qualquer ambiente o som da sua voz abafavam qualquer música ambiente.
Ex professora, acostumara-se a falar alto e ela perdera o bom senso, embora muitos já a tenham prevenido quanto a isto.
Toda a família havia combinado de se encontrar, em um restaurante, em Florianópolis, à beira da Lagoa da Conceição. Viria gente de todo lado.
O cheiro de maresia com certeza iria ameninar o perfume forte e adocicado daquela mulher. A família pensara que isto amenizaria seu protagonismo escolhendo um local público, ao ar livre, onde a brisa suave (geralmente causando frisson na pele) e o cheiro de frutos do mar sendo preparados abriria o apetite em todos naquele dia das mães. Ficara para trás a comidinha caseira comum na casa de vovó, todos os domingos, onde a maioria ia sempre, mas também ninguém precisaria lavar a louça daquela tropa toda. Com certeza sentirei falta do cheirinho do café Amélia que vovó agora usava, substituindo seu café produzido no quintal por tanto tempo, e que agora era substituído por um produzido na cidade.
Sobrinhos, netos, irmãos, primos, todos se fizeram presentes. Se faltou alguém eu não saberia dizer quem, pois havia ali quase cem pessoas.
Juntamos duas ocasiões: o dia das mães, no segundo domingo de maio e o aniversário de 100 anos de vovó que seria dia 17.
Carol veio silenciosa. Estava comedida naquele dia. Eu diria que tensa. Pouco falou. Sentou-se num canto, depois de ter cumprimentado vovó e alguns irmãos. Pouco comeu. Pouco falou. Nada bebeu e em determinado momento eu percebi uma lágrima que ela secara rapidamente. Seu atual companheiro não estava presente, porém aquele dia e hora não era o momento certo para uma investigação ou perguntas. Naquele dia não era Carol a protagonista, mas muitos ficaram de ti-ti-ti numa mesa ou outra. Ela comera rapidamente e disfarçadamente se afastou do restaurante. Soubemos mais tarde que havia “saído à francesa”.
A curiosidade aumentara entre os presente, e, todos tiveram que ficar quietos e esperar pela segunda-feira ou por notícias que seriam, certamente publicadas no Facebook. Sua vida sempre fora um livro aberto.
Certamente aquele era um dia feliz para a maioria, mas não foi o melhor dia na vida de Carol...


Mário Feijó
09.05.17



terça-feira, 9 de maio de 2017

O RETRATO (MÃE)


O RETRATO

Os raios de sol
Entram pela janela
E batem na moldura
Da foto sobre a mesa

Reproduz uma linda mulher
Com uma criança ao seio
O cabelo loiro resplandece luz

Os olhos verdes lembram o mar
Tudo remete à harmonia,
À beleza da criação
À vida e o seu desenrolar

Nada parece destoar
Em um quadro amoroso
Rembrandt poderia tê-lo pintado
Com seus pincéis mágicos

Porém nenhuma tinta
Revelaria a magia da Maternidade
Em toda a sua grandeza

Marlene Nahas
09.05.17
(Trabalho desenvolvido na Oficina Literária de Mário Feijó, nesta data)






http://www.recantodasletras.com.br/poesiascomemorativas/5994478

segunda-feira, 8 de maio de 2017

FLORES PARA IEMANJÁ




FLORES PARA IEMANJÁ

Ah! Eu quero olhar o horizonte
E me debruçar nas janelas
Imaginando como será
Lá distante, do outro lado do mundo

Virar a página de livro
E num piscar de olhos
Ver a lua cheia tocar seus lábios
Para beijar as ondas do mar... invejosa!

Olhava-nos à beira mar
Cheirando maresia, degustando ostras,
Siris e camarões enquanto no fundo
Um iate levava turistas aos mares do sul

Em nossos olhos o êxtase do amor
A lua apenas refletia o que sentiam os cidadãos
Da capital do estado que procuravam um descanso
E no feriado jogavam flores pra Iemanjá...

Mário Feijó

07.05.17

domingo, 7 de maio de 2017

RATOLÂNDIA BRASIL




RATOLÂNDIA BRASIL

Há muitos ratos
Ratinhos sem-vergonhas
Que passam por ratoeiras
Que não perdem seus rabos
Porém algumas vezes perdem
Somente os dedinhos

Há ratos com nome de gente:
Luiz, Dirceu, Antônio, Sérgio
Seria o ponto(pt) final deles?
Porém rato é rato, mesmo preso,
E se tiverem oportunidades irão roubar novamente

Mas o povo é o culpado quando faz escolhas
Há quem acredite que sejam “pais dos pobres”
Porem o que eles querem é enriquecer aos seus
E se manter no poder
Um poder que lhes dê poder de decisão
De administrar os recursos da nação
A seu bel prazer e interesse

E os ratos de estimação que aí estão
Sempre farão de tudo pelos seus, porque
Se classificam como seres honestos
Os mais honestos do mundo
Talvez por isto tenham perdido seus dedos
Colocando a mão em cumbuca errada

E depois de descobertos continuam roendo
Mais de 65 bilhões de dólares de uma empreiteira
Colocados à sua disposição.

Socorro! Socorro! Como tem gente cega
Como tem rato político rico
Gente até hoje nunca punida
Que se socorrem apelando ao santo protetor
(São Paulo Maluf)

E têm suas orações sempre atendidas, graças a Deus,
Seus catadores de bosta de elefante limpam tudo
Recolhendo tudo embaixo do tapete
Basta dizer “não sei de nada” e “não é meu”
Enquanto o país vai à bancarrota

Está na hora de construirmos mais cadeias
Em forma de ratoeira
Já que este é um país
Onde os ratos tanto prosperam...


Mário Feijó - 07.05.17

sábado, 6 de maio de 2017

MEMÓRIAS AFETIVAS



MEMÓRIAS AFETIVAS

Meus dias eram assim:

pela manhã


o cheiro do café moído na hora
em um pilão de madeira
que vovó torrava em seu fogão à lenha
era passado em um coador de pano
em um bule de barro (o café nunca queimava)
estava sempre quente e fresco
ao meio dia

Felicidade pegava o feijão que cozinhara
(era um caldo grosso e negro)
e fazia um pirão com ele
alguns chamam de feijão mexido
em cima espalhava uma gema de ovo crua
que o calor cozinhava
e deixava um sabor sem igual
se havia carne seca ou linguiça
(que eu às vezes comprava 100g)
eu nem lembro, até porque
só isto bastava para matar
a minha fome de ter Felicidade por perto
à noite

bem, à noite era inevitável
pulgas sob as cobertas
provavelmente heranças de Peri
um cão branco e velho
que eu nunca vira latir
talvez seja por isto
que hoje mesmo sem as pulgas
eu fique rolando na cama sem dormir
pensando em como fui feliz
quando morei com "Felicidade"
minha querida avó materna.


03.05.17

sobre o AMOR





Quando amamos alguém começamos tirando toda a roupa e aos poucos desnudamos toda a alma. Mário Feijó

SONHOS ADOLESCENTES (LASCÍVIA)




SONHOS ADOLESCENTES (LASCÍVIA)


ela era escorregadia
parecia não ter corpo
porém todas as noites
enfiava-se sob minhas cobertas
e mordia meu corpo
sugava meu sangue
mesmo em partes mais intimas
algumas vezes sem me deixar dormir
sonhava com ela: mulher
provocando em mim tesão
havia em minha adolescente excesso de tesão
hormônios à flor da pele
compreensível,
diriam alguns
libidinosos,
diriam outros
ao acordar eu percebia
que tudo aquilo era apenas um sonho
e colocava as cobertas ao sol
para catar as pulgas que me mordiam


Mário Feijó
04.05.17

terça-feira, 25 de abril de 2017

QUANDO A CIDADE FOI NOTÍCIA



QUANDO A CIDADE FOI NOTÍCIA

Pobre pescador
Na busca do seu alimento
Lançou a rede no mar
E uma vida ceifou

Pensou em trazer só peixes
Porém o surfista audacioso
Na sua zona de pesca
Enredou-se em sua rede

Vida e morte abraçaram-se
Enredadas em sonhos
Na paisagem sempre alegre
Aquela tarde derramou-se em lágrimas

A mãe chorou
A tarde choveu
Pessoas murmuravam
Enquanto a cidade escurecia...

Mário Feijó

26.04.17

domingo, 23 de abril de 2017

CONTANDO O TEMPO




CONTANDO O TEMPO

Tu querias brincar de amar
Sem ao menos fazer amor
Então eu te dei a liberdade
Numa carta de alforria

Ai tu, criatura perdida,
Não sabias o que fazer
Com esta liberdade

Agora te debruças nas janelas
Vendo o tempo passar célere
Onde só passam pessoas
Enquanto isto passam-se os dias, meses e anos

Em desespero apenas contas
1, 2. 3, 5, 9... 300
Enquanto te perdes no infinito...

Mário Feijó

24.04.17

sexta-feira, 21 de abril de 2017

ASSIM É! ASSIM FOI! ASSIM SERÁ!




ASSIM É! ASSIM FOI! ASSIM SERÁ!

Deus nos fez almas em evolução
E não determinou o que seriamos
Deu-nos o livre arbítrio
Onde somos apenas energia

E disse:
- amai-vos uns aos outros
Assim como eu vos amei

Mas veio o demônio
E quis impor regras ao amor
- vocês só podem amar
A pessoa do outro sexo
E misturas raciais estão proibidas!

Deu uma confusão danada
Pessoas começaram a se matar
Em nome de Deus e do amor

O que fazer agora?
Deixar de amar?
- Não!
Porque não existem regras para o amor
Nada impede uma energia
De amar a outra...

Assim é!
Assim foi!
Assim será!
Disse o Criador

Mário Feijó

21.04.17

segunda-feira, 10 de abril de 2017

PRESENTES DA VIDA





PRESENTES DA VIDA

Eu já fui um menino sonhador
Menino calado, quieto, medroso
O mundo algumas vezes
É bastante assustador para um menino

E por não me conhecer
Por me sujeitar à imposição dos outros
Algumas vezes pensei em suicídio
Tive coragem para viver, mas covardia para morrer

Era um menino pobre
De família pobre, sem muito amor
Que em muitos dias não teve o que comer

Agora já não sou menino
Já não posso fome
Ganhei uma nova chance no amor

Mário Feijó

11.04.17

sábado, 8 de abril de 2017

VIVEMOS PARA AMAR




VIVEMOS PARA AMAR

Algumas pessoas passam pela vida
Sem ver as cores do amor!
Há filhos que desamam seus pais
Há mulheres que não amam seus maridos
Há maridos que não amam suas mulheres
E há pessoas que não vivem o amor

Eu descobri que o amor faz parte
Do ar que eu respiro
Dos filhos que eu amo
Dos netos que estes me deram
Dos homens e mulheres que entraram em minha vida

Agora eu vivo em estado de amor
Porque eu me entreguei a este sentimento
Aí tudo em mim mudou
Eu quero partilhar com que amo
As cores do meu dia a dia
O ar que eu respiro
Os cheiros que eu sinto
As cores que eu vejo

E quando comigo tu não estás
Os meus dias são acinzentados
Tudo fica sem sabor
E nos meus lábios apenas sobram
O gosto do sal de lágrimas
Misturado ao sabor da chuva

Mário Feijó

08.04.17  

quarta-feira, 22 de março de 2017

QUANDO O AMOR ACONTECE





QUANDO O AMOR ACONTECE

Quando o amor acontece
Não adianta espernear
Dizer que não quer
Porque ele te envolve
E quando você vê
A pessoa amada não sai da sua cabeça
Como se fossem estrelas
Depois de uma pancada...
Ai você sente que dói respirar
Que o peito parece não ter ar
É como se você sofresse
Uma crise de abstinência
Pela ausência do outro...
E você pensa “eu quero casar”
Porque casando
O outro vira seu eterno par
Feito duas araras
Que não se separam até a morte...
Pode ser que nada disto seja verdade
Pode ser que você se decepcione
Mas é isto o que ocorre
Quando o amor acontece...

Mário Feijó

21.03.17

segunda-feira, 20 de março de 2017

APRENDA




APRENDA

Aprenda que na vida
Nem tudo é perfeito
Dificuldades existem
Para serem superadas

Aprenda que o amor existirá
Se você o tiver no coração
Que o amor dos outros não nos sustentam
O que nos sustenta é o amor próprio

Aprenda que se você estiver bem
Nada afetará sua energia vital
Porque você saberá como se defender
E que existe uma “força superior” que nos rege

Aprenda que a fé é imprescindível
Que a acomodação nos leva ao fracasso
Que o que pensam de nós não é o que somos
E só a fé nos fará forte diante das vicissitudes

Mário Feijó

20.03.17

quinta-feira, 16 de março de 2017

TRAIÇÃO É TRAIÇÃO: DISSERAM-ME! T





TRAIÇÃO É TRAIÇÃO: DISSERAM-ME!

Trair e coçar é só começar... diz o ditado!

Então eu pergunto:
Por que será que você coçou?
Por que será que você traiu?

                Coçou tanto
                Que feriu meu coração
                E agora?
                Será que a coceira passa?

Eu não quero pedaços teus
Eu te quero por inteiro
Porque em pedaços eu estou
Desde que tu te dividisses

                Eu te dei liberdade
                Porém tu voaste mais alto
                E eu cai em um abismo
                O que faço de mim despedaçado?

Mário Feijó

16.03.17

ÉS A PESSOA QUE EU QUERO NA VIDA




ÉS A PESSOA QUE EU QUERO NA VIDA

Se eu fosse teu amor
Não haveria espaço
Para outras pessoas
Em tua vida

Jardim com ervas daninhas
Aos poucos vai morrendo
Deixa de florir
Minha vida esta ficando sem flor

E por mais que eu me entregue
Você se afasta
Abre portas a outras pessoas
E as minhas se fecham

Quando escolhemos alguém
Não bastam juras de amor
Não precisa haver pacto de sangue
Basta tratar o outro como queria ser tratado...

MARIO FEIJÓ

14.03.17

sexta-feira, 10 de março de 2017

EU RESPIRO VOCÊ




EU RESPIRO VOCÊ

Todos os dias
Eu vejo a luz do sol
Aí respiro fundo
Aspiro o ar que me rodeia
E penso em ti

Faz algum tempo
Que venho aspirando você
Respirando você
Amando você

E quando não estás por perto
Fico sem ar
Feito flor sem água
E vou murchando

Sopre meus lábios
Faça-me respiração boca a boca
Coloque em mim ar fresco
E eu reviverei sob a luz do sol

Mário Feijó

10.03.17

segunda-feira, 6 de março de 2017

ADOLESCENTES: SERIAM TODOS IGUAIS?




ADOLESCENTES: SERIAM TODOS IGUAIS?

Eu ainda lembro
Daquelas meninas remelentas
Que acordavam com olhos inchados
E me enxergavam com amor
Eram carentes de comida
De beijos e de abraços

Hoje me olham com indiferença
(estão repetindo a condenável
Atitude de seus pais e tias?)
Mesmo assim eu penso
Que elas já se esqueceram de mim

E na solidão do meu exílio
Já não tenho nenhum beijo molhado
De quem nem sente saudade
Escondidas dentro de si próprias

Eu jamais lhes abandonaria
Mas eu sei que pássaros emplumados voam
E dão adeus a seus ninhos
Enquanto os pais ficam ali sofrendo
Esperando o nosso próprio voo

Mário Feijó

06.03.17

domingo, 5 de março de 2017

EU QUERIA CONFIAR NO CALOR DO SOL




EU QUERIA CONFIAR NO CALOR DO SOL

Eu não queria
Que teus olhos ficassem voltados
Somente para mim

Eu não queria
As tuas mãos acariciando
Somente o meu corpo
(embora isto fosse reconfortante)

Eu não queria
Que tu fosses aquele colibri apaixonado
Que fica beijando somente uma rosa

Porém eu queria confiar
Que todos os dias
O teu calor feito o calor do sol
Aquecesse meu corpo
(mesmo sabendo que o sol
Iria também aquecer outros corpos)...

Mário Feijó

05.03.17

sábado, 4 de março de 2017

CASA DESARRUMADA



CASA DESARRUMADA

Tudo era tão maravilhoso:
Flores no jardim
Carpas nadando no lago
Na frente da casa
Os girassóis viajavam
Se delirando com o sol inclemente
E para que tudo tivesse sintonia
Eu lhe dei amores perfeitos

Até que um dia você resolveu
Viajar nas asas de um colibri
Perdido, desencontrado
Fui vendo o lago secar
As flores ficaram secas
E os girassóis já não acompanhavam
A luz viajante do sol

Ficaram noites de dor
Quem passasse por fora daquele lar
Pensava “lá dentro vivem almas penadas”
Que todas as noites gemem
A solidão de um amor que se foi

Então tudo se renova
Aparece a sombra de um novo amor
Luzes se acendem nas noites frias
Corpos ressuscitam e gemem de prazer
Porém nem tudo são flores
Quando os amores perfeitos são ceifados
Pela foice da traição
E a casa volta a ficar desarrumada...

Mário Feijó

04.03.17   

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

O TEMPO DO AMOR É AGORA




O TEMPO DO AMOR É AGORA

Eu não tenho tido tempo para amar
E se não tenho tempo para amar
Ódio é uma coisa que jamais
Irá ocupar meu tempo

Por isto tenho me dedicado ao amor
Mesmo que não tenha tenho para amar
Mas se você estivesse aqui pertinho
Todo o meu tempo seria dedicado para te amar

E só tu sabes de quem falo
Só tu compreendes minha respiração
Só tu provocas minha excitação

Queria mais tempo para amar
Porque tempo é o que não mais me resta
A única coisa que me resta é este amor no coração...


Mário Feijó
28.02.17


sábado, 25 de fevereiro de 2017

“INDIO” TEM QUE FICAR COM “INDIO”




“ÍNDIO” TEM QUE FICAR COM “ÍNDIO”

Um dia eu me apaixonei
Por um “amor perfeito”
Mas ele, feito um girassol
Olhava para o outro lado e contava
Bem-me-quer, mal-me-quer
Bem-me-quer, mal me quer
Mal me queria...

Sai do jardim
Fugi dos insetos que destruíam minhas flores
Corri das pragas que comeram
Meus pés de amor-perfeito

Antes só do que mal acompanhado
Sou cosmopolita, voltei pra cidade
Acho melhor que “índio” fique com “índio”

Mário Feijó



terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

VERDADES E MENTIRAS






Eu prefiro a dureza da verdade
À mentira piedosa
Mentiras são traições
E ainda dizem que os amores são perfeitos...

Mário Feijó
21.02.17

domingo, 19 de fevereiro de 2017

AMOR E CAFÉ QUENTE




AMOR E CAFÉ QUENTE

Algumas pessoas esquecem
Que o amor precisa de cuidados
É como fazer café
Precisa ter um ritual

Colocar o pó, esquentar a água, coar
O amor também precisa ser aquecido
Com carinho, atenção, companheirismo
Caso contrário vira bagunça de carnaval

Duas ou três colheres de pó
Já fornecem um café encorpado, saboroso
Dois ou três alôs com beijinhos
Também adoçam o dia, fazem o amor mais gostoso

Deixar tudo por conta do destino
Fará com que qualquer um se aproxime
Traga uma xícara e tome do seu café
Então eu pergunto: é isto mesmo o que você quer?

Mário Feijó

19.02.17

sábado, 18 de fevereiro de 2017

DIAS NO INTERIOR (Emilianópolis – SP)




DIAS NO INTERIOR (Emilianópolis – SP)

No campo o calor é escaldante
As estradas são empoeiradas no “chão batido”
Para um lado pastos com gado Nelore
Para o outro os búfalos são sombras negras

A temperatura passa fácil dos 40 graus
A toda hora ouço maritacas
Que preferem os fios elétricos
Aos ninhos escaldantes

São tão verdes quanto os campos
São tão verdes quanto a minha esperança
São tão verdes e amarelas quanto as cores do Brasil

No céu límpido não há uma nuvem no ar
Apenas o azul infinito rasgado por pássaros
Enquanto a noite o calor nos impede de dormir
Aí eu me pego a ver uma cobertura de estrelas

Mário Feijó

18.02.17

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

ESPIANDO ESTRELAS




ESPIANDO ESTRELAS

Eu me lembro daquele dia
Em que você chegou
Feito luz do sol
Iluminando a minha vida

Eu me senti eclipsado
Por algum tempo
Porém depois eu, feito o girassol
Fui acompanhando teus movimentos

Então eu vi que o teu riso é brisa fresca
E o teu calor tem o efeito do sol nas flores
Faz com que eu cresça, floresça

E quando chegam as noites
Contigo eu posso ver estrelas
E vejo muito mais sempre que dizes me amar

Mário Feijó

17.02.17

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

NOSSO AMOR NÃO ESQUECIDO




NOSSO AMOR NÃO ESQUECIDO

Hoje eu me atirei no tempo
Ontem apenas brinquei com o vento
Queria em algum lugar te encontrar
Até que passei por vias
Subi montanhas
Desci campos verdejantes
Mergulhei em rios refrescantes
E com tintas azuis
Eu pintei as flores
Que estavam vermelhas
Porque elas me lembravam a tua morte
Tinham um cheiro forte de despedida
Depois eu corri para o mar
Chutei ondas fortes
Pensava descobrir tuas cinzas dentro delas
Porém já haviam sido diluídas
Em um verde esmeralda
Que tinha um toque de esperança
Nas lembranças do nosso amor
Que não estava esquecido...

Mário Feijó

23.01.17

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

SANTA IGNORÂNCIA



SANTA IGNORÂNCIA

Ontem à noite eu abri as cortinas
E me debrucei nas janelas do mundo
Calado observei muitos descalabros:
Roubos que se disfarçavam
Na fome e empobrecimento do povo
Enquanto uns poucos nababos
Gastavam inconsciências
Em festas por Paris e New York

E os descamisados
Com as caras mais lavadas
Aplaudiam pseudo-deuses
Que rezavam mantras:
“nada sei, nada sei”
Ouvindo o Bolero de Ravel
Entorpecidos pelo ópio da ignorância
Dentro das Bolsas todas as famílias
Encantados pela luxúria do primeiro mundo

Dizem que desde Cabral
Ouvi isto quando ainda era Garotinho
E não há quem se salve
Tudo sempre foi tão permissível
Que agora na hora de arrumar a casa retrucam:
“sempre foi assim!”...

Mário Feijó

17.01.2017