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segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

COITADAS DAS BRUXAS


COITADAS DAS BRUXAS

É sempre assim
Estou sempre rezando
Pelo bem de alguém
Queria saber se alguém reza por mim?

Outro dia eu soube
Que uma bruxa rogou-me uma praga
Ah! Coitada da bruxa
Caíram-lhe todos os dentes

Chego à casa de minha tia
Que senil diz: “vou orar por você”
Mas até pouco tempo
Bastava eu dar as costas, falava mal de mim

Não importa o que façam
Teço rezas pela bruxa e pela tia
É uma forma do mal não me pegar
Coitadas de suas vassouras...

Mário Feijó
14.01.19

quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

DIZEM... NÃO IMPORTA O QUE DIZEM...




DIZEM... NÃO IMPORTA O QUE DIZEM...

Eu queria poder
(Embora parecesse louco)
Chegar à janela e gritar
Até ficar rouco

Era isto o que queria
Neste momento fazer
Colocando pra fora
Todos os demônios

Que me atormentam
Que infernizam minha vida
Causando tanto prejuízo
Ao meu bem viver

Porém sou “normal”
Como todos os anormais
Tenho que ser certinho
Para não ser taxado de marginal

É tarde demais
Já abri a janela
Já gritei para o mundo
Que não posso mais viver sem ti

Mário R. Feijó
02.01.19

quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

A CRIANÇA ENVELHECEU






A CRIANÇA ENVELHECEU

Enquanto brincávamos de amor
O tempo passou tão célere
Que eu não vi
Que deixara de ser criança

As ruas ficaram escuras
O meu quarto silencioso
E minha cama fria
A pele enrugada apenas se arrepia

E quando eu procuro
A criança que havia em mim
Vejo meus cabelos encanecidos
E a pele craquelada pelo tempo

E o meu coração já não palpita
Não se mete mais em aventuras
Ele apenas bate calado
E aceita o seu próprio destino

Mário Feijó
25.12.18



terça-feira, 25 de dezembro de 2018

O SENHOR É MEU PASTOR (Inspirado no Salmo 23)




O SENHOR É MEU PASTOR
(Inspirado no Salmo 23)

O Senhor é meu pastor
Na minha vida
Nas minhas ações
Porque eu tenho fé

Por isto nada me faltará
E quem tem fé
Não teme as dificuldades
Porque o Senhor é seu guia

Se por acaso
Eu me perder pelo caminho
O Senhor irá me conduzir à luz

Ele me salvará
E me conduzirá ao vale do amor
E pelo amor eu serei salvo

Mário Feijó
25.12.18

segunda-feira, 24 de dezembro de 2018

A RAZÃO DE TUDO





A RAZÃO DE TUDO

Tudo é tão efêmero
Que não devíamos nos contentar
Com o que nos é palpável
Eu adoro tocar estrelas

Quando o vento soprou
Eu acreditei em suas verdades
E ele foi tão forte
Que me dividiu em metades

Sou metade de mim
Que vive numa metade tua
Porém algumas metades são irreais
E ficamos a nos procurar

Agora eu sou apenas
Uma luz que se extingue em meio à escuridão
Enquanto tateio às cegas
Achar uma razão para tudo no fim do túnel

Mário Feijó
24.12.18



sábado, 22 de dezembro de 2018

VEM DANÇAR COMIGO





VEM DANÇAR COMIGO

Ah se eu pudesse
Agora, neste momento,
Tudo o que eu mais queria
Seria ter você em meus braços

Depois sair pelo salão a bailar
Um, dois, três passos
Colando o meu corpo ao teu
Ao som de uma bela música

Um passo, dois passos
E nossos corpos ficariam
Livres de todos os pesadelos
Que a vida às vezes impõe

Então vem dançar comigo
Um, dois, três
Apenas três passos sonhando,
Voando, como se fossemos pássaros

Mário Feijó
22.12.18

quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

DESTINOS




DESTINOS

e na beira do mar
onde os destinos caminhavam
descalços na areia escaldante da praia
a mula cabisbaixa não tinha destino

era impelida a ir para a frente
como todos nós fazemos
quando saímos a caminhar pelo mundo
perseguindo uma meta ou apenas descansando

à frente a vastidão do mar esmeralda
faz com que sonhos fervilhem
dentro da minha cabeça
fazendo-me voar na imensidão

eu sou apenas uma gaivota desgarrada
que não se assusta diante da beleza
seja ela da terra, do ar ou do mar
porque nela eu sinto a harmonia de Deus

Mário Feijó
Aracaju SE... 08.12.18 10hs AM

A SUAVIDADE DE TEUS BEIJOS





A SUAVIDADE DE TEUS BEIJOS

eu tentei de todas as formas
segurar com as mãos o vento
mas ele parecia selvagem
como se fora um corcel alado

e entre meus dentes
eu retive
todos os beijos que
com desejo eu queria te dar

na minha pele ficou
apenas o arrepio
e a excitação do desejo

o vento se foi
comigo ficou o afago
de uma brisa suave
feito teus lábios
quando percorrem meu corpo...

Mário Feijó
08.12.18

ENTRE O PRAZER E A DOR





ENTRE O PRAZER E A DOR

E numa explosão de cores
Você foi saindo de mim
Como se fora um arco-íris
Para se alojar no céu, depois da chuva

Eram lágrimas de felicidade
Que caiam naquele solo seco, infértil
Porque ali era “terra do nada”

Nada se cria
Nada se sonhava
Nada se fazia
Era apenas limiar do pesadelo

E eu quase gritava
Por prazer e por dor
Descobrindo que aquilo não era amor
Era apenas o caminho para um oásis

Mário Feijó
12.12.18

quinta-feira, 29 de novembro de 2018

COISAS QUE NÃO QUERO PRA MIM





COISAS QUE NÃO QUERO PRA MIM

Eu não quero pra mim
A falta de sonhos
Não quero amigos que traem
Filhos que mentem
Um amor que tudo esconde
Tampouco quero dias de solidão
Cansei das noites de frio
Ou de ficar escutando vendavais

Eu não quero ver rios secos
Água poluída
Dores na alma
Boca seca
Saudade de pessoas que vão embora
Não quero mais a morte de um filho
Não quero sofrer por angústia
Nem quero a falta de abraços

Porque tudo o que eu tenho
São sentimentos de amor
E pessoas que não me compreendem

Eu só queria poder sonhar
E não estou mais acreditando em sonhos
Queria amigos sinceros
Que os filhos não mentissem
Mas todos fazem das mentiras
Um jogo de sobrevivência

E sinto a falta de um amor sincero
Que me oferecesse solidariedade
E tudo o que tenho é fumaça
Nestes dias de solidão
Nas minhas noites frias
Escutando nas janelas
Os vendavais que as açoitam
Porém tudo o que me restou
Foi esta angústia no peito
E uma estrada deserta
Que não sei para onde me leva...

Mário Feijó
28.11.18

domingo, 25 de novembro de 2018

O AMOR É ASSIM: SEM CULPAS, SEM MISTÉRIOS



O AMOR É ASSIM: SEM CULPAS, SEM MISTÉRIOS

Não importa quem
Não importa onde
Não importa se você é homem
Ou a minha mulher
O amor é assim
Cheio de mistérios
Amamos o outro
Sem olhar o sexo

E se somos felizes
Melhor que o sejamos
Intensamente felizes
Melhor fazer amor
Do que atormentar com guerras
Fazer intrigas
Fazer fofocas
E sem contar que fazer amor é bom

Não importa quem seja você
Não importa o que os outros
Pensem de você
Importa sim
Todo o bem que você me faz
E o quão feliz eu sou
Quando estamos um nos braços do outro
E eu sou feliz
Quando moro em você
Quando penso em você
Não me importo mais com os outros...

MÁRIO R. FEIJÓ

25.11.19

quarta-feira, 21 de novembro de 2018

ELA CONTINUA UMA MENINA




ELA CONTINUA UMA MENINA
(para minha eterna Amiga Juliana W.)

Ah! Juliana
Você, agora mulher
Continua tão linda
Quanto aquela menina
Que foi musa de meu poema
Há mais de trinta anos

Os teus olhos verdes
Não amadureceram
E você se tornou
Uma linda mulher
Que teve lindas filhas
E ao que me parece é muito feliz

Porém acho que não devia
Ser tão magrinha
Mulheres lindas carecem de carnes
E eu se pudesse
Proibir-te-ia de fumar

Espero que você reflita
Sobre o fumo e não deixe nunca
Teus olhos amadurecerem
Porque eles feito uvas verdes
Enganam raposas
(lembra da fábula?)

Pois é! Você é esguia
Feito um parreiral
Tão doce feito uvas maduras
E na memória eu te eternizei
Como aquela menina linda
Que um dia me pediu um poema
Porque já se pensava mulher aos 15 anos

Nesta época eu te via
Como se estivesses numa torre
(Como Rapunzel) tecendo escadas
Com tuas curtas tranças

E você continua menina
A mesma menina do Sr. Leopoldo e D. Mariazinha
Porém está na hora de parar
De jogar fumaça para o ar
Continue jogando somente tuas tranças

Mário Feijó
21.11.18


terça-feira, 30 de outubro de 2018

HÁ UM VÁCUO ENTRE NÓS


HÁ UM VÁCUO ENTRE NÓS

Não deveria existir
Espaço entre pessoas
Que se amam

Porque o vácuo que se forma
Acaba com qualquer romance
E o amor acaba caindo
Dentro de um buraco negro

Então o coração parece sangrar
E as pessoas passam
A viver suas próprias solidões

Não há amor que sobreviva
À necessidade não atendida
De toques na pele
De uma porção de carinho

Mário Feijó
30.10.18

A MINHA SOLIDÃO


A MINHA SOLIDÃO

Você não está só
Porque eu sempre estarei contigo
Mesmo que seja só em pensamentos
Nas minhas orações

É isto o que eu faço
Quando o assunto é filhos
Amigos, irmãos e a pessoa
Que me cativou e tem o meu amor

Saibam que vocês nunca estarão sós
Mesmo nas horas mais difíceis
Seja no escuro do quarto
Ou pelas estradas onde anda

Eu estarei em oração
Pedindo pelo sucesso
Torcendo para que sejam felizes
Mesmo que não seja junto de mim

Mário Feijó
29.10.18

sábado, 27 de outubro de 2018

O QUE EU FAÇO SEM TI?


O QUE EU FAÇO SEM TI?

Eu quero de ti
Algo mais que
A tua disponibilidade
Para estar em minha cama

Eu quero teu companheirismo
Eu quero tua solidariedade
Eu quero tua compreensão
Nas minhas horas mais difíceis

A mim não basta
Uma mensagem copiada da internet
Porque não está escrito nas estrelas
Que tu estás comigo, mesmo sem estar perto

Eu quero saber
Que posso contar contigo
Nos dias tristes e que
Podes me abraçar nas horas mais frias

Então eu te pergunto o que faço
Com as minhas noites de luar?
Com os meus dias de sol
Quando estou sem ti de frente para o mar?

Mário Feijó
27.10.18

SECOS E MOLHADOS


SECOS E MOLHADOS

Compro: sorrisos frouxos
Sorrisos brejeiros
Sorrisos marotos
Feito os risos teus

Compro sorrisos fáceis
Sorrisos de crianças
Parcelo com beijos
Ou pago à vista com abraços

E te entrego compreensão
Mas não me venha com sorrisos amarelos
Tampouco com falsos sorrisos

Porque tudo o que eu preciso
É de um pouco de felicidade
Quero sorrisos soltos em tarde de chuva
E gargalhadas felizes em noites de amor

Mário Feijó
27.10.18

sexta-feira, 26 de outubro de 2018

SINTO QUE SOU TEU




SINTO QUE SOU TEU

O que será
Que fez com que
Eu me apaixonasse por você?

Teria sido
Esta tua pele morena
Queimada de sol
Ou teu sorriso de criança?

Penso que pode ter sido
O calor dos teus beijos
E teus abraços envolventes

Mas quando vejo os teus olhos
Como se quisessem me devorar
Toda vez que nos encontramos
Eu sinto que não vou resistir: sou teu...

Mário Feijó
26.10.18

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

VENDO OU TROCO


VENDO OU TROCO

Vendo ou troco uma pequena tristeza
Abandonada aqui em casa
Vi que ela não me tem serventia
Porém tem muita gente
Que gosta de fazer uso dela
Para se fazer de “tadinho(a)”
Para fazer chantagem com a família
Ou para não ir à luta

É uma velha tristeza
Que está muito bem conservada
Não foi muito usada
E ninguém diz a idade que tem
Porém também posso trocá-la
Por uma pequena alegria
Tipo: uma noite de luar
Um dia de sol ou até mesmo
Um passeio na beira da praia
Serve ainda uma tarde no campo

Interessados podem fazer contato
Em qualquer um dos meus canais de diálogo
No meu blog, face, whats
É muito fácil, não sou exigente
Para pequenos momentos felizes

Mário Feijó
24.10.18

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

FOI POR VOCÊ


FOI POR VOCÊ


Foi por você
Que eu me transformei em ruas
Estradas calçadas e floridas
Ruas por onde transitava o amor

Foi por você
Que eu vi estrelas
Não somente nas noites
Mas também nos dias em que me enlaçavas

Foi por você
Que eu perdi o medo
Criei esperanças
Esqueci-me da solidão

Foi por você
Que eu pude criar asas
Que eu descobri o amor próprio
E agora já posso voar

Mário Feijó
22.10.18

O BARULHO DO MAR




O BARULHO DO MAR

Eu tive um amor
Que não dizia que me amava
Não tinha cuidados comigo
E nem tempo para me amar

Que me deixava ao vento
Feito folha de papel
Jogada de um lado para o outro

Eu tive um amor
Que não conversava comigo
Porém estava conectado
Em todas as redes, em todo lugar

Então o tempo passou
E eu não estava mais me amando
E também não tinha a quem amar
Só me restou a luz do sol
E o barulho do mar...

Mário Feijó
22.10.18

terça-feira, 16 de outubro de 2018

ATO SOLITÁRIO

ATO SOLITÁRIO

escrever é
um ato tão solitário
que até dentro de mim
muitas vezes me perco
Mário Feijó
16.10.18


PERDIDO NA MULTIDÃO

PERDIDO NA MULTIDÃO
sobre o tampo da mesa
eu vejo refletido o céu
e parte do meu mundo
que está de pernas para o ar
eu, como nunca tive certeza de nada
estou prisioneiro das janelas envidraçadas
no quarto andar de um prédio
quase junto à beira-mar
já caminhei pela orla
respirando o ar ameno
que a primavera proporciona
encontrei muita gente
esbarrando na minha solidão
vi gaivotas, tatuíras, quero-quero e garça
só não me encontrei no meio da multidão
Mário Feijó
16.10.18


domingo, 14 de outubro de 2018

DEPOIS DE TANTO TEMPO

DEPOIS DE TANTO TEMPO

ando meio perdido
colocando em sacos de lixo
trecos que acumulei vida afora
dentro e fora de mim
nem sinto mais meu coração
que não pulsa mais
ouço somente as ondas do mar
que batem ali na praia
nas janelas clama o vento
que me chama em gemidos fracos
enquanto a lua no céu
enche a minha vida de esperanças
saio do marasmo ao romper do dia
quando em cima do mar o sol desponta
então piso na areia fofa
e descubro que ainda estou vivo

Mário Feijó
14.10.18


SONHOS DESBOTADOS

SONHOS DESBOTADOS

ainda hoje eu me peguei
lembrando de ti
das coisas simples que fazíamos
passeando por ruas de Mar del Plata
e à noite indo até o Cassino local
para jogar um pouco nas máquinas e nos divertir
na época eram coisas bobas
mas eu lembro que era feliz
porque tu sempre me fazias sorrir
e eu via a felicidade que sentias
eu não sei quando isto se perdeu
e depois da tua tempestuosa partida
eu percebi que tudo o que tínhamos
era o que me bastaria para alimentar meus sonhos
agora eu já tenho outro alguém
muito diferente de ti
porém não temos tido tempo
para fazer as "coisas bobas" que fazíamos
não passeamos de mãos dadas
como eu e tu fazíamos
e os meus sonhos estão todos desbotados

Mário Feijó
27.09.18


quarta-feira, 19 de setembro de 2018

RETALHOS DA VIDA

RETALHOS DA VIDA


Cada um de nós traz histórias que se entrelaçam. Estamos sempre interagindo com familiares, amigos, conhecidos e até com desconhecidos.
Dia desses encontrei Sônia que me contou a história de David. Ela o descobriu todo sujo à beira do pântano. Queria ter filhos e pensou “este é meu filho”. Levou o menino pra casa. O bebê estava todo sujo de lama tinha uma cara redonda, encantadora. Ela pensou “é parecido comigo”. Quase nem chorava, parecia fraco e faminto. Deu-lhe um banho e foi vendo o “moreninho” desbotar. O menino era branquinho e tinha olhos verdes. Devia ter quatro ou cinco meses apenas. Isto aconteceu há quase sessenta anos. Não havia burocracia e as pessoas davam seus filhos como quem dá um bichinho. Nem precisou ir à polícia registrar o fato. Foi no cartório e registrou o menino como sendo seu. Ela já estava apaixonada pelo bebê. Sentia que sua alma o gerara... O menino chorava com fome, ela o alimentava com mamadeira, mas uma semana depois sentiu algo quente na blusa. Era leite, seu instinto materno fez seu organismo produzi-lo. Agora ninguém mais o tiraria dela. Lágrimas selaram aquele encontro...
Fátima estava quieta num canto, mas lembrou de sua infância pobre e nos contou que seus pais eram pequenos produtores e tudo que tinham tiravam da roça, em seu pequeno sítio. Todo o sustento da casa era obtido naquele pedaço de terra. A mãe preparava todos os alimentos com produtos do quintal. Ela fazia comidas gostosas: café, passava em um coador de pano num bule de barro estrategicamente colocado em cima do fogão à lenha; galinhas haviam no quintal e forneciam ovos e a carne de frango; os porcos forneciam a banha, torresmo, toucinho e, também a carne; tinham Mimosa, uma vaquinha, que dava o leite e que era o xodó de Fátima e dos irmãos. A mãe, prendada, fazia pão de casa, delicioso e quentinho todos os dias, junto com broas e roscas, mas o sonho de Fátima e dos irmãos era comer um daqueles pães que haviam nas padarias da cidade. Hummmm que delícia, comentavam. Fátima falou que comeria um bem grande de uma única vez. O irmão franzino um dia arrumou emprego na cidade e com o primeiro salário comprou vinte pãezinhos. Comeu todos em sua volta para casa, de uma única vez. Contou ele, em segredo, dizendo pra irmã: - eu ia trazer pra todos, mas fui comendo, comendo, comendo e quando vi acabaram.
Todos sonhamos com coisas grandes, porém Fátima e seus irmãos sonhavam com algo tão simples, fácil de ser obtido, tão barato, tão pequeno. Hoje, graças a Deus ela come todos os pãezinhos que quer.
No outro lado da sala estava Larissa (que chegara quando o grupo já estava reunido), toda coquete, falou que tinha um amigo, o qual adorava, mas que ele sofria pelos problemas familiares. Felizmente era casado e estava longe dos irmãos, mas não conseguia ser completamente feliz porque os três irmãos eram viciados. Aline, sua irmã mais nova tinha um bebê que deixava jogado e também o maltratava. Esta é a pior. Os outros eram somente o vicio. Roubavam o que podiam e já estiveram todos envolvidos com a polícia. Maurício era um rapaz com 32 anos; casado; 1,93 cm de altura; cabelos negros, feito noite sem luar; olhos verdes e só não se sentia completamente feliz por causa dos irmãos problemáticos. Falou com Larissa na tentativa de arrumar uma vaga para atendê-los no CAPS de Capão da Canoa.
Luciane, amiga de Larissa, estava deprimida por tantos problemas que via. Sua vida também não era um mar de rosas, ela se sentia deprimida e lutava há anos contra a depressão. Mas o que mais a entristecia era Taylla, uma vizinha, com 43 anos que era um demônio em corpo de mulher. Falou pra Larissa quem sabe arrumamos tratamento também pra esta moça.
A terapeuta Adriana disse: - pode trazer tua amiga. Nós a receberemos. Para amenizar a tarde e o encontro Adriana mostrou fotos de sua família “café com leite” nascida de um relacionamento que já dura trinta e dois anos. Só podia ser mesmo uma família feliz, pois ela é uma pessoa doce e encantadora que recebe seus pupilos como se fossem filhos seus...
São tantas as histórias de vida que o grupo nos trouxe, até que o gato Bolinha, de Maria José chegou bateu com a pata num vaso no centro da sala, derrubando-o no chão, molhando a todos que decidiram ir embora, molhados e respingados de flores, disfarçando as lágrimas...

Mário Feijó e o grupo de Adriana - CAPS
(histórias criadas pelo grupo num trabalho de terapia ocupacional onde sou voluntário. FOTOS: o grupo fazendo arte com material reciclável)

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

VIDA





VIDA (aldravia)

Espelho
Refletida
Todos
Os
Dias
Vida

Mário Feijó
17.09.18

O SHOW ESTÁ TERMINANDO





O SHOW ESTÁ TERMINANDO

                O tempo passa e nós vamos percebendo (e aprendendo) que é difícil viver, ao mesmo tempo descobrindo as delícias do viver.
Viver é como subir em um palco para fazer um show com muito amor e se divertir com o que estamos fazendo. Minha vida foi assim! Minha vida, ainda, é assim!
No entanto a experiência nos mostra que somos flores e toda flor tem seu ciclo de vida, ou seja: ser botão, desabrochar e depois murchar até morrer. Estou me descobrindo a murchar e não há o que fazer contra isto.
Olhando para trás percebo que não notei os outros ciclos, mas este último me fez cair todas as fichas e faço um balanço da minha vida como se estivesse a escrever um testamento, dando adeus. Não há mágoas em meu viver, mas há pesares porque minha vontade seria viver eternamente, porém o menino que mora dentro de mim não faz mais parte do meu corpo. Todos a quem amei se foram. Cada um cuida de sua vida: amigos, filhos, netos, parentes... Alguns partiram com mágoas injustas, outros com amor no coração, todavia todos sem “tempo”.
O que eu gostaria mesmo era de apagar feito vela soprada pelo vento, sabendo que iluminei enquanto havia amor alimentando aquela luz, enquanto havia vigor. Minha luz se apaga e não há o que fazer. O coração não é mais o mesmo. Os pulmões mal processam o ar necessário ao meu corpo. A coluna mal me sustenta, ou então reclama as dores deste corpo cansado. Sinto que estou indo embora... talvez não seja hoje ou amanhã, mas não tenho mais tanto tempo para construir rancores, mágoas ou sentimentos pequenos. Tenho lucidez, levo comigo só o que me sobra de amor.
Um dia quem sabe eu possa ser uma estrela na vida dos que me amaram. Não vale a pena chorar por mim, agora ou amanhã. Deixei meus sinais de amor por onde eu passei. Quem não viu é porque tinha seu olhar voltado para o outro lado, para outras coisas, ou para outras pessoas. Não lamento, portanto não lamente também.
Este é só um momento de reflexão para mim ou para você. Não veja este texto como algo depressivo, mas como um despertar. Há tempo para modificar tudo, basta que queiramos. Tudo é possível, basta querer.
Eu me reinvento a cada dia e quem sabe depois desta reflexão eu possa ressurgir das cinzas, das minhas próprias cinzas e viver mais alguns anos. Eu não gostaria de viver muito tempo, arrastando os pés, dando trabalho aos outros. Neste momento a única coisa que eu gostaria era ter alguém que me abraçasse e que me cuidasse. Estou cansado de cuidar dos outros. Estou sendo egoísta agora. Quero que cuidem de mim. Preciso de um pouquinho de amor. Estou baixando as cortinas... meu show já acabou.

Mário Rogério Feijó
17.09.18

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

MERGULHO NO AMOR


MERGULHO NO AMOR

Diante do amor
Fico no alto da montanha
Apreciando o vale:
Sou um condor avaliando possibilidades

Algumas vezes o amor é assim
Ele nos mostra alternativas
Porque não dá para simplesmente
Abrir as asas e mergulhar de cabeça

Porém quando o amor acontece
Quando existe confiança
Solidariedade, companheirismo
Vale à pena ir fundo, mergulhar
E deixar o amor invadir você

É nestas horas
Que eu abro minhas asas
Apreciar a paisagem
E pulo da montanha sem sustos
Feito um condor que ganha a liberdade...

Mário Feijó
12.09.18

quinta-feira, 23 de agosto de 2018

SÉTIMO ANDAR


SÉTIMO ANDAR

Entre uma surra e outra
Eles faziam amor gostoso
“o que são dois dentes quebrados?”
Dizia ela para a amiga
Que a aconselhava a se separar

Ela no fundo achava
Que a amiga queria
Que ela se separasse
Para ficar com ele

E aquela mancha roxa?
Isto já nem dói mais
Disse ela pra sua mãe
Depois que voltou da separação

“ele garantia que ia mudar”
Acreditava ela piamente
Até o dia em que ele bebeu
E a empurrou do sétimo andar

Agora não tem mais manchas roxas
Ela ganhou asas branquinhas...

Mário Feijó
23.08.18

quarta-feira, 22 de agosto de 2018

AMORES VÊM E VÃO




AMORES VÊM E VÃO

Quando você para
De fazer tudo o que faz
Por aquela mulher
Que um dia partiu
Que dizia que lhe amava
Porém já partiu para outro
Fazendo tudo aquilo
Que antes fazia com você

Isto não é amor!
É pura obsessão!

Quando você continua
A viver sofrendo por este amor
Porém torce para que ela
Seja feliz com quem escolheu
Você também estará se amando
E um dia voltará a ser feliz

Isto sim é amor
Você estará se respeitando

Então tudo muda
Só depende de você
Para que a felicidade bata à sua porta
Porque você tem no peito esperança

A vida é cheia de oportunidades
E o amor vêm e vai...
Algumas vezes é eterno dentro do peito

Mário Feijó
22.08.18

sexta-feira, 17 de agosto de 2018

DIA DOS PAIS (É TODO DIA)





DIA DOS PAIS (É TODO DIA)

                Hoje eu acordei da minha solidão e lembrei-me dos filhos e netos. Não porque este dia era especialmente DIA DOS PAIS, mas porque faço isto todos os dias: lembro-me de todos a quem amei pela vida afora. Lembro-me dos meus pais, dos meus avós, tios e filho que já se foram, depois lembro dos que estão vivos e irradio a todos o amor que sinto por terem estado em minha vida.
Depois deste “acordar” pra vida procurei por alguma mensagem no celular que fizesse um destes seres lembrar de mim: nada. Só haviam mensagens de amigos me desejando um feliz dia dos pais, mas isto foi suficiente para levantar minha moral. Eu não dependo de ninguém para ser feliz.
Era pouco mais de sete horas da manhã e eu fui ao quarto do meu sobrinho (que veio morar comigo por uns tempos) para fazer um tratamento. Tenho um “coração de mãe”, pois além dos netos que já criei agora abri as portas para meu sobrinho-neto, entrei no quarto dele e disse:
- Tome seu remédio.
Ele: - Bom dia tio! Feliz dia dos pais.
Nem imaginava que ele pudesse saber em que dia estávamos.
A solidão algumas vezes dói demais. A minha não tem doido. O que me dói é a falta de amor.
Apesar de não gostar de ser só, gosto da minha solitude.
Gostaria de ter meu amor por perto, mas se não posso contento-me com o que tenho.  E sou feliz, dentro do possível, porque eu decidi que assim vou ser no tempo que ainda me resta neste planeta...
Feliz dia dos pais... todos os dias.

Mário Feijó
13.08.18  

quinta-feira, 26 de julho de 2018

OS SONHOS DE MARIA




OS SONHOS DE MARIA

Maria tinha sonhos de menina
Mas também tinha sonhos de amor
Maria pulava amarelinha
E tinha no corpo um ‘calor’

Maria fantasiava seus desejos
Dentro do peito uma flor
Por todo seu corpo cavalos saltava
Enquanto Maria sonhava

Há muito tempo não era menina
Mas isto já nem lhe importava mais
Porque o que Maria sonhava
Era com os olhos de um ‘certo’ rapaz

E nas noites solitárias Maria não dormia
Vivia somente a sonhar
Maria queria ter filhos
E com um homem que lhe desse um lar

Mário Feijó
26.07.18

segunda-feira, 23 de julho de 2018

QUE OS ANJOS DIGAM AMÉM




QUE OS ANJOS DIGAM AMÉM

Quando você orar
Pedindo por teus sonhos
Que os anjos digam amém

Sempre que você
Pensa em amor
E orar pelo bem de outrem
Que os anjos digam amém

Quando você pensar positivo
Vibrando na sua saúde
Na saúde de alguém da família
Ou na saúde de amigos
Que os anjos digam amém

Quando você pedir
Pela prosperidade da pátria
Ou orar pela paz mundial
Que os anjos digam amém

E sempre que houver amor em seu coração
Sempre que você fizer algo por seu próximo
Que os anjos digam amém
E que a luz recaia sobre você hoje e sempre

Mário Feijó
23.07.18

domingo, 22 de julho de 2018

DRAGÕES QUE DEIXAMOS VIVER




DRAGÕES QUE DEIXAMOS VIVER

O amor é construído
Em cima de muitas renúncias
Motivado por esperanças
Que se planejam a dois

Mas cadê meus sonhos?
Foram devorados dragões
Que nasceram na última lua cheia
Escapados da lança de S. Jorge

Agora me foge das mãos
O amor escorregadio
Que tu me oferecias

Sequei as lágrimas
Lixei os calos de meus pés
Que a estrada solitária
Forjou em minhas solas cansadas...

Mário Feijó
22.07.18

quarta-feira, 18 de julho de 2018

PARA ONDE FOI O AMOR




PARA ONDE FOI O AMOR

Ele ainda faz em mim
Ninhos de outrora
Mas eu sou agora
Ovos que já goraram

Filhos que jamais nascerão
Porque morreram
Numa estrada onde fomos
Perdendo-nos aos poucos

E agora me vejo
Naquelas nuvens
Que o vento empurrou
Para lugares longínquos

Será que ficaste cego
Dentro da tua própria ignorância
Ou fui eu quem cruelmente
Fui te matando aos poucos
Dentro deste ventre seco?

Mário Feijó
18.07.18