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domingo, 14 de outubro de 2018

DEPOIS DE TANTO TEMPO

DEPOIS DE TANTO TEMPO

ando meio perdido
colocando em sacos de lixo
trecos que acumulei vida afora
dentro e fora de mim
nem sinto mais meu coração
que não pulsa mais
ouço somente as ondas do mar
que batem ali na praia
nas janelas clama o vento
que me chama em gemidos fracos
enquanto a lua no céu
enche a minha vida de esperanças
saio do marasmo ao romper do dia
quando em cima do mar o sol desponta
então piso na areia fofa
e descubro que ainda estou vivo

Mário Feijó
14.10.18


SONHOS DESBOTADOS

SONHOS DESBOTADOS

ainda hoje eu me peguei
lembrando de ti
das coisas simples que fazíamos
passeando por ruas de Mar del Plata
e à noite indo até o Cassino local
para jogar um pouco nas máquinas e nos divertir
na época eram coisas bobas
mas eu lembro que era feliz
porque tu sempre me fazias sorrir
e eu via a felicidade que sentias
eu não sei quando isto se perdeu
e depois da tua tempestuosa partida
eu percebi que tudo o que tínhamos
era o que me bastaria para alimentar meus sonhos
agora eu já tenho outro alguém
muito diferente de ti
porém não temos tido tempo
para fazer as "coisas bobas" que fazíamos
não passeamos de mãos dadas
como eu e tu fazíamos
e os meus sonhos estão todos desbotados

Mário Feijó
27.09.18


quarta-feira, 19 de setembro de 2018

RETALHOS DA VIDA

RETALHOS DA VIDA


Cada um de nós traz histórias que se entrelaçam. Estamos sempre interagindo com familiares, amigos, conhecidos e até com desconhecidos.
Dia desses encontrei Sônia que me contou a história de David. Ela o descobriu todo sujo à beira do pântano. Queria ter filhos e pensou “este é meu filho”. Levou o menino pra casa. O bebê estava todo sujo de lama tinha uma cara redonda, encantadora. Ela pensou “é parecido comigo”. Quase nem chorava, parecia fraco e faminto. Deu-lhe um banho e foi vendo o “moreninho” desbotar. O menino era branquinho e tinha olhos verdes. Devia ter quatro ou cinco meses apenas. Isto aconteceu há quase sessenta anos. Não havia burocracia e as pessoas davam seus filhos como quem dá um bichinho. Nem precisou ir à polícia registrar o fato. Foi no cartório e registrou o menino como sendo seu. Ela já estava apaixonada pelo bebê. Sentia que sua alma o gerara... O menino chorava com fome, ela o alimentava com mamadeira, mas uma semana depois sentiu algo quente na blusa. Era leite, seu instinto materno fez seu organismo produzi-lo. Agora ninguém mais o tiraria dela. Lágrimas selaram aquele encontro...
Fátima estava quieta num canto, mas lembrou de sua infância pobre e nos contou que seus pais eram pequenos produtores e tudo que tinham tiravam da roça, em seu pequeno sítio. Todo o sustento da casa era obtido naquele pedaço de terra. A mãe preparava todos os alimentos com produtos do quintal. Ela fazia comidas gostosas: café, passava em um coador de pano num bule de barro estrategicamente colocado em cima do fogão à lenha; galinhas haviam no quintal e forneciam ovos e a carne de frango; os porcos forneciam a banha, torresmo, toucinho e, também a carne; tinham Mimosa, uma vaquinha, que dava o leite e que era o xodó de Fátima e dos irmãos. A mãe, prendada, fazia pão de casa, delicioso e quentinho todos os dias, junto com broas e roscas, mas o sonho de Fátima e dos irmãos era comer um daqueles pães que haviam nas padarias da cidade. Hummmm que delícia, comentavam. Fátima falou que comeria um bem grande de uma única vez. O irmão franzino um dia arrumou emprego na cidade e com o primeiro salário comprou vinte pãezinhos. Comeu todos em sua volta para casa, de uma única vez. Contou ele, em segredo, dizendo pra irmã: - eu ia trazer pra todos, mas fui comendo, comendo, comendo e quando vi acabaram.
Todos sonhamos com coisas grandes, porém Fátima e seus irmãos sonhavam com algo tão simples, fácil de ser obtido, tão barato, tão pequeno. Hoje, graças a Deus ela come todos os pãezinhos que quer.
No outro lado da sala estava Larissa (que chegara quando o grupo já estava reunido), toda coquete, falou que tinha um amigo, o qual adorava, mas que ele sofria pelos problemas familiares. Felizmente era casado e estava longe dos irmãos, mas não conseguia ser completamente feliz porque os três irmãos eram viciados. Aline, sua irmã mais nova tinha um bebê que deixava jogado e também o maltratava. Esta é a pior. Os outros eram somente o vicio. Roubavam o que podiam e já estiveram todos envolvidos com a polícia. Maurício era um rapaz com 32 anos; casado; 1,93 cm de altura; cabelos negros, feito noite sem luar; olhos verdes e só não se sentia completamente feliz por causa dos irmãos problemáticos. Falou com Larissa na tentativa de arrumar uma vaga para atendê-los no CAPS de Capão da Canoa.
Luciane, amiga de Larissa, estava deprimida por tantos problemas que via. Sua vida também não era um mar de rosas, ela se sentia deprimida e lutava há anos contra a depressão. Mas o que mais a entristecia era Taylla, uma vizinha, com 43 anos que era um demônio em corpo de mulher. Falou pra Larissa quem sabe arrumamos tratamento também pra esta moça.
A terapeuta Adriana disse: - pode trazer tua amiga. Nós a receberemos. Para amenizar a tarde e o encontro Adriana mostrou fotos de sua família “café com leite” nascida de um relacionamento que já dura trinta e dois anos. Só podia ser mesmo uma família feliz, pois ela é uma pessoa doce e encantadora que recebe seus pupilos como se fossem filhos seus...
São tantas as histórias de vida que o grupo nos trouxe, até que o gato Bolinha, de Maria José chegou bateu com a pata num vaso no centro da sala, derrubando-o no chão, molhando a todos que decidiram ir embora, molhados e respingados de flores, disfarçando as lágrimas...

Mário Feijó e o grupo de Adriana - CAPS
(histórias criadas pelo grupo num trabalho de terapia ocupacional onde sou voluntário. FOTOS: o grupo fazendo arte com material reciclável)

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

VIDA





VIDA (aldravia)

Espelho
Refletida
Todos
Os
Dias
Vida

Mário Feijó
17.09.18

O SHOW ESTÁ TERMINANDO





O SHOW ESTÁ TERMINANDO

                O tempo passa e nós vamos percebendo (e aprendendo) que é difícil viver, ao mesmo tempo descobrindo as delícias do viver.
Viver é como subir em um palco para fazer um show com muito amor e se divertir com o que estamos fazendo. Minha vida foi assim! Minha vida, ainda, é assim!
No entanto a experiência nos mostra que somos flores e toda flor tem seu ciclo de vida, ou seja: ser botão, desabrochar e depois murchar até morrer. Estou me descobrindo a murchar e não há o que fazer contra isto.
Olhando para trás percebo que não notei os outros ciclos, mas este último me fez cair todas as fichas e faço um balanço da minha vida como se estivesse a escrever um testamento, dando adeus. Não há mágoas em meu viver, mas há pesares porque minha vontade seria viver eternamente, porém o menino que mora dentro de mim não faz mais parte do meu corpo. Todos a quem amei se foram. Cada um cuida de sua vida: amigos, filhos, netos, parentes... Alguns partiram com mágoas injustas, outros com amor no coração, todavia todos sem “tempo”.
O que eu gostaria mesmo era de apagar feito vela soprada pelo vento, sabendo que iluminei enquanto havia amor alimentando aquela luz, enquanto havia vigor. Minha luz se apaga e não há o que fazer. O coração não é mais o mesmo. Os pulmões mal processam o ar necessário ao meu corpo. A coluna mal me sustenta, ou então reclama as dores deste corpo cansado. Sinto que estou indo embora... talvez não seja hoje ou amanhã, mas não tenho mais tanto tempo para construir rancores, mágoas ou sentimentos pequenos. Tenho lucidez, levo comigo só o que me sobra de amor.
Um dia quem sabe eu possa ser uma estrela na vida dos que me amaram. Não vale a pena chorar por mim, agora ou amanhã. Deixei meus sinais de amor por onde eu passei. Quem não viu é porque tinha seu olhar voltado para o outro lado, para outras coisas, ou para outras pessoas. Não lamento, portanto não lamente também.
Este é só um momento de reflexão para mim ou para você. Não veja este texto como algo depressivo, mas como um despertar. Há tempo para modificar tudo, basta que queiramos. Tudo é possível, basta querer.
Eu me reinvento a cada dia e quem sabe depois desta reflexão eu possa ressurgir das cinzas, das minhas próprias cinzas e viver mais alguns anos. Eu não gostaria de viver muito tempo, arrastando os pés, dando trabalho aos outros. Neste momento a única coisa que eu gostaria era ter alguém que me abraçasse e que me cuidasse. Estou cansado de cuidar dos outros. Estou sendo egoísta agora. Quero que cuidem de mim. Preciso de um pouquinho de amor. Estou baixando as cortinas... meu show já acabou.

Mário Rogério Feijó
17.09.18

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

MERGULHO NO AMOR


MERGULHO NO AMOR

Diante do amor
Fico no alto da montanha
Apreciando o vale:
Sou um condor avaliando possibilidades

Algumas vezes o amor é assim
Ele nos mostra alternativas
Porque não dá para simplesmente
Abrir as asas e mergulhar de cabeça

Porém quando o amor acontece
Quando existe confiança
Solidariedade, companheirismo
Vale à pena ir fundo, mergulhar
E deixar o amor invadir você

É nestas horas
Que eu abro minhas asas
Apreciar a paisagem
E pulo da montanha sem sustos
Feito um condor que ganha a liberdade...

Mário Feijó
12.09.18

quinta-feira, 23 de agosto de 2018

SÉTIMO ANDAR


SÉTIMO ANDAR

Entre uma surra e outra
Eles faziam amor gostoso
“o que são dois dentes quebrados?”
Dizia ela para a amiga
Que a aconselhava a se separar

Ela no fundo achava
Que a amiga queria
Que ela se separasse
Para ficar com ele

E aquela mancha roxa?
Isto já nem dói mais
Disse ela pra sua mãe
Depois que voltou da separação

“ele garantia que ia mudar”
Acreditava ela piamente
Até o dia em que ele bebeu
E a empurrou do sétimo andar

Agora não tem mais manchas roxas
Ela ganhou asas branquinhas...

Mário Feijó
23.08.18

quarta-feira, 22 de agosto de 2018

AMORES VÊM E VÃO




AMORES VÊM E VÃO

Quando você para
De fazer tudo o que faz
Por aquela mulher
Que um dia partiu
Que dizia que lhe amava
Porém já partiu para outro
Fazendo tudo aquilo
Que antes fazia com você

Isto não é amor!
É pura obsessão!

Quando você continua
A viver sofrendo por este amor
Porém torce para que ela
Seja feliz com quem escolheu
Você também estará se amando
E um dia voltará a ser feliz

Isto sim é amor
Você estará se respeitando

Então tudo muda
Só depende de você
Para que a felicidade bata à sua porta
Porque você tem no peito esperança

A vida é cheia de oportunidades
E o amor vêm e vai...
Algumas vezes é eterno dentro do peito

Mário Feijó
22.08.18

sexta-feira, 17 de agosto de 2018

DIA DOS PAIS (É TODO DIA)





DIA DOS PAIS (É TODO DIA)

                Hoje eu acordei da minha solidão e lembrei-me dos filhos e netos. Não porque este dia era especialmente DIA DOS PAIS, mas porque faço isto todos os dias: lembro-me de todos a quem amei pela vida afora. Lembro-me dos meus pais, dos meus avós, tios e filho que já se foram, depois lembro dos que estão vivos e irradio a todos o amor que sinto por terem estado em minha vida.
Depois deste “acordar” pra vida procurei por alguma mensagem no celular que fizesse um destes seres lembrar de mim: nada. Só haviam mensagens de amigos me desejando um feliz dia dos pais, mas isto foi suficiente para levantar minha moral. Eu não dependo de ninguém para ser feliz.
Era pouco mais de sete horas da manhã e eu fui ao quarto do meu sobrinho (que veio morar comigo por uns tempos) para fazer um tratamento. Tenho um “coração de mãe”, pois além dos netos que já criei agora abri as portas para meu sobrinho-neto, entrei no quarto dele e disse:
- Tome seu remédio.
Ele: - Bom dia tio! Feliz dia dos pais.
Nem imaginava que ele pudesse saber em que dia estávamos.
A solidão algumas vezes dói demais. A minha não tem doido. O que me dói é a falta de amor.
Apesar de não gostar de ser só, gosto da minha solitude.
Gostaria de ter meu amor por perto, mas se não posso contento-me com o que tenho.  E sou feliz, dentro do possível, porque eu decidi que assim vou ser no tempo que ainda me resta neste planeta...
Feliz dia dos pais... todos os dias.

Mário Feijó
13.08.18  

quinta-feira, 26 de julho de 2018

OS SONHOS DE MARIA




OS SONHOS DE MARIA

Maria tinha sonhos de menina
Mas também tinha sonhos de amor
Maria pulava amarelinha
E tinha no corpo um ‘calor’

Maria fantasiava seus desejos
Dentro do peito uma flor
Por todo seu corpo cavalos saltava
Enquanto Maria sonhava

Há muito tempo não era menina
Mas isto já nem lhe importava mais
Porque o que Maria sonhava
Era com os olhos de um ‘certo’ rapaz

E nas noites solitárias Maria não dormia
Vivia somente a sonhar
Maria queria ter filhos
E com um homem que lhe desse um lar

Mário Feijó
26.07.18

segunda-feira, 23 de julho de 2018

QUE OS ANJOS DIGAM AMÉM




QUE OS ANJOS DIGAM AMÉM

Quando você orar
Pedindo por teus sonhos
Que os anjos digam amém

Sempre que você
Pensa em amor
E orar pelo bem de outrem
Que os anjos digam amém

Quando você pensar positivo
Vibrando na sua saúde
Na saúde de alguém da família
Ou na saúde de amigos
Que os anjos digam amém

Quando você pedir
Pela prosperidade da pátria
Ou orar pela paz mundial
Que os anjos digam amém

E sempre que houver amor em seu coração
Sempre que você fizer algo por seu próximo
Que os anjos digam amém
E que a luz recaia sobre você hoje e sempre

Mário Feijó
23.07.18

domingo, 22 de julho de 2018

DRAGÕES QUE DEIXAMOS VIVER




DRAGÕES QUE DEIXAMOS VIVER

O amor é construído
Em cima de muitas renúncias
Motivado por esperanças
Que se planejam a dois

Mas cadê meus sonhos?
Foram devorados dragões
Que nasceram na última lua cheia
Escapados da lança de S. Jorge

Agora me foge das mãos
O amor escorregadio
Que tu me oferecias

Sequei as lágrimas
Lixei os calos de meus pés
Que a estrada solitária
Forjou em minhas solas cansadas...

Mário Feijó
22.07.18

quarta-feira, 18 de julho de 2018

PARA ONDE FOI O AMOR




PARA ONDE FOI O AMOR

Ele ainda faz em mim
Ninhos de outrora
Mas eu sou agora
Ovos que já goraram

Filhos que jamais nascerão
Porque morreram
Numa estrada onde fomos
Perdendo-nos aos poucos

E agora me vejo
Naquelas nuvens
Que o vento empurrou
Para lugares longínquos

Será que ficaste cego
Dentro da tua própria ignorância
Ou fui eu quem cruelmente
Fui te matando aos poucos
Dentro deste ventre seco?

Mário Feijó
18.07.18

segunda-feira, 16 de julho de 2018

ANJO PERDIDO



Tela de Joana Franko
ANJO PERDIDO

Tua vida
Era cheia de imbróglios
Embrulhos e mergulhos

Havia escadas
Que levavam a lugar nenhum
E todos os lugares
Tinham resquícios do passado

Ele continuava
Pela estrada escura
Porque estava cego
Não via luz e tampouco o futura

Tinha cheiro de culpa
O passado era podre
Modorrento e pobre
E ele só chorava, chorava, chorava

Mário Feijó
16.07.18

À PROCURA DA LUCIDEZ




À PROCURA DA LUCIDEZ

Algumas vezes eu me pergunto
Para onde foi aquela lucidez
Que habitava meu cérebro?

Dentro dos meus pensamentos
Agora moram insensatez e delírios
Por um amor que habita fábulas

Fui me perdendo nas florestas
Cavalgo agora em corcéis
Tão descerebrados quanto eu

D. Quixote onde estás?
Espere por mim na próxima esquina
Quero ir de encontro ao vento norte
Porque eu penso que pra lá foi minha lucidez

Mário Feijó
16.07.18

terça-feira, 10 de julho de 2018

FRUTO PROIBIDO




FRUTO PROIBIDO

Proibido
Fruto pecaminoso
És quase proibido
Um fruto muito gostoso

Na estrada
És fruto preso no pé
Ao lado de um fruto verde
Disfarça que não me quer

Maçã vestida de gente
Nuns dias pareces homem
Se te dou uma mordida
Diz que dói e já é mulher

Eu saio por campos correndo
Querendo teu fruto encontrar
E você sempre sorrindo
Estende os lábios para eu beijar

Mário Feijó
11.07.18

terça-feira, 3 de julho de 2018

LÁGRIMAS




LÁGRIMAS

Secaram-se todas as lágrimas
Pelo orgulho infrutífero
Parece que foi ontem
Que eu sentia o teu beijo quente

Lágrimas ainda rolam
Levando todo o teu cheiro
Que ainda restava em mim

Lágrimas lavaram todas as cores
Tiraram todos os aromas
Do teu perfume em meu corpo

Agora em desespero
Eu te procuro e não acho
Eu te abraço e só sinto o vazio
Eu respiro e os cheiros não lembram você

Mário Feijó
Carlos Diego
03.07.18

sexta-feira, 29 de junho de 2018

PRESENTE





PRESENTE
      
Diga que me ama
Quando estiveres bebendo algo
Beba com prazer
Como se estivesses
Engolindo pedaços de mim
Ao matar a tua sede

E quando olhares para o céu
E nele a lua estiver brilhando
Aspira o ar da distância
E te aproxima da lua
E um pouco mais de mim

Há espaços em tua vida
Para o amor que te dou
(amar nunca é demais, dizem)
E eu não ocupo tanto espaço assim
Quero apenas ser necessário
E presente em teus dias...

Mário Feijó
29.06.18   

QUEBRA-CABEÇAS




QUEBRA-CABEÇAS

A cada orgasmo
Que eu tinha
Tu arrancavas
Pedaços de minh’alma

Que ia se desmanchando no ar
Feito fumaça e fagulhas
Que saiam das fogueiras

Que subiam para o céu
Em forma de súplicas
Como se fosse uma oração

Éramos pedaços que se fundiam
Tipo um quebra-cabeças de mil peças!
- Achei algo de você que faltava em mim!
- Eis aqui um pedaço que te completa!

Fique é teu!
Dizíamos um ao outro...

Mário Feijó
29.06.18

terça-feira, 12 de junho de 2018

TESTAMENTO DE UM AMOR MORIBUNDO (Para ser lido antes que ele morra)





TESTAMENTO DE UM AMOR MORIBUNDO
(Para ser lido antes que ele morra)

Eu bem sei que esta é apenas uma data que acabou virando um momento comercial para o mercado vender mais. No entanto, eu gosto dela, por saber que tenho alguém para amar, e que mesmo distante é alguém que está na minha vida para me lembrar de que eu existo e que ainda estou vivo.
Tenho plena consciência de que somos dois. Dois iguais e tão diferentes.
Eu penso que você entrou muito tarde na minha vida, mas antes tarde do que nunca. E se tivesse entrado antes, minha vida seria outra, não como é agora, com filhos, netos e ex-amores, uns tão queridos outros idos para sempre. Eu não os teria vivido tão intensamente. Cada qual com sua característica própria. Penso que me aprimorei para ter você e para ser teu namorado, embora perceba que você ainda não aprendeu a ser o meu.
A vida é muito rápida e um amor nos ensina a ser melhores. Não é o dinheiro que nos molda, mas sentimentos sinceros. Viver esperando o melhor momento pode acabar com a magia deste amor (que me parece moribundo, por isto este testamento). Logo este amor que começou como uma grandiosa maratona e que agora esta se apequenando.
Não deixe o tempo passar para falar de amor. Não deixe a oportunidade passar para descobrir o quão importante é este amor que você dizia ser o ideal, descobriu, viveu intensamente e agora se acomoda sem nem ao menos mostrar o quão importante somos na vida um do outro.
Eu já pedi socorro, meus braços cansam-se se debatendo e penso que se realmente ainda sou importante pra você salve-o, salve-me da solidão, salve-se de correr atrás do “nada”. Quase joguei a toalha desistindo de tudo e hoje ressuscito-o neste testamento, para que o amor não morra, que ele sobreviva à rotina pela sobrevivência e à distância.
Neste dia dos namorados eu te convido para aportar comigo nesta “ilha deserta” metafórica e que nela possamos olhar mais um para o outro e menos para um futuro que a Deus pertence enquanto ainda estamos vivos, saudáveis e nos amamos. Não deixemos que nosso amor morra por falta de atenção, como tantos outros já morreram, para que não lamentemos quando um de nós por qualquer motivo venha a dizer: adeus!
Infelizmente a única coisa valiosa que eu te deixarei, se acaso me disseres adeus, é este amor que vai sobreviver dentro de mim, como os outros que eu já vivi.

Mário Feijó
12.06.18    

terça-feira, 5 de junho de 2018

QUE MUNDO É ESTE?





QUE MUNDO É ESTE?

Que mundo é este
Onde para todo lado
Para o qual olhamos
Acontecem desatinos

São crianças morrendo de fome
Países em que seus governantes
Matam a população
Numa guerra étnica ou religiosa

Se você ligar a TV
Não ouve uma poesia
Ouve notícias de assaltos
Tráficos e corrupção

Que país é este
Onde as pessoas não querem mais estudar
Porque é mais fácil roubar
E quem tem muito dinheiro fica impune...

Que país é este?

Mário Feijó
05.05.18

terça-feira, 29 de maio de 2018

GOTAS




GOTAS

Eu bebi
Gotas do teu sangue
Não lembro se
No café da manhã ou
Quando tinha delírios febris
No jantar da noite anterior

Eram gotas doces
Com gosto de frutas frescas
Colhidas nos pés descalços
Nos calos dos teus pés

Doeu em ti
Cada gota
Sugadas à exaustão
Num inverno suarento

Os dias eram tão claros
Despidos estavam de nuvens
Sopradas a todo momento
Pela gigante boca do vento

Mário Feijó
29.05.18


domingo, 27 de maio de 2018

QUEM DE NÓS DIRÁ: ADEUS?




QUEM DE NÓS DIRÁ: ADEUS?

Era apenas o vento
Que batia em minha porta
Que trepidava minha janela
Pensei que fosse tu chegando

Não... não era o teu calor
Que às vezes sem pudor
Dominava o meu corpo
Noutras se deixava dominar

Não... não era o vento
E eu no meio dos teus pelos
Por vezes me afundava em pesadelos

Chegaste outrora feito anjo salvador
Para depois covardemente desaparecer
Sem ao menos dizer adeus...

Mário Feijó
27.05.18

domingo, 20 de maio de 2018

FOME DE AMOR




FOME DE AMOR

O meu corpo treme
De frio e de paixão
                Solitário
Querendo que o teu corpo
Alimentasse o meu

Vejo o teu corpo
Como uma castanha
Que precisa ser quebrada
Para lá dentro encontrar
A semente que alimenta

É vital esta semente
Porque só ela me dará energia
Que matará a minha fome
Que me aquecerá do frio
Fazendo o meu corpo tremer
No prazer da tua carne
Que saciará a minha fome

Mário Feijó
20.05.18

AMAR NÃO BASTA




AMAR NÃO BASTA

É preciso companheirismo
Para que o amor sobreviva
Amar, somente amar, não basta!
O amor não sobrevive à solidão

Amar e se esconder
É criar um castelo de areia
Que desmorona ao primeiro vento
Que desaba na chuva

O amor não é utopia
Ele exige parceria
O amor pede afagos
Carinhos e também abraços

Quem ama joga tudo para o alto
Confia e decide ser feliz
Só assim o amor sobrevive

Mário Feijó
20.05.18

AMOR DE PAPEL


AMOR DE PAPEL

O teu amor
É um amor de papel
Ele rasga fácil
Some fácil
Queima fácil

É água que não consigo
Reter entre as mãos
Que escorrega pelos dedos
E desaparece nos bueiros

É um amor que some
Feito a fumaça das chaminés
Uma primeira chama acesa
E que se apaga ao primeiro sopro

Amor de papel fino
Que some no fogo
E no jogo da vida
Porque é um amor de papel

Mário Feijó
20.05.18

sábado, 12 de maio de 2018

NÁUFRAGO




NÁUFRAGO

No reflexo do sol
Brilha a luz do teu coração
Pedindo socorro
Quase naufragando no horizonte

A gaivota corre assustada
A garça recolhe sua saia branca
Na da praia da praia
Ficando apenas um véu de espuma

E o teu coração apenas pulsa
Fraco dói dentro do peito
Como se fosse explodir num infarto

O dia é um esplendor
Luzes pipocam sobre as ondas
Sinais do pedido de socorro
Daquele que naufraga distante

Mário Feijó
12.05.18

terça-feira, 8 de maio de 2018

ALMA ÁRIDA





ALMA ÁRIDA

Sem flores
Sem beijos
Sem sonhos
Sem desejo

O mato crescia naquela alma
O coração parecia
Que estava cheio de erva daninha
Que a tudo destruía

Machucando o peito
Em ritmo descompassado
A culpa era um câncer
Destruindo aquela vida

E em alguns minutos
Ele escancarou a janela
Para depois sumir
Na estrada deserta

Mário Feijó
09.05.18

sexta-feira, 27 de abril de 2018

ARTHUR ARTEIRO




ARTHUR ARTEIRO

Ele corre pela casa
Fazendo artes na parede
Risca, pinta e se esconde
É hora de praticar
Os exercícios da escolinha

Arthur nem sabe se quer
Ser artista, alpinista, médico ou desenhista
Olha para o mar e pensa
Quem sabe serei surfista

Quiçá o rei deles
Nome de rei ele já tem
Artista ele deixa para o irmão: Caetano
Afinal ele tem nome de Cantor famoso

Enquanto isto sem muita preocupação
Arthur pega a mochila e corre pra creche
Está na hora de ir brincar
Porque ninguém é de aço
Só a espada que na vida um dia irá empunhar

Mário Feijó
27.04.18



domingo, 22 de abril de 2018

O MUNDO ENCANTADO DE MOANA




O MUNDO ENCANTADO DE MOANA

Com apenas quatro meses de idade
Moana fica quietinha
Quando seus pais – Tatiele e Ivan
Folheiam seu primeiro livro

E a menina conversa
Como se quisesse contar a história
Daquele mundo encantado
Que ela descobrira dentro da barriga da mãe

Nada fala
Porque ainda não sabe falar
Mas sonha
Como se continuasse dentro do ventre

A mãe – professora –
Conta-lhe histórias reais
Outras apenas fantasiosas
E Moana encanta-se com o mundo que descobre

Mário Feijó
22.04.18

quarta-feira, 18 de abril de 2018

ADEUS ÀS BORBOLETAS





ADEUS ÀS BORBOLETAS

Eu plantei flores em meu jardim
Queria ter borboletas nele
Dentre elas havia amores-perfeitos
Alguns girassóis e uma ou outra rosa

Até que certo dia vi uma lagarta
Ingênuo, mal sabia
Que aquelas bichas feias
Eram futuras borboletas

Metamorfose – disseram –
Esperei para ver
De repente vi só uma casca seca

A borboleta já tinha ido embora
Restou-me a ilusão
De tê-la em meu jardim
Certamente não gostou das minhas flores

Mário Feijó
18.04.18  

segunda-feira, 16 de abril de 2018

O AMOR EXISTE?




O AMOR EXISTE?

Passei a vida inteira
Correndo atrás de sonhos
Perseguindo o amor

Algumas vezes me iludi
Poucas vezes enganei alguém
Ainda penso que não se deve
Brincar com os sentimentos dos outros

E por ser um romântico incorrigível
Fui atropelado por pessoas
Que trocavam amor por sexo

E nesta brincadeira fui usado
Para depois ser dispensado
Noutras vezes fui tão explorado
Que estou em dúvidas se o amor existe

Mário Feijó
16.04.18

POR DETRÁS DAQUELES VIDROS EMBAÇADOS





POR DETRÁS DAQUELES VIDROS EMBAÇADOS

Por detrás dos vidros embaçados
Corre a Serra Geral  apressada
Para logo descansar na cidade de Osório

O vento que antes varria as ruas da cidade
Levantando as saias de moçoilas pudicas
Hoje abastece a cidade com energia
Aquecendo no inverno ventilando no verão

A montanha serpenteia esverdeada
E ali ganha o título de Morro da Borrússia
Onde homens alados voam contra o vento
E borboletas coloridas se espalham no caminho

Naquele sábado o dia estava
Pintado de gris e o céu
Que normalmente era celeste
Tinha perdido suas cores

Enquanto isto numa sala
Poeticamente decorada borbulhava com sonhos
De intelectuais que pediam consciência cultural
Que os políticos teimavam em sufocar

Mário Feijó
14.04.18  

domingo, 1 de abril de 2018

SEM CORAÇÃO




SEM CORAÇÃO

Algumas pessoas fazem da vida uma brincadeira
Não têm responsabilidade pra nada
E vivem a brincar com os sentimentos
De outras pessoas

Isto é quase uma crueldade
É como pegar uma criança
E soltar num campo deserto
A criança ficará perdida

Nossos sentimentos merecem respeito
E cada qual quer ser respeitado pelo que é
Pelo amor que temos à vida
E nas relações que vivemos com outros

Não dá para viver sem amor
Não dá para viver sendo enganado
Não dá para ter uma base falsa para pisar
Caso contrário afundamos em um lodaçal

Mário Feijó
01.04.18