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domingo, 12 de novembro de 2017

POR QUE SERÁ?






POR QUE SERÁ?

Por que será
Que eu te quero
E você passa batido
Pelo meu desejo

Eu e implorei amor
E você diz que é tara...
Fui embora feito cão
Quando perde sua cadela no cio
Para toda a matilha

Por que será
Que o meu amor
Não te interessa?
Meu tempo passou?
Tu és flor que desabrocha?

Mário Feijó

12.11.17

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

À PROCURA DE MIM




À PROCURA DE MIM

Eu não vejo mais
A luz do fim do túnel
Tudo está escuro
E na escuridão me perco

Eu te vejo navegando
Para longe de mim
E no escuro da noite
Teus abraços onde não sei

E como se fosse
Um rio caudaloso
Tudo o que era nosso
É levado embora

O céu estrelado me diz
Siga em outra direção
E procure por você
Deixe que os outros se percam...

Mário Feijó

09.07.17

AMOR DESBOTADO




AMOR DESBOTADO

Você diz que me quer
Porém o que deveria ser
Uma boa notícia
Parece flor de plástico

Flores de plástico são falsas
Podem parecer tão belas quanto
Mas cheiram a plástico
Não atraem abelhas

E eu quero o mel
Eu quero flores com pólen
Eu quero corolas coloridas

O teu amor é uma flor
Sem aroma, sem vida
De plástico e que o tempo
Vai desbotando...

Mário Feijó

09.11.17 

terça-feira, 31 de outubro de 2017

UM AMOR FORJADO PELO TEMPO





UM AMOR FORJADO PELO TEMPO

Desde que nos conhecemos
Houve um amor entre nós
No início a desconfiança
Afetava nossa relação

Dezenove anos depois
Tenho 83 anos era hora de partir
A vida havia se tornado cansativa
Era tempo de novas aventuras
Por outros planetas, outras galáxias

Nosso amor fora forjado pelo tempo
A Terra era um planeta escuro
E eu precisava de luz
Precisava dispensar teus cuidados

Sempre tive medo do escuro
E neste momento em que me torno luz
Parto em busca da evolução
Enquanto aguardo o dia em que me encontrarás...

Mário Feijó

31.10.17

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

O PRAZER DE VIVER





O PRAZER DE VIVER

        Eu sinto que somos muito mais que um corpo. Não somos apenas um universo hospedeiro de bactérias, fungos e vermes. Nossa essência está no que somos, não no que temos.
        E o que somos vai além deste mundo e da nossa concepção de universo. Quando Deus disse que nos fez sua imagem e semelhança não falava de corpo físico.
Acredite ou não somos deuses porque somos parte deste Deus Maior que habita o cosmos, não neste mísero planeta chamado Terra, em vias de transformação. Aqui nos damos ao desfrute, ao desfrute de experimentar, de sentir, de poder, de ser, de ter e de nada ter.
O prazer nos leva a fazer viagens. Alguns acham-no na comida, outros no sexo, outros no jogo, nas drogas, na maldade, em querer possuir, de um jeito ou de outro para ter poder porque o poder também dá prazer. E que não souber usá-lo torna-se um tirano.
Há luz em todos os aprendizados e todos caminham, uns para a evolução outros para trás porque não souberam lidar com o prazer de viver.

Mário Feijo

29.10.17

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

DEVOLVAM MEUS SONHOS




DEVOLVAM MEUS SONHOS

Ando vazio de sonhos
É que os conceitos atuais
Não são mais os mesmos
De algum tempo atrás

A justiça não é mais justa
O amigo não está conosco
Até debaixo d’água

A palavra não tem mais valor
Os maiores ladrões juram honestidade
E são respaldados
Por quem deveria condená-los

Os filhos deixaram de respeitar os pais
As pessoas não confiam mais nas outras
Não existem mais mulheres de vida fácil
A vida fico difícil pra todo o mundo

Ninguém mais vai para a escola para aprender
Os professores deixaram de ser mestres
Ninguém mais brinca nas ruas
As nossas casas são nossas prisões

Quem pode sonhar com um mundo melhor
Vendo tantos desmandos?
O Estado virou uma loba
Que amamenta qualquer cordeiro
Por isto eu quero meus sonhos de volta...

Mário Feijó

24.10.17

terça-feira, 17 de outubro de 2017

SERES DE TODOS OS MUNDOS




SERES DE TODOS OS MUNDOS

Nós já fomos tão pequenos
Muito menores do que grãos de mostarda
E mesmo tendo ocupado espaços
Ainda somos muito pequenos no universo

Um dia pólen
Somos jogados
De um lado para o outro

E o vento nos sopra
Para lugares tão distantes
Pós do universo é o que somos
E um sopro de vida nos habita

Alma que vai de um mundo ao outro
Numa eterna busca de desenvolvimento
Caminhamos pelas galáxias
Somos seres de todos os mundos...

MÁRIO FEIJÓ

17.10.17 

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

A PAZ DO TEU CÉU



A PAZ DO TEU CÉU

Eu amo estar no teu céu
Onde não existem estrelas
Onde não existe mar
Porém é nele que realizo sonhos

Os teus beijos me elevam às alturas
A tua pele é onde encontro rios
Que banham o meu corpo
Nas águas que ali pulsam

Eu bebo do teu desejo
Saciando minha fome
De ver lua e estrelas
Nosso amor do dia a dia

Eu quero os campos floridos
O canto brejeiro do sabiá
O ninho do joão-de-barro
Para entregar a ti em paz

Mário Feijó
16.10.17



sábado, 14 de outubro de 2017

UMA CASA DE SAPÊ




UMA CASA DE SAPÊ

Era uma simples casinha
Em que o material usado era o sapê
E quem lá pousasse os pés no chão
Sentia o coração pulsar de emoção

Haviam cobertores
Todos muito finos
Onde pulgas faziam morada

Não se lastimava – era feliz!
Na porta ao lado dormia Felicidade
Que tinha na pele
O cheiro de alfazema

Pela casa inteira o cheiro de café fresco
Ela mastigava algo
Numa boca risonha desdentada
Por isto tinha um sorriso frouxo

O seu mundo era ali
Foi ali que construiu sonhos para a vida inteira
E quando deixou de ser menino meninou-se
Para voltar a morar dentro daquela casinha

Mário Feijó

14.10.17

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

A GENTE SE ACHA...



A GENTE SE ACHA...

Algumas vezes a gente se perde
No meio de outras pessoas
Dentro de uma grande cidade

Noutras nos perdemos na selva
Há os que se perdem em vícios
Nas drogas, nos jogos de amor
Ou nos jogos de azar

Ontem eu me perdi
Em teu corpo
Em teus braços
Nas tuas coxas

Agora sozinho eu me perco
Entre lençóis e cobertas
De uma cama fria e carente
Que como eu espera por ti

Mário Feijó

13.10.17

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

ABRIRAM AS PORTAS DO INFERNO?



ABRIRAM AS PORTAS DO INFERNO?
Há tantas dores no mundo
Algumas tão visíveis
(Mas ninguém vê )
Outras invisíveis e que só
Quem as sente percebe
Dores de amores
Dores de desprezo
Dores de abandono
Dores de solidão
Quais os remédios que as curam?
Quais as soluções para tantas tristezas?
Quem amará nossas crianças abandonadas?
Quem abraçará nossos velhos solitários?
De onde virá a cura para tantos males?
Onde acharemos solução para tanta ganância?
Como puniremos tanta desfaçatez?
Como puniremos tanto cinismo e cobiça?
O cínico mente e o povo acredita
O ladrão dilipida o herário público
Como se fosse seu e o ignorante
Transforma em ídolo ladrões
Que nada viram e de nada sabem
Eu tenho medo do que vejo
Parece que abriram as portas do inferno
Vamos pensar no amor
E orar para que o Criador nos redima
E que queimem no inferno os que não amam
Mário Feijo
04.10.17

QUANDO A GENTE AMA



QUANDO A GENTE AMA

Algumas vezes
Por medo da solidão
Ou por insegurança
Nos condenamos a uma vida triste

E por medo de amar
Por medo de ser ridículo
Sim! Ridículo porque o amor
Muitas vezes parece ridículo

E quando a gente ama
Abre um sorriso na cara
Canta na chuva
E tudo parece lindo demais

É que o amor nos faz otimistas
Faz a gente sonhar, fazer planos
E mandar às favas
A opinião alheia...

Mário Feijó

12.10.17

sábado, 7 de outubro de 2017

AMOR QUE ARREBATA


AMOR QUE ARREBATA

Açucena é uma linda flor
Mas poderia ser nome de mulher
E para beber um copo de leite
É o nome desta flor-mulher

Rosa, dizem ser, a rainha das flores
Amo Rosa, minha amiga de faculdade
Tive Margarida como sogra (megera)
No entanto margarida é uma mimosa flor

Orquídeas são um encanto
Há uma infinidade delas na casa e no quintal
Da minha tia Lourdes que ama flores
Num chão onde tudo floresce

Tão simples catita cativa
Perfumes de céu azul
Calor extraído do amor
Em cores que arrebatam

Mário Feijó

07.10.17

sábado, 23 de setembro de 2017

O AMOR NOS SALVOU



O AMOR NOS SALVOU

Desde o momento em que eu te vi
Minha vida ganhou luz e cor
Tu abriste todas as minhas portas
E as janelas que davam para a felicidade

O amor nos salvou da escuridão
O amor veio nos ventos
O amor chegou nas brumas do mar
O amor desabrochou na primavera

E agora nas asas do vento
Nas entregamos à felicidade
Atemporal o amor nos envolveu
No tempo em que existimos

Sei que esperava por ti
Enquanto a vida passava lentamente
Eu estava aqui perdido
E foi assim que o teu amor me encontrou

Mário Feijó

23.09.17

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

MISTÉRIOS DA VIDA



MISTÉRIOS DA VIDA

Todos os dias eu me surpreendo
Com os mistérios da vida
Com as surpresas que temos...
Há muitas perguntas
E nenhuma resposta
Porque eu acredito
Em forças sobrenaturais
Que nos regem...
Acredito na energia do sol
Na força dos astros
No magnetismo do mar
E reverencio ao Deus
Que existe por trás de tudo isto...
Há mistérios ocultos na vida
Há perguntas na velhice
E respostas nos sorrisos das crianças
Há amor no desabrochar de uma flor
Há energia no crescimento de um fruto
Há perguntas no soprar dos ventos
Há respostas no desatino dos furacões
Há demônios disfarçados dirigindo nações
E anjos perdidos pelas ruas
Basta abrir os olhos...
Não podemos desistir do amor
Há poder na fé e nas orações
Temos que nos unir para nos proteger
Temos que praticar bons sentimentos
Não apenas cheirar as flores
Mas agradecer aos frutos que elas nos dão
Agradecer aos ventos que espalham vida
Pedindo que eles não se tornem furacões
Que a luz da vida
Não seja apenas a luz do sol
Mas a luz que irradia de nossos corações...

Mário Feijó

13.09.17 

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

MIL E UMA FORMAS DE AMAR




MIL E UMA FORMAS DE AMAR

Há muitas maneiras de amar
Para começar eu prefiro
Sempre a verdadeira:
Amor-amor
Amor-amigo
Amor-família
Amor-irmão
Amor-obrigação
Este último não me parece
Ser um amor verdadeiro
É um amor dependente
É o amor de quem ama
Porque deve algo
Porque quando algo fazemos
Não devemos esperar nada em troca
Na devemos esperar pagamento depois...
Amigo que diz que ama
E quando falamos a verdade
Logo fica de “mal” então, eu penso,
Este não deve ser um amigo verdadeiro...
Amor filial que quando
Não ganha mais dinheiro
Deixa de amar nasceu em lugar errado
Eu peço a Deus que o mundo o eduque...
Devemos sempre fazer o bem
Sem olhar a quem e nunca
Esperar nada em troca...
Há em mim uma felicidade
Em dar amor a alguém
Porque o amor se multiplica
No próprio gesto de amar...
Há sim muitas maneiras de amar
E que cada um encontre a sua
Sem esperar que o outro
Venha a lhe fazer algo em troca
Isto é evolução: nunca esquecer de amar!

Mário Feijó

11.09.17

domingo, 3 de setembro de 2017

INDEFECTÍVEL



INDEFECTÍVEL

Indecifrável
Indesejável
Indeciso
                Perdido

Sem saber para onde correr
Sabendo o que quer
Porém não consegue
Decidir o quer ser

Indefectível era o desejo
Indesejável era aceitar
Socialmente indeciso
(Perdido), na opinião dos outros

Um dia com cabelos prateados
Descobriu que a felicidade
Era tudo o que mais importava
Decidiu abrir os braços e amar

Mário Feijó

03.09.17

sábado, 2 de setembro de 2017

OS BRUTOS AMAM?




OS BRUTOS AMAM?

Homens são brutos
Homens dirigem a 100km/h
Em locais que limitam
A velocidade a 40km/h

Homens são violentos
Eles agridem
Eles se agridem
Para depois refletir

Homens não se preocupam com a saúde
Pensam que serão eternos por aqui
Homens têm medo de demonstrar
Suas fragilidades, amor, carinho

Homens são machos
Que pensam tudo poder
Empinam suas motos como se fossem pipas
E por serem irresponsáveis
Morrem primeiro que suas mulheres

Mário Feijó

02.09.17 

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

VISITA



VISITA

Ontem à noite
Enquanto tu dormias
Eu ouvia teus passos
Dentro de minha casa

Bateste às portas
Abrisse janelas
Estava ali tua alma
Só pra me visitar

Eu que acredito em Deus
Que acredito que somos espíritos
Pensei “deves estar com muitas saudades”
Para ter vindo me visitar

E orei para que
Continues bem vivo
Para que logo eu te abrace
No corpo que tens neste mundo

Mário Feijó

21.08.17

O AMOR É UM “CUIDAR” DO OUTRO



O AMOR É UM “CUIDAR” DO OUTRO

Amar é ‘cuidar’ do outro
Não importa a distância
Mesmo longe estamos perto
Basta querer...

É ter pelo outro
O carinho que a abelha
Tem com a flor

Há ali vida
Há ali sentimentos
Há ali necessidades múltiplas

E se você cuida de mim
Eu cuido de você
E na fragilidade da flor
Percebe-se a fragilidade do amor...

Mário Feijó

21.08.17

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

NÃO TE ESCONDAS



NÃO TE ESCONDAS

Nada é melhor
Do que você em meus abraços
Por isto eu peço
Por favor não te escondas

Não te escondas de mim
Nem tampouco de ti
Ou até mesmo da vida

Não te escondas
No perfume das flores
Não te escondas
No vento que me enlaça

Eu te quero, bem sabes,
Sem subterfúgios
Quero o teu corpo, tu’alma
Por favor, venha! Venha pra mim agora


Mário Feijó

18.08.17

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

A FESTA DE ANIVERSÁRIO (CONTOS)





A FESTA DE ANIVERSÁRIO (CONTOS)

                Carol estava feliz. Tudo em sua vida estava correndo da melhor forma possível. O filho cada dia ficava mais gracioso e já murmurava as primeiras palavras. Seu casamento com Pedro era um sonho concretizado e tudo se mostrava melhor na vida compartilhada a dois, do que antes já vivera.
Seu aniversário estava próximo, seria no mês de setembro e queria fazer uma grande festa para reunir os amigos e parentes. Seria a prova da sua superação depois de tantas perdas, mas principalmente porque ela transbordava felicidade. Pensou num churrasco e só de pensar já sentia o cheiro, coincidentemente os vizinhos faziam um e o cheiro chegava até ela. Começou a salivar, pensando nisto. Falara com Ana e já encomendara uma torta de abacaxi com recheio de leite condensado e coco.  Os 500 docinhos, falou com D. Rita, pediu desde brigadeiros a olho de sogra. Mas pensou também em encomendar 500 salgados. Afinal de contas eram todos os amigos e a família.
Tudo estava planejado com esmero e antecedência, o salão de festas estava reservado, ali mesmo no condomínio, afinal moravam em um condomínio fechado de primeira classe.
De repente sentira um arrepio, era o tempo mudando e a friagem entrava pelas frestas. Saiu para fecha-las antes que apanhasse um resfriado. Não queria adoecer e que algo saísse errado logo agora que estava tão perto da data.
Enquanto andava pela casa fechando as portas e janelas, sua cadelinha Lili, uma poodle micro-toy corria atrás dela mordendo a calça moletom que usava naquele momento, brincando e latindo querendo fazer festas.
Enfim chegara a data. O tempo havia esquentado. Já era quase primavera e aquele inverno não fora rigoroso. As árvores começavam a florir e no ar havia um perfume de flores que o vento suave se encarregava de espalhar pelo lugar e pela cidade.
Pedro percebia a sua felicidade e argumentava a si mesmo que jamais fora tão feliz. Jamais havia pensado que a vida de casado seria tão boa, como a sua estava sendo. E, depois da adoção do filho tudo ficara ainda melhor. Ele não media esforços para ajudar a esposa e colaborava com tarefas domésticas como trocar a fralda do filho, dar banho e colocar novas roupas na criança. Ajudava também com o asseio da cozinha e vez ou outra fazia um prato especial para o final de semana ou para uma determinada noite, quando abriam um bom vinho e papeavam sobre a vida e o trabalho. Tinham que se cuidar, pois ambos acabaram ganhando peso depois do casamento. Pensou “tenho que malhar um pouco mais”.
Doze de setembro! Chegou o grande dia para Carol distribuíra mais de cem convites pessoalmente e fez outros pelas redes sociais. Quase uma centena delas havia chegado. Viu que poucos faltavam.
No pátio havia um toldo onde um D.J. tocava músicas da atualidade e muito dançantes. Haviam combinado que depois ele faria uma sessão só com músicas dos nos setenta e oitenta, com os sucessos mais marcantes. Música boa de uma época boa, dizia Carol.
Naquela noite ela estava esplendorosa, seus olhos azuis sobressaiam no rosto, realçados pelo vestido de cetim com a mesma cor. Sobre os ombros usava um chalé branco. Pedro a admirava, entre embevecido e apaixonado.
A festa prometia ir até altas horas e enquanto tivessem convidados eles estariam ali com os amigos. O filho pequeno ficara na casa com uma babá...

Mário Feijó

17.08.17 

terça-feira, 15 de agosto de 2017

DIA DE SOL




DIA DE SOL

Nada é melhor
Que depois de dias de chuva
Dias fechados e frios
Um dia de sol

Acordar com você
Dentro do meu peito
(mesmo estando longe)
Sentir o teu corpo cheio de vida
E em devaneios entregar-me ao amor

Parece que o sol nos sorri
As nuvens somem todas do céu
O infinito fica completamente azul
(dizem que azul é a cor do amor)

No campo as flores se abrem
Os pássaros gorjeiam alegres
Como se a primavera já chegara
Efeito do amor, efeito dos dias de sol

Mário Feijó

15.08.17

sábado, 12 de agosto de 2017

DOCES LOUCURAS



DOCES LOUCURAS

Doces loucuras
São aquelas
Que fazemos
Por amor

Surpreender o outro
Com gestos de carinho
Beijos inesperados
Pequenos presentes

Fazer amor dentro do mar
Correr se roupas no campo
Amar dentro do carro
Em algum lugar deserto

Acordar com café na cama
Amar na hora do banho
Provocar lascívia
Beijando o corpo amado

Doces loucuras
Feito o vento que desnuda a flor
Feito a chuva escorrendo no rosto
Como se fosse felicidade derretendo

Mário Feijó

12.8.17

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

VOANDO



VOANDO

Talvez por insegurança
Tudo o que eu mais queria
Era ser por um só momento
Eterno

Eterno no amor
Eterno pra você
Eterno na memória de alguém
Para depois voar pelo cosmos

Eu poderia me perder no tempo
E dentro dele ser atemporal
Para voltar ao início de tudo
Agora que percebo minha finitude

O meu corpo nunca foi candidato
A ser algo eterno
E bem sei que sou, feito todos,
Candidato a ser pó no universo

Mário Feijó

11.08.17 

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

AS CONTRADIÇÕES HUMANAS




AS CONTRADIÇÕES HUMANAS

Por que será
Que as pessoas
Que dizem nos amar
São as que mais nos mentem?

São as que mais nos abandonam
Quando precisamos delas
Quando adoecemos
Ou quando ficamos velhos?

Justo nós que lhes dedicamos tempo
Quando ainda eram jovens
Que vivem em nossa memória
Desde o momento em que entraram
Um dia em nossas vidas

Alguns têm o nosso amor eterno
Outros apenas passaram como ex-amores
E alguns que se diziam amigos
Eu já tive amigos mais sinceros

Por isto sempre penso
Por que será que as pessoas
Que sempre nos juram amor
São as que mais nos mentem?

Mário Feijó

07.08.17

sábado, 5 de agosto de 2017

AVE CESAR!



AVE CESAR!

Bendito és tu
Entre os seres da terra
Tu que foste concebido
Em nome do amor
E que agora enches o lar
De teus pais e avós
Numa grande energia de amor

Ave Cesar
Um pequeno anjo
Que parece não ter asas
Mas que com sua energia
Protege aos que te rodeiam
Nesta aura de luz
Que agora nos trazes

Bendito sejas tu
Entre tantos pecadores
E que contigo venha muita luz
E muita paz para aqueles
Que irão te rodear
Velando para que sejas
Um ser abençoado
Agora entre os homens e mulheres
Que habitam este planeta...

Mário Feijó

05.08.17

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

ASAS QUE EU NUNCA TIVE



ASAS QUE EU NUNCA TIVE

Era tão grande a dor
Que parecia subir
Pelas pernas de minh’alma
E chegavam às asas
Que eu nunca tive

Amoleciam meus pensamentos
Que eram feitos apenas de nuvens
Carregadas agora no sopro do vento

E eu fui desmaiando meu corpo
Como quem tem uma brisa
Descoberta soprando distante
E eu estivesse ali no relento

Nem sorrir eu sorria
Apenas lamentava as dores d’alma
Como se elas morassem eternas
Dentro dos ossos do meu corpo

Mário Feijó

03.08.17

DEDICATÓRIA A UM LIVRO

DEDICATÓRIA A UM LIVRO

Este livro é meu
Tão meu
Que não empresto
Não vendo e não dou

Ele é um sonho realizado
E que depois de concreto
Não me deixou acordar

É apenas um livro de poemas
Um tesouro que sempre me encanta
E que me leva a fazer viagens

Não o pegue
Não o toque
Não o folheie
São meus sonhos que nele vivem

Mário Feijó
03.08.17


P.S. texto que dedico a um livro de poemas de Mia Couto, Poemas escolhidos. Cia das Letras. 2016.

segunda-feira, 31 de julho de 2017

DELÍRIOS POÉTICOS




DELÍRIOS POÉTICOS

“Só uma parte da existência cabe num poema.
A maior parte esbarra no muro das palavras
e permanece do lado de fora”
José Castello
In: COUTO, M. Poemas Escolhidos.  1ª. Ed. São Paulo : Cia das letras 2016

O poema é um delírio
Um momento de beleza
Em um instante de loucura
Na vida de um poeta

Ele (o poeta) tem os olhos
Que enxergam além do físico
Porque enxerga com olhos d’alma

Vê os encantos da vida
Na natureza das coisas
Nos eventos de cada sentimento
Na extensão de cada um

As palavras pouco dizem
O todo que o poeta vê
Em um mundo no qual
Ele é apenas o agente do sentir

Mário Feijó

31.07.17

DIA DO ESCRITOR




DIA DO ESCRITOR
Não pense você que só aqueles que têm livros escritos são escritores, mas todos aqueles que escrevem cartas, bilhetes, pequenos poemas, historiadores, pesquisadores são escritores.
É importante que registremos para a posteridade histórias que nos envolvem e que envolvem nossas famílias. Boas ou más histórias, mas eventos diários. Por isto é importante que não deixemos estas memórias morrerem e assim nos tornarmos eternos... imortais.
A todos os meus amigos escritores que estão na minha estante, a todos os meus amigos escritores, a todos os que vivem comigo histórias que morarão na minha memória ou que contribuem para a história da humanidade o meu carinho agradecido... Torne-se um escritor... escreva sempre e se possível leia-nos...
Mário Feijó
25.07.17

domingo, 30 de julho de 2017

LAMÚRIAS DE AMOR



LAMÚRIAS DE AMOR

Algumas pessoas
Procuram o amor
E quando encontram
Não satisfeitos
Continuam a procurá-lo
Em outros...

E quando perdem
Aquele amor que tinham
Por não saberem dar valor
Ficam a dizer que sofrem
Por não serem compreendidos...

Mário Feijó

30.07.17

segunda-feira, 10 de julho de 2017

A ENXURRADA

A ENXURRADA

“Restou a nós ficar olhando o vale arrasado. A chuva destruiu nossas plantações, levou toda a criação de animais domésticos, inclusive as duas vaquinhas que tínhamos”.
Este foi o relato da mulher, ao repórter que a entrevistava, no mês de junho passado, numa cidade do interior do Rio Grande do Sul, próximo ao Rio Uruguai, no sul do estado.
O casal desolado estava no alto do morro apreciando o volume das águas que não parava de subir. A mulher estava grávida havia sete meses, e no colo tinha mais um menino com pouco mais de um ano. Eram felizes, afirmara.
Simples, porém felizes e agora estavam desolados porque a única coisa que lhes restara foi a terra. Não sabiam o que fazer para recomeçar. Teriam que esperar as águas baixarem. Quase dois dias depois, o volume dos rios no Estado começou a baixar.
Quinze dias depois o volume dos rios no Estado começou a ficar normal. Houve lugares onde a água subiu 11 metros acima do normal. A comunidade empobrecida, das zonas rurais, começou a receber ajuda de outros municípios e até de outros estados. O poder público prometeu e não cumpriu, nem a ajuda de 2015. Agora em julho de 2017 começou a enviar uma parcela de recursos aos municípios em estado de calamidade pública.
As famílias recebiam ajuda de parentes e amigos e os que perderam suas casas estavam alojados no salão paroquial, algumas outras no ginásio coberto das escolas. Tudo muito precário.
O estado do Rio Grande do Sul está com as finanças falidas, o país diante da crise política dos últimos tempos vive situação semelhante. Tudo se torna difícil e caótico. No entanto o povo brasileiro e bravo e vai à luta. Geralmente quando a ajuda chega o problema já está quase resolvido. No entanto diante de tamanho caos uma perda como esta leva muitos anos para que as famílias se recuperem. Muitos acreditam piamente em tudo e esperam a ajuda divina para resolver seus problemas. Todavia Deus nem sempre está disponível para resolver todos os problemas que o próprio povo causa ao planeta, como: poluição e desmatamento e muitos dos desastres naturais são em consequência do descaso da humanidade. Vamos acreditar que podemos mudar isto e não esperar somente soluções vindas do poder público ou da ajuda divina.
Educação é o caminho. Nossa ação a solução. Vamos à luta e vencer esta batalha. Outros povos conseguem, nós conseguiremos. É nisto que eu acredito. É nisto que espero que as pessoas comecem a acreditar. Só assim as mudanças acontecerão e podemos todos ter uma vida com qualidade. O resto se Deus der é lucro!

Mário Feijó
10.07.17

P.S. Trabalho executado na Oficina Literária Itinerante “Mário Feijó”

(usar a imagem como referência na criação de um texto)

quarta-feira, 5 de julho de 2017

SER INVISÍVEL







SER INVISÍVEL

Éramos seis irmãos e ainda somos, antigamente mais unidos que hoje. Criança faz barulho: corre, grita, canta, brinca. Os quatro mais velhos tinham no máximo um ano e três meses de diferença entre um e outro. Éramos unidos, mas brigávamos bastante por qualquer coisa, mas nada muito sério, igual à maioria das famílias. Passados dez anos nasceram mais dois e completou-se o grupo de seis irmãos. Sendo eu o mais velho.
Muitos filhos, para os tempos de hoje, penso eu, porém dois irmãos de meus pais tiveram dezessete cada um. Crescemos crianças com pouco amor e atenção dos pais. Eu me sentia invisível aos olhos deles, principalmente para meu pai, que parecia ter seus olhos todos voltados para minha irmã, a terceira de todos.
Ganhei a responsabilidade informal de ser o tutor de todos, ai quando alguém fazia uma diabrura – uma arte qualquer que desagradasse meu pai, ou que minha mãe queixosa contasse a ele – eu me tornava visível e a “Iracema tira a teima” entrava em ação no meu lombo ou qualquer parte do corpo. Era dolorido e cruel, eu lembro (Iracema era uma vara ou cinta que servia para nos castigar). Porém na maioria das vezes era somente eu quem apanhava as surras, os outros eu não lembro se foram surrados alguma vez.
Cresci e fui cuidando mais de mim. Logo me tornei adulto e tive uma família para criar e sustentar, afinal de contas casei com 23 anos. Nunca deixei de me preocupar com meus pais, enquanto estiveram vivos, nem com minha avó, que faleceu com 97 anos. Tampouco deixei de estar vigilante com minhas tias. Sempre as visito, principalmente as da família da minha mãe.
Hoje estou morando sozinho, mas minhas “antenas” estão sempre ligadas em relação à família que cresceu muito: atualmente são quatro filhos e oito netos. É muita gente para cuidar e eu estou chegando numa idade que sou eu quem precisa de frequentes cuidados. Está muito claro que se precisarem é só ligar e estou presente. No entanto eu me sinto invisível aos olhos deles.
Gostaria muito de ser invisível – literalmente – e sei que a oportunidade acontecerá tão logo eu morra, aí poderei saber se o amor que plantei nos corações ainda existe, mesmo que tarde.
Sei, ainda, que ninguém é eterno, porém o amor e as coisas que fazemos a quem amamos torna-nos imortais, como se fossemos escritores numa academia de letras da vida...

Mário Feijó
05.07.17


PS. Trabalho produzido na Oficina Literária Mário Feijó