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terça-feira, 30 de janeiro de 2018

PÁGINAS AMARELAS GUARDAM AMORES PERFEITOS




PÁGINAS AMARELAS GUARDAM AMORES PERFEITOS

Era apenas uma luz acesa
E na escuridão
Eu tinha a dimensão do mundo
Que a noite tentava esconder

O jardim era negro
Os girassóis morreram
Não procura mais a minha luz
In(Sônia) era meu guia

Solitários? Somos todos
Alguns são mais egoístas
Bastando-lhes pagar contas e comer
O amor fica em último lugar

Quando nasce um novo dia
Tudo se aclara na mente
Amores-perfeitos foram depositados
Nas páginas amarelas da nossa história

Mário Feijó

30.01.18

domingo, 28 de janeiro de 2018

DOIS PERDIDOS



DOIS PERDIDOS

E agora?
Quem cuidará de mim?
Agora que estou órfão
Agora que estou velho
Agora que estou só...

Eu ando por mundos desertos
Não vivo de abraços
Estou perdido sem laços
Filhos, amigos, homens, mulheres
Todos se foram
Todos estão sempre ocupados
Eles vivem suas histórias
Ninguém quer ouvir as minhas

E agora?
Quem cuidará de mim?
Encontrei-me num velho caderno
Ele me ouve, aceita minhas histórias
Encontrei-o tão perdido quanto eu...

Mário Feijó

28.01.18 

sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

QUALQUER HORA EU PARO: DIZ MEU CORAÇÃO!



QUALQUER HORA EU PARO: DIZ MEU CORAÇÃO!

Ontem eu senti
Meu coração palpitar
Como se me avisasse
- Qualquer hora eu paro!

E eu nesta solidão
Fico a esperar
Que tu faças escolhas
E percebas que os dias vão-se embora

Deixamos de viver horas felizes
Porque falta tanta coisa
Que a vida demonstra mais tarde
Nada falta além da vontade de amar

Não há conserto para dias que se foram
Todos os dias são lindos
Embora faça chuva
Em meu coração mutilado por falta de amor

Mário Feijó

26.01.18

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

O AMOR É FEITO DE ENTREGAS




O AMOR É FEITO DE ENTREGAS

E se tu me perguntasse agora
Qual a coisa que eu mais queria no momento
Com certeza eu te responderia
Que a coisa que eu mais quero é merecer teu amor!

Porém o dia se foi
E logo veio uma noite qualquer
Feito tantas outras noites
Escuras, frias e sem luar

Eu só pude me esconder
Entre a bruma do mar
Que sofria feito eu
Uma grande solidão

Veio um novo dia
E com ele nasceu a esperança
Botei uma roupa apropriada
E fui ao mar me entregar

Mário Feijó

25.01.18  

REFLEXOS E INCERTEZAS





REFLEXOS E INCERTEZAS

Eu sempre tive dúvidas
Nunca tive certeza
De quase nada na vida
Agora tenho uma certeza: eu te amo!

E a certeza que tinhas
Quando dizias me amar
Foi sumindo feito a luz do final do dia
Quando a noite está para chegar

E foi nesta hora
Onde todas as incertezas se juntam
Que eu olhei para o céu
E vi nele a lua crescente

Ou seria somente um reflexo
Das luzes do dia que ia embora
E que eu, perdido no lusco-fusco
Acabei desencontrando o amor?

Mário Feijó

25.01.18  

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

SAUDADE(Z)



SAUDADE(Z)

A tua ausência
Alimenta em mim
Animais que eu desconheço

Uns apenas devoram meu sono
Outros comem minhas entranhas
Enormes são os desejos
Que habitam meu corpo

Venha! Invada-me!
Possua-me sem pedir licenças
Quem sabe esta saudade (que vale por dez)
Desista de me acompanhar

E quando o sol da manhã chegar
Quem sabe eu já seja outro ser
Saciado de amor
Com você ao meu lado...

Mário Feijó

24.01.18

domingo, 21 de janeiro de 2018

O AMOR É UMA FLOR



O AMOR É UMA FLOR

Nunca houve melhor analogia para o amor
Que o comparar a uma planta – uma flor
Se não molharmos da planta
Se não cuidarmos dela, ela morre!

Tudo é válido: um bilhete,
Um bombom, dizer: eu te amo
Faz o amor crescer, vigorar
Não são horas intensas de sexo, mas o cuidado

Se uma planta não for cuidada
Adubada, molhada, tratada com carinho
Ela murcha e morre
Seja ela flor ou cactos

O mato cresce
Sufoca a planta
Que lentamente definha
O amor padece...

Mário Feijó

21.01.18 

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

SOLO FÉRTIL



SOLO FÉRTIL

Eu sou a terra molhada
Que recebe sementes
E fecunda as transforma em árvores
Porque na terra há fonte para o amor

E meu chão são meus braços abertos
Solo fértil de meu coração
Onde o amor transborda
Fazendo multiplicar flores deste jardim

Mas há quem pise neste chão
Sem perceber a porção do amor
Ali pronto para brotar
E agradecer mesmo sem ver o que ali existe

Só as aves humildes
Fazem reverência ao solo
Quando dele catam as sementes
Para se alimentar... é a vida seguindo seu rumo!

Mário Feijó

17.01.18

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

GIRASSOL

GIRASSOL

Tenho sonhos que não morrem
Eles continuam vivos dentro de mim
E acordam todos os dias
Como se fossem pétalas ao sol

Sou feito sempre-viva
Renasço no amor que me tenho
E no amor que me dão
Mas eu quero muito mais do que recebo

Eu penso que o amor cresce
À medida que o damos
Por isto não me contenho
Não quero ser botão de rosa que não abriu

Porque foi colhido prematuramente
Talvez ele tenha nascido para ser um botão somente
Mas eu sou flor que desabrocha
Sou o girassol que se abre para a luz

Mário Feijó

16.01.18

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

EU PENSO SIM!




EU PENSO SIM!

Penso sobre as incertezas da vida
Penso nos amigos queridos
Penso naqueles que se fazem de amigos
Mas na verdade nunca o foram

Neste momento eu penso em ti
Penso que tenho escrito pouco
Penso que tenho jogado muito

E penso que tenho feito pouco amor
Penso que é culpa da distância
Penso que me bastaria ser uma flor
Um passarinho, ou até mesmo a brisa do mar

Penso que muitas vezes
Eu sou um prisioneiro de mim
Penso que a vida é muito curta
E penso que o meu tempo acabou

Mário Feijó

12.01.18

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

ELE A FEZ FELIZ EM VIDA, MAS A ENSINOU A SOBREVIVER COM A SUA MORTE...




ELE A FEZ FELIZ EM VIDA, MAS A ENSINOU A SOBREVIVER COM A SUA MORTE...

Ela era doce, feito uma colherada de mel que tomamos em jejum. Tinha ares de princesa e se eu tocasse meus lábios em sua pele sentiria o gosto de fruta madura, pronta pra ser digerida. Mas meu olhar de gula era somente de quem aprecia o belo. Era uma das garotas mais inteligentes da nossa turma de faculdade. Eu via estrelas toda vez que ouvia o seu riso de cachoeira. Em momento algum fui apaixonado por ela, mas tinha uma admiração que rimava com seu nome “endeusamento” – Neusa é o seu nome.
Um dia vi seu namorado. Combinava com ela perfeitamente. Era quase um menino feito ela, tinham na época um pouco mais de 20 anos. Toda vez que eu o via chegar imaginava que ele tinha deixado um cavalo branco na porta da faculdade e vinha busca sua princesa para passearem num bosque e depois voltar a um castelo. Era um rapaz muito bonito, do tipo que eu jamais fui. Queria ter aquele cabelo, aquele sorriso e aquele olhar apaixonado pela vida como ele tinha por ela. Coincidentemente se chamava Daniel, como meu filho mais moço na época (e que morrera pouco depois em um acidente de carro). Mas continuando nossa história: ele fazia Engenharia. Eu também sempre quis fazer engenharia, mas era muito pobre para cursar esta faculdade. Sem nem saber o que significava no inicio, cursei Administração de Empresas.
Acabei me tornando um amigo distante do casal. Tipo amigo de faculdade. Achei que se me aproximasse muito ele poderia sentir ciúmes, coisa que todo adolescente sente quando percebe que alguém do sexo oposto é amigo do seu par.
O tempo passou. A vida nos levou por muitos caminhos. Ficamos distantes, mas toda vez em que nos encontrávamos eu admirava o casal, até que no ano passado, ou retrasado eu me encontrei com a turma e descobri que ele estava com câncer. Fiquei observando e descobri que aquele homem devia ser um anjo. Eu aprendi muitas lições neste último encontro sem muita conversa, só observando a sua maneira de viver. Ele estava vivendo seus últimos dias a ensinar quem se aproximasse a viver. Ao mesmo tempo, penso eu, estava ensinando a ela – seu amor – a viver sem ele depois da partida. Nem conheceu sua primeira neta.
Agora quando eu olho pra ela vejo que ela não se descabelou. A vida continua, e disse-lhe o que escrevi neste título de crônica. Aí ela quase desmoronou em lágrimas. Havia ali dentro daquela mulher, hoje com 64 anos, que mantem a mesma carinha dos vinte e poucos anos, uma torrente de emoções e de amor represado. Ela continuou vivendo, sem fazer dramas, distribui sorrisos e derrama entre nós risos de cachoeira fresca. Como não amar uma pessoa assim?
Eu penso que precisamos de mais seres humanos menos mesquinhos, feito Neusa e Daniel. Sempre que os via juntos lembrava de Romeu e Julieta, antes da tragédia. Achava que os dois viveriam para sempre. Nunca aventei a hipótese de morte separando-os. No entanto não somos eternos. A vida continua e eu sou um adepto de que continuamos vivos numa outra dimensão. Então tudo o que vivemos é crescimento e aprendizado para outra etapa.
Semana passada nos encontramos. Ela agora sozinha, mas eu sentia que Daniel se escondia no sorriso dela.
Eu não poderia deixar de eternizar o meu pensamento sobre o amor, mais especificamente sobre este amor. Talvez Daniel se me lesse agora até estranharia, pois não convivemos muito amiúde, nem fomos amigos íntimos, mas basta um pouco de sensibilidade e amor para que estejamos próximos de quem gostamos. E eu sempre os amei.
Há nesta turma de faculdade que começou em 1972 na UFSC um monte de histórias lindas e de superação, como a de Ronilda, minha parceira desde os primeiros anos escolares e que nos ensina a viver. Hélia que se esconde em seu drama, não menos doído, ou o de Rosa, agora quase carequinha mas que nos encanta sempre que nos encontramos, feito as rosas que perfumem e colorem nossos jardins.
Eu estou atento à vida, procurando aprender com minhas histórias, sofrendo e me solidarizando com os amigos, mas vivendo à procura da Felicidade. Nunca se sabe onde a encontraremos, mas vivamos bem e toquemos em frente, agora que a idade começa a ficar pesada.
Com amor,

Mário Feijó
 11.01.18  

  

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

POR UM MUNDO MELHOR





POR UM MUNDO MELHOR



Tudo que eu sempre quis na vida
foi amar as pessoas
como se fossemos irmãos
sou do tempo da paz e do amor

No entanto alguns, sempre com os pés atrás,
pensam que estão sendo feridos
- Não estamos em guerra, sou da paz -
Mas parece ser mais fácil agredir, não abrir os braços

Vivemos num planeta, e para viver melhor
penso na existência de um Deus
- é mais fácil para viver na comunidade humana
e a última coisa que penso é em fazer o mal a outrem

O mundo é melhor quando nos ajudamos
As pessoas vivem melhor quando estão unidas
É mais fácil ajudar aos outros do que "malhar" alguém
E um diálogo geralmente resolve todas as pendengas...


Mário Feijó
02.01.18

quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

TERRA FECUNDA




TERRA FECUNDA

Há vezes em que eu te espero
Feito terra seca
Que aguarda a chuva
Que lhe penetre as fendas
E lhe fecunde as sementes...
Há dores de parto
Abrindo entranhas na terra fecunda
Que lhe amainam as dores da saudade
Naquele chão avido...
E os campos florescem
Brotando vida
Naquela terra antes seca
Agora repleta de vigor...
E todo o tempo de espera
Desaparece quando a terra floresce
Quando brota agora do chão
Delicadas e suaves flores...

Mário Feijó

28.12.17 

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

POR AMOR...




POR AMOR...

Por amor mudamos tudo
E é tão lindo ver
A força bruta daquele homem
Ficar delicada diante do amor

Eu vi a força de Juliano
Enternecida ajudando Jackie
Nas tarefas domésticas

E ela apaixonada derreter-se
Ele tem me ajudado como jamais fez
Para outra mulher qualquer
E tudo isto pelo simples fato de amar

E depois de toda a labuta diária
Ela se aconchega a ele em sua carruagem
E vão os dois embora: cansados e felizes...

Mário Feijó

18.12.17 

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

A LUA É CÚMPLICE




A LUA É CÚMPLICE

No leito esparramaram-se
Feito rio que escorre
E, animais no cio amaram-se
Sobre a relva e o sereno da noite

Eles eram livre
Tal qual o vento
Um dia no mar, outro na serra
Corriam pelas paragens

No chão ecoaram as pisadas
Eram as brumas da noite
Onde o solo eram os lençóis de areia

No teto nada mais que estrelas
A lua escondera-se solidária
Era cúmplice deste amor...

Mário Feijó

18.11.17

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

POR DOIS OU TRÊS BEIJOS



POR DOIS OU TRÊS BEIJOS

O poeta passou a vida inteira
Em busca de um amor sincero
Porém quando o encontrou
Descobriu ter caído numa armadilha

Sim! O amor também tem armadilhas
E o poeta começou a agonizar
(faz tempo que agoniza)
Descobriu que o amor lhe testava

Certas horas sua alma
Ficava completamente vazia
Noutras horas seu amor próprio evaporava
E o poeta que sempre fora esperançoso
Tinha aridez no coração

O amor não se compra
E o poeta vendeu-se
Por dois ou três beijos
E mais trinta moedas: crucificaram-no!

Mário Feijó
06.12.17