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segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

NOSSO AMOR NÃO ESQUECIDO




NOSSO AMOR NÃO ESQUECIDO

Hoje eu me atirei no tempo
Ontem apenas brinquei com o vento
Queria em algum lugar te encontrar
Até que passei por vias
Subi montanhas
Desci campos verdejantes
Mergulhei em rios refrescantes
E com tintas azuis
Eu pintei as flores
Que estavam vermelhas
Porque elas me lembravam a tua morte
Tinham um cheiro forte de despedida
Depois eu corri para o mar
Chutei ondas fortes
Pensava descobrir tuas cinzas dentro delas
Porém já haviam sido diluídas
Em um verde esmeralda
Que tinha um toque de esperança
Nas lembranças do nosso amor
Que não estava esquecido...

Mário Feijó

23.01.17

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

SANTA IGNORÂNCIA



SANTA IGNORÂNCIA

Ontem à noite eu abri as cortinas
E me debrucei nas janelas do mundo
Calado observei muitos descalabros:
Roubos que se disfarçavam
Na fome e empobrecimento do povo
Enquanto uns poucos nababos
Gastavam inconsciências
Em festas por Paris e New York

E os descamisados
Com as caras mais lavadas
Aplaudiam pseudo-deuses
Que rezavam mantras:
“nada sei, nada sei”
Ouvindo o Bolero de Ravel
Entorpecidos pelo ópio da ignorância
Dentro das Bolsas todas as famílias
Encantados pela luxúria do primeiro mundo

Dizem que desde Cabral
Ouvi isto quando ainda era Garotinho
E não há quem se salve
Tudo sempre foi tão permissível
Que agora na hora de arrumar a casa retrucam:
“sempre foi assim!”...

Mário Feijó

17.01.2017

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

CENAS EM PRETO E BRANCO




CENAS EM PRETO E BRANCO

Têm horas em que parece
Ser tão boba a vida que vivemos
Tudo se extingue feito a fumaça do cigarro
Que sobe invisível e some no espaço

Há horas que tudo parece levar a nada
Construímos, lutamos por pessoas
E elas se atiram em um abismo
Feito ondas do mar bravio se atirando sobre a areia

Eu quero respostas que me iludam
Que me enganem
Que me incentivem a continuar
Mas que me deem esperanças

E nada, nada acontece
Para amortecer esta dor em minh’alma
Nada acontece que me faça
Enxergar colorido as cenas em preto e branco que vivo...

Mário Feijó

16.01.17

domingo, 15 de janeiro de 2017

TODOS OS DIAS DIGO ADEUS





TODOS OS DIAS DIGO ADEUS
Todos os dias morre em mim
Um pouco do que fui
Um pouco do que sou
Deixo de ser massa física
Para ser apenas energia
Aprendizado, dor e sofrimento
São eventos que me impulsionam
Enquanto isto o amor
É apenas um alento
Em momentos fugazes
Acompanhado de um breve adeus
É nestas horas
Que eu morro mais um pouco
Ao perceber que não tenho
A importância que pensava ter...
Mário Feijó
13.01.16

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

COM UM NINHO É MAIS FÁCIL




COM UM NINHO É MAIS FÁCIL

Eu queria ser
Um pequeno passarinho
Para não ter muitas preocupações
Além de voar e continuar vivendo

Iria buscar nos campos alimentos
Beberia em qualquer poça de chuva
E procuraria palhas e gravetos
Para construir um ninho

Depois do ninho pronto
Eu faria a dança do amor
E cantaria para te conquistar
Tudo de uma maneira muito simples

E seríamos feito araras
Que depois que acha seu para
Não mais ficaria longe um do outro
Do jeito que estamos agora...

Mário Feijó

04.01.2017

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

TENHO FOME DE TI



TENHO FOME DE TI

Hoje eu acordei angustiado
Porque descobri
Que não consigo mais viver
Sem ter você ao meu lado

É como se eu acordasse
E não visse mais a luz do sol
Olhasse para o jardim
E todas as flores estivessem mortas

Tenho fome de você
Tenho sede de te ter
Tenho paúra da solidão
E tateio no escuro em dias de sol

Olho para a rua
Ganho asas no voo dos pássaros
Saio de dentro de mim
E feito raio parto ao teu encontro...

Mário Feijó

03.01.2017

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

ANTAGÔNICO




ANTAGÔNICO

Meus sentimentos
Estão cada dia mais antagônicos
Ontem mesmo eu queria ir embora
Ficar longe de você

Hoje acordei com saudades
E a certeza de que sem ti
Não saberei mais viver

Sou um pássaro sem ninho
Filhote desgarrado
Leito de rio seco
Ondas em mar poluído

Eu quero céu claro
Dias de sol
Noites estreladas
E você ao meu lado

Mário Feijó

02.01.2017

domingo, 1 de janeiro de 2017

RESTA PRA NÓS O ADEUS




RESTA PRA NÓS O ADEUS

O tempo foi passando
E eu fui percebendo que “nós”
É algo que nunca existiu pra você

Tu querias conhecer o paraíso
E eu te levei até ele
Você queria voar, ver estrelas
E comigo voou em cima das nuvens

Os dias foram passando
E no teu presente eu virei fumaça
Você tem tudo o que queria
E as minhas vontades viraram cinzas

Chegamos num ponto da estrada
Em que temos que escolher o caminho
Contigo eu sei que não poderei ir
Comigo você decidiu que não virá...

Mário Feijó

01.01.17

sábado, 31 de dezembro de 2016

PÁSSARO DISTANTE



PÁSSARO DISTANTE

Um dia eu encontrei
Um pequeno passarinho
Piava perdido com medo

Eu o peguei em meus braços
Dei-lhe comida no colo
E no meu ninho dei guarida

O pássaro cresceu
Bateu asas
Foi-se embora
Não voltou para ao meu ninho

Agora fico olhando pro céu
E vejo-o bem longe caçando
Tornou-se uma águia distante

Mário Feijó

31.12.16

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

UM BURACO NEGRO





UM BURACO NEGRO

Pouco a pouco fui ficando vazio
Você arrancou de mim
O que eu tinha de melhor

E tal qual um buraco negro
Levou pra dentro de si
O que havia de bom

Sugou a fé que eu tinha em mim
Atraiu para si todos os meus amigos
E como se eu fosse uma laranja
Sugou todo o meu sumo
Minha inspiração e até o meu amor próprio

Quando olho para o que restou de mim
Vejo um corpo cansado, debilitado
Envelhecido em um canto qualquer
Já não atraio mais tua atenção
Sou apenas um buraco negro

Mário Feijó

30.12.16

domingo, 25 de dezembro de 2016

E QUANDO TU TE FORES?




E QUANDO TU TE FORES?

Eu me pergunto
Como serão os meus dias
Quando tu te fores

Será que ainda
Perceberei a luz do sol
Será que ainda verei
A profusão de cores?

Ou será que secarão todos os rios
Que agora habitam meus olhos?
E ainda haverá água bastante
Para regar as nossas flores?

Eu ainda busco no vento
Abrir os meus braços
Numa tentativa de te alcançar
Porém neles há um vazio de abraços

Mário Feijó

25.12.16

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

AÇOITES

AÇOITES

Se um dia
Quando eu chegar ao céu
Ou ao inferno (sei lá)
(porque para algum lugar
Nós deveremos ir)
E me perguntarem
Qual a minha maior experiência
Aqui neste planeta
Eu não terei dúvidas para responder:
- Não foi a felicidade!
- Nunca foi a alegria!
- Jamais foi o prazer
Ou qualquer outro forte sentimento!
O que eu mais vivi
Intensamente neste planeta
(nem sempre bendito)
O que mais me marcou por aqui
Foi a dor que eu senti
Açoitando-me o corpo e a alma...

Mário Feijó

15.12.16

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

“EU NÃO QUERIA TE INCOMODAR”



“EU NÃO QUERIA TE INCOMODAR”

Ouvi você dizer
Que não queria me incomodar
E por causa disto
Eu me entreguei inteiro ao amor

A um amor não correspondido
Que se eu tivesse sido incomodado
Teria evitado menos incômodos

Talvez eu não tivesse subido aquela serra
Quiçá eu não teria caído
Quando tentei apanhar
Aquela flor que caia para te dar

E não teria sofrido
Agora que vejo a lua despontar
E sempre pensar em ti
- Sabia que eu queria poder dá-la a você?

Penso que foi egoísta demais
Ficando calada e recebendo mimos e atenções
E eu menino, inexperiente,
Sofrendo esta desilusão

Eu pensava em nós dois como um casal
E você em mim, como mais um amigo
Foi sofrido, ainda dói
Tua ausência aqui comigo...

Mário Feijó

13.12.16

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

ESPELHOS




ESPELHOS

Eu olho nos olhos de gente
Procurando encontrar
Dentro deles o amor
Que meus olhos refletem

Queria ver espelhos
Nos olhares de amor
Encontrar reciprocidade
Nos olhos que vejo pelas cidades

Quero ver flores se abrindo
Cachoeiras caudalosas
Que encontro nos olhares de bichos

E me entregar em abraços
Deixando subir aos céus
Uma fumaça branca de paz

Mário Feijó

09.12.16  

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

HOSPITAL

HOSPITAL

Nas esquinas dos imensos corredores
Correm o meu desejo de cura
E a vontade de encontrar saúde
Nos Moinhos de Vento

Estou jogando com meus sonhos, meus medos
Como se estivesse voltando à vida onde
Sou levado por uma roda gigante
Que sobe e desce, sobe e desce, desce e sobe

Eu só quero abraços de amigos
Beijos dos beija-flores que pousam
Nas flores amarelas da acácia mimosa

Quero debruçar-me na janela
Olhando as amoras imaturas
Que esqueceram de brotar porém latentes
Nos verdejantes ramos iluminados

Mário Feijó
08.12.16


terça-feira, 22 de novembro de 2016

AS LÁGRIMAS DA LUA

AS LÁGRIMAS DA LUA

No meio do orvalho
Sequei as lágrimas da lua
Enquanto Dalva – a estrela –
Dizia que caíra um cisco em seu olho

O tufão que ameaçara
Tornou-se brisa serena
Enquanto lírios dos campos
Estendiam-se no chão

Era amor o que sentiam
Serena, a chuva caia,
Esparramando-se no solo
Logo abraçada pelo rio

Antes límpido plácido corria
Agora turbulento pedia o aconchego do mar
E no meio daquela tempestade a lua escondera-se
Em um céu, agora infestado de raios e trovões

Mário Feijó

22.11.16

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

ARTES MINHAS






ARTES BY MARIO FEIJÓ

GARRAFAS DECORATIVAS #garrafasdecorativasdenatal





by Mário Feijó

GARRAFAS DECORADAS #garrafasdecorativas


AMOR COM PIMENTA




AMOR COM PIMENTA

Eram tão doces teus beijos
Que eu me sentia
Saboreando mel
E no meio do mel
Um pedaço de favo
Seco, ardido,
Parecia pimenta
Eu gosto de temperos
De sal bem dosado
Cebola, salsinha,
Cominho, colorau
Mas tudo bem dosado
E que os gostos misturados
Não fiquem fortes demais...
Eu já não sabia
Se eras tu a temperar
Ou se colocaste pimenta demais
Nos beijos que me davas...

Mário Feijó

17.11.2016

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

JURO



JURO

Eu juro
Que o que eu mais queria
Era um dia ser abraçado
Tão suavemente
Que eu pensasse ter voltado
Para dentro do útero materno

E de lá de dentro
Mexer-me bem devagar
Que é pra não machucar
O útero que me carrega

E de olhos bem fechados
Aconchegar-me candidamente
Neste colo(abraço)
Sentindo toda a proteção
Que ele pode me dar

Juro que eu ainda preciso de abraços
Não importam os anos que se passaram
Eu ainda preciso de muitos abraços
De carinho, de proteção
E não é porque meus cabelos
Agora encanecidos dão motivos
Para que eu seja esquecido
E não seja mais aquele ser humano
Que um dia foi tão esperado

Juro, eu juro,
Que só assim conseguirei
Tudo aquilo que eu sempre quis
Ser feliz feito criança

Mário Feijó

03.11.16

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

ARREPIOS QUE O VENTO PROVOCA



ARREPIOS QUE O VENTO PROVOCA

Eu sou vento
Que se desloca
E nem é percebido

Invisível, feito o ar,
Um ente estranho
Mal amado
E só respeitado quando se é tormenta

Um ente da natureza
Que se desloca sem ser visto
Que ajuda na polinização das flores
Que provoca ondas no mar

Tão solitário
Sedento de amor
Que por ser invisível
Só provoca arrepios

Mario Feijó

24.10.16

domingo, 23 de outubro de 2016

EN(CANTOS)



EN(CANTOS)

O mundo é uma floresta encantada
E nos encantamos com paisagens
Com animais e com atitudes
Sejam elas de bichos ou de pessoas

Eu às vezes me encanto com flores
Noutras vezes apenas com o tilintar da chuva
Há ocasiões em que me encanto com gatos
Noutras com o abano do rabo de um cão

Há noites em que me encanto com a lua
Ontem eu estava encantado com as estrelas
Porém há dias em que eu me encanto com a luz do sol
E noutros apenas me arrepio com o passar do vento

Há uma beleza infinda nas mulheres
No que elas fazem, no amor que exalam
No cuidado que têm com seus filhos
Mas há uma beleza infinita no amor de um homem

Mário Feijó

23.10.2016

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

TUDO PARECE PERFEITO NO AMOR



TUDO PARECE PERFEITO NO AMOR

Você tem dois braços
Duas pernas
Dois olhos
Dois ouvidos
Um nariz e uma boca
E tem o corpo perfeito
Porém não é por isto
Que eu te amo

Eu te amo
Pela simplicidade da tu’alma
Pela beleza campestre
Pela tua transparência d’água
Pelo teu cheiro de campo
Pelo teu riso silvestre
Pelo teu canto de pássaros

O amor é assim
Água limpa corrente
Cheiro de mato verde
Riso de criança
Braços enlaçados
Beijos tão doces de mel

Mário Feijó

17.10.16

sábado, 1 de outubro de 2016

EU TE AMO (mas não é porque tu me amas)


EU TE AMO
(mas não é porque tu me amas)

É chegada a hora
Em que o universo
Toma conta do meu corpo
E minhas carnes decadentes envelhecem

Porém merecemos amor
Mesmo quando já não temos
O vigor da juventude
Então nos resta amar
A quem nos ama tão candidamente

E não é só porque tu me amas
Que eu te amo
Eu te amo porque tu me completas
E fico encantado
Com o teu modo de me amar

Eu penso que te amaria
Mesmo que fosses “diferente” de mim
Porque o que eu amo em ti
É a tua essência
A candura da tu’alma...

Mário Feijó
01.10.16



quinta-feira, 22 de setembro de 2016

COMEMORAMOS A PRIMAVERA



COMEMORAMOS A PRIMAVERA

Neste dia começa a primavera
Exatamente agora, 11h21m
O sol está esplendoroso
Mas dentro de mim, o inverno não saiu

E eu pensei: Por que será
Que a cada aniversário
Comemoramos a primavera?

Primavera é alegria, luz, flores, eu sei
Mas a minha vida foi muito mais
Feita e repleta de invernos
(frios, cinzentos, solitários, distantes)

Apesar das aparências eu não desisto
Não desisto de mim, de você e de ninguém
Vagarosamente a primavera entrará em mim
Como o sol quente que aquece meus ossos

Mário Feijó

22.09.16

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

O MEU NINHO PARECE VAZIO



O MEU NINHO PARECE VAZIO

Quando tu te vais
Eu me sinto em queda livre
É como se me tirassem o chão
E eu começo a cair

Sou apenas uma pluma no ar
Balançando jogada ao léu
E meu destino é incerto

Sou uma ave sozinha no ninho
Esperando que me deem alimento na boca

O MEU NINHO SE ENCHE

Quando estás comigo eu não vejo as horas passarem
Não conto os dias que me restam
Nem vejo a hora da partida
Vivo intensamente todos os momentos
Sorrio para a vida e não me sinto só

Mário Feijó

19.09.16

O DINHEIRO QUE NÃO TRAZ FELICIDADE

O DINHEIRO QUE NÃO TRAZ FELICIDADE

O mundo gira muito rápido
Enquanto eu queria o teu amor
Você saia pelo mundo
Lutando por dinheiro

A vida passa como um sopro
Acumular moedas ou bens
Não nos fazem crescer
No máximo nos levam a uma vida de conforto

Então o tempo passa
E eu que já não tenho mais tempo
Vou envelhecendo

E você que tem uma vida inteira pela frente
Luta por valores que não lhe farão feliz
No máximo permitirão você sobreviver...

Mário Feijó

19.09.16

sábado, 17 de setembro de 2016

UM AMOR QUE TRANSBORDA



UM AMOR QUE TRANSBORDA

Eu gostaria de ter tido mais tempo
Para conviver com meus filhos
Agora que estou mais velho
Tenho tempo e eles voaram do ninho

Mesmo assim eu queria mais tempo
Para viajar, para passear na praia
Para correr nos campos
E para entrar na água dos riachos

Além da falta de tempo
Falta-me disposição
Falta-me energia e
Falta dinheiro

Eu queria mais tempo e menos distância
Para as pessoas que eu amo
Umas não têm mais tempo pra mim
Outras a ocasião não lhes permitem estarem próximas

Só assim usufruiriam do amor
Que em mim transborda
Penso que lhes falta o tempo
Que em minha vida algumas vezes sobra...

Mário Feijó

17.09.16

sábado, 10 de setembro de 2016

NOS BOLSOS E NO CORAÇÃO

NOS BOLSOS E NO CORAÇÃO

Eu te carrego dentro dos bolsos
Como se carregasse neles
A minha identidade

Tu estas nos bolsos da calça
Nos bolsos da camisa
E nos bolsos do meu calção

Eu te carrego com carinho
Como se carregasse uma joia
Algo de muito precioso
E te deixo livre em meu coração

Assim podes percorrer o meu corpo
Feito o sangue que percorre minhas veias
Que se oxigena e me renova a vida
Sou assim cheio de amor por ti

Mário Feijó

10.09.16

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

HÁ PESSOAS QUE SE PARECEM COM BICHOS

HÁ PESSOAS QUE SE PARECEM COM BICHOS

Há pessoas que amam qualquer coisa
Há pessoas que amam pessoas
Há pessoas que amam somente bichos
Há pessoas que nem sabem amar

Há pessoas que amam somente
As pessoas da sua raça
Outras nem aos da sua raça
Sabem mesmo o que é amar

Há pessoas que amam crianças
Há pessoas que amam mulheres
Há pessoas que amam homens
Há pessoas que não sabem amar

Há pessoas que amam somente bichos
Bichos de raça: gatos; cachorros; animais
Há pessoas que amam bichos da rua
Outras nem pessoas na rua sabem amar

Há pessoas e Pessoas
Há pessoas que parecem bichos
Há bichos que se parecem e pensam que são pessoas
Há pessoas que não sabem nem pessoas, nem bichos amar

Somos animais neste planeta
Que deviam uns aos outros respeitar
Sejam pessoas, sejam bichos
Pelo menos olhar com carinho e aprender a amar

Mário Feijó

07.09.16 

terça-feira, 6 de setembro de 2016

A MENTE QUE MENTE

A MENTE QUE MENTE

Outro dia alguém me disse:
Neste corpo de quarenta
Minha mente ora inventa
Que eu tenho apenas vinte

Ao que eu lhe respondi:
Neste corpo de cinquenta
Sua mente ora tenta
Querendo lhe tapear

Acredite! Eu bem sei
Que nem cinquenta
Ainda estás a completar
O que tua mente inventa
Nem fiques nela a acreditar

É que tua mente, mente
Com intenção de te enganar
Apesar de bem “lindinho”
O teu corpo já está cansado
Basta pra ele olhar...

Saiu o pobre coitado
Com cabelo arrepiado
Querendo me esganar

Era tudo brincadeira
Minha mente também mente
Feito a tua pra iludir

Ela vem de outros planetas
Onde o tempo de lá são outros
Vamos viver e brincar

Idade não é problema
Para quem sabe viver
E também pra quem sabe amar

Então ame e até se engane
Engane a sua mente
O importante é ser feliz...

Mário Feijó
06.09.16

(Uma brincadeira com uma mente que tentava mentir... risos. Sem pretensões literárias).




terça-feira, 23 de agosto de 2016

A REALIDADE DOS SONHOS



A REALIDADE DOS SONHOS

Vi minha amiga Izabel adotando maiores abandonados. Pessoas que moram na rua e que querem ter uma chance na vida sem conseguir. Ela adotou Nina, uma moça de 18 anos, que dormia pelas ruas e vivia com o que conseguia fazendo pequenos bicos. Com a adoção, um bom banho, corte de cabelos, roupa simples e nova, cheirosa e perfumada, agora com endereço fixo, Nina conseguiu emprego e logo em seguida, já estava matriculada na faculdade para continuar os estudos que havia parado, por não ter condições.
Algum tempo depois ela “adotou” Alberto, com 41 anos. Deu-lhe um quarto, roupas e as mesmas providências que fez com Nina. Logo em seguida descobriu que ele era um homem inteligente. Que foi morar nas ruas porque perdeu tudo, depois de uma tragédia familiar ocorrida há quase seis anos.
Alberto era um empresário. Com a morte da esposa, num acidente de carro que ele dirigia, entregou-se à bebida. Os filhos foram tirados pelos sogros e ele foi afundando até perder a empresa, por falta de gestão e empenho.
Vivia na rua. Esquecera de si. Passou a ser alguém sem nome e sem rosto aos olhos da população. Os cabelos cresceram, a barba igualmente.
Izabel empenhara-se em conversar com Nina e com ele já há algum tempo. Ouvira suas histórias e decidira que iria recuperá-los. Tinha uma casa grande e acolhera-os em sua casa. Ela era psicóloga e uma pessoa muito humana que acreditava que as pessoas podem mudar, tendo uma nova chance. Adotara-os como se fossem filhos, como se fossem amigos, e foi o que realmente aconteceu. Eles evoluíram, voltaram a progredir na vida. A tomar gosto e a ter uma nova meta.
Nina trazia uma história complicada de surras e abandonos. O pai morrera cedo e a mãe casara-se novamente com um homem que só a explorava e maltratava seus filhos. Um dia Nina não aguentava mais e partiu. Sem estímulos vivia pelas ruas...
Há muitos destes casos pelo mundo afora. Podem até parecer fantasia, mas existe muita gente que às vezes só precisa de uma mão, de atenção, de conforto, de estímulo.
Eu acordei feliz, porque vi que em sonhos tudo podemos fazer. Na realidade comecei a pensar, será que não podemos fazer realmente algo por alguém? Será que não podemos ajudar alguém? Que seja desta ou de outra forma, mas que comecemos a pensar no próximo como sendo um de nós mesmos, estendendo a mão e ajudando. Vamos começar a pensar o mundo como sendo melhor, como se todos os sonhos pudessem se tornar realidade.
Foi somente um sonho, mas parecia algo tão real...

Mário Feijó

23.08.16

domingo, 21 de agosto de 2016

ATLETA

ATLETA

A ti que és um atleta
A ti que nos faz feliz
A ti que marca um gol

Enalteço a ti atleta
Sem esquecer a tua dor

A ti que fazes “ace”
No tênis e no voleibol
A ti que fazes ginástica olímpica
Ou que atiras em busca do alvo

Enalteço a ti atleta
Sem esquecer a tua dor

Seja no judô ou karatê
Ou tantas outras formas de luta
Correndo nas maratonas
Ou disparando na marcha olímpica

Enalteço a ti atleta
Sem esquecer a tua dor

Quando todos querem a glória
Tu remas na canoagem
Tu corres no revezamento
Tu nadas de todas as formas

Marcas no corpo e na alma
Pontos da tua glória
As lesões dos treinamentos
Nas chegadas da maratona
Quando chegas de joelhos

Enalteço tua glória
Sem esquecer a tua dor
Porque eu somente assisto
Torço por ti com muito amor...

Mário Feijó

21.08.16

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

SER HUMANO – ESTE ANIMAL RACIONAL (?)

SER HUMANO – ESTE ANIMAL RACIONAL (?)

                Numa alcateia, os lobos mais velhos vão à frente, protegidos na retaguarda pelos mais novos.
Nenhum outro animal abandona os mais velhos, porém os seres humanos “civilizados” fazem isto com muita facilidade e frequência. Pelo que eu sei e já vi os “indígenas”, nativos, aborígenes ou os primeiros habitantes da Terra nunca fizeram isto. A Antropologia nos mostra isto nos estudos primitivos da humanidade. Será que a dita civilização fez isto com os humanos? Será que ao invés de evoluirmos “involuímos”!?
Com frequência vejo filhos que não querem saber dos pais, alguns até se aproveitam de seus rendimentos, em benefício próprio sem dar assistência ao idoso. Vejo até brigas por herança enquanto o corpo é velado. Sem contar os que querem partilhar tudo o que o idoso acumulou, e que deveria gerar-lhe qualidade de vida na velhice. Muitos só querem usufruir sem ir à luta.
Estamos num planeta, como se estivéssemos em um barco. Mas os homens não pensam em harmonia, em cuidar desta embarcação. Até quando o planeta suportará a destruição que o homem causa? Até quando ficaremos sem aprender as lições mínimas de civilidade e convivência harmônica?
E se falarmos daqueles que querem acumular infinitamente riquezas que nunca poderão ser gastas em uma única vida, enquanto muitos morrem de fome diariamente?
É chegada a hora de refletir. É chegada a hora de evoluirmos. A ciência caminha a passos rápidos. Vejamos tudo o que já aconteceu nos últimos 100 anos. E o homem parece caminhar para trás. Deveríamos pensar na vida como uma construção de valores e não de riquezas. A riqueza desaparece numa simples catástrofe, mas o que construímos como Ser, isto é eterno. É uma herança imutável que nada destruirá. Temos que aprender novos valores, não somente o valor do dinheiro. Temos que aprender a Ética, e ética implica em justiça.
Sei que criamos os filhos para o mundo, não para ficar sob nossas “asas”, mas eles esquecem de ouvir àqueles que lhes deram vida, educação, amor. Criam novos conceitos e julgam sem conhecimento do que os pais fizeram para que eles sejam o que são. Falta amor. Falta compreensão. E enquanto isto não for mudado, seus filhos farão o mesmo com eles, vendo o exemplo do que seus pais fizeram com seus avós, e a vida continua, sem uma melhora da raça humana.
Infelizmente isto não acontece só em países subdesenvolvidos, mas nos países ditos desenvolvidos. Comecemos a mudar isto nas nossas casas, nas nossas famílias, nos nossos lares e quiçá tenhamos um planeta sob uma melhor energia. Que Deus nos proteja! Que os deuses nos protejam! Que qualquer coisa nas quais acreditamos nos protejam! E que tenhamos um planeta melhor!
Que sejamos menos racionais e mais lobos protegendo sua alcateia!

Mário Feijó
19.08.16



quinta-feira, 11 de agosto de 2016

VELHO EUCALIPTO

VELHO EUCALIPTO

Tudo o que um dia eu pensava
O tempo mudou
O vento levou
E o bom senso me fez repensar

Criei cicatrizes
Dos tombos e aprendizados
Que só quem tem humildade aprende

Ficaram marcas em formas de rugas
Cascas em camadas
Tal qual eucalipto eu fora

Em cada camada
Ficou a marca do aprendizado
E o velho eucalipto cresceu imponente
Rumo ao céu

Seguro diante das tempestades eu sigo
Esperando o dia da poda
Em que o meu tronco sirva
De alicerce para outra morada

Mário Feijó

11.08.16  

domingo, 7 de agosto de 2016

LAREIRA APAGADA

LAREIRA APAGADA

Quando o suspiro cessou
Fez-se o silêncio
Apagou-se a lareira
Instalou-se o frio
Ficaram no chão
Somente as cinzas
Que foram turvando os mares
E as lágrimas nos olhos

As paredes cor de rosa
Também foram pintadas de gris
O silêncio foi ampliado
Estendendo-se por toda a orla
E o telhado agora sem goteiras
Caem apenas lágrimas do orvalho
E nos jardins não brotam mais girassóis
Tampouco os amores são mais perfeitos

Mário Feijó

07.08.16