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terça-feira, 17 de outubro de 2017

SERES DE TODOS OS MUNDOS




SERES DE TODOS OS MUNDOS

Nós já fomos tão pequenos
Muito menores do que grãos de mostarda
E mesmo tendo ocupado espaços
Ainda somos muito pequenos no universo

Um dia pólen
Somos jogados
De um lado para o outro

E o vento nos sopra
Para lugares tão distantes
Pós do universo é o que somos
E um sopro de vida nos habita

Alma que vai de um mundo ao outro
Numa eterna busca de desenvolvimento
Caminhamos pelas galáxias
Somos seres de todos os mundos...

MÁRIO FEIJÓ

17.10.17 

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

A PAZ DO TEU CÉU



A PAZ DO TEU CÉU

Eu amo estar no teu céu
Onde não existem estrelas
Onde não existe mar
Porém é nele que realizo sonhos

Os teus beijos me elevam às alturas
A tua pele é onde encontro rios
Que banham o meu corpo
Nas águas que ali pulsam

Eu bebo do teu desejo
Saciando minha fome
De ver lua e estrelas
Nosso amor do dia a dia

Eu quero os campos floridos
O canto brejeiro do sabiá
O ninho do joão-de-barro
Para entregar a ti em paz

Mário Feijó
16.10.17



sábado, 14 de outubro de 2017

UMA CASA DE SAPÊ




UMA CASA DE SAPÊ

Era uma simples casinha
Em que o material usado era o sapê
E quem lá pousasse os pés no chão
Sentia o coração pulsar de emoção

Haviam cobertores
Todos muito finos
Onde pulgas faziam morada

Não se lastimava – era feliz!
Na porta ao lado dormia Felicidade
Que tinha na pele
O cheiro de alfazema

Pela casa inteira o cheiro de café fresco
Ela mastigava algo
Numa boca risonha desdentada
Por isto tinha um sorriso frouxo

O seu mundo era ali
Foi ali que construiu sonhos para a vida inteira
E quando deixou de ser menino meninou-se
Para voltar a morar dentro daquela casinha

Mário Feijó

14.10.17

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

A GENTE SE ACHA...



A GENTE SE ACHA...

Algumas vezes a gente se perde
No meio de outras pessoas
Dentro de uma grande cidade

Noutras nos perdemos na selva
Há os que se perdem em vícios
Nas drogas, nos jogos de amor
Ou nos jogos de azar

Ontem eu me perdi
Em teu corpo
Em teus braços
Nas tuas coxas

Agora sozinho eu me perco
Entre lençóis e cobertas
De uma cama fria e carente
Que como eu espera por ti

Mário Feijó

13.10.17

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

ABRIRAM AS PORTAS DO INFERNO?



ABRIRAM AS PORTAS DO INFERNO?
Há tantas dores no mundo
Algumas tão visíveis
(Mas ninguém vê )
Outras invisíveis e que só
Quem as sente percebe
Dores de amores
Dores de desprezo
Dores de abandono
Dores de solidão
Quais os remédios que as curam?
Quais as soluções para tantas tristezas?
Quem amará nossas crianças abandonadas?
Quem abraçará nossos velhos solitários?
De onde virá a cura para tantos males?
Onde acharemos solução para tanta ganância?
Como puniremos tanta desfaçatez?
Como puniremos tanto cinismo e cobiça?
O cínico mente e o povo acredita
O ladrão dilipida o herário público
Como se fosse seu e o ignorante
Transforma em ídolo ladrões
Que nada viram e de nada sabem
Eu tenho medo do que vejo
Parece que abriram as portas do inferno
Vamos pensar no amor
E orar para que o Criador nos redima
E que queimem no inferno os que não amam
Mário Feijo
04.10.17

QUANDO A GENTE AMA



QUANDO A GENTE AMA

Algumas vezes
Por medo da solidão
Ou por insegurança
Nos condenamos a uma vida triste

E por medo de amar
Por medo de ser ridículo
Sim! Ridículo porque o amor
Muitas vezes parece ridículo

E quando a gente ama
Abre um sorriso na cara
Canta na chuva
E tudo parece lindo demais

É que o amor nos faz otimistas
Faz a gente sonhar, fazer planos
E mandar às favas
A opinião alheia...

Mário Feijó

12.10.17

sábado, 7 de outubro de 2017

AMOR QUE ARREBATA


AMOR QUE ARREBATA

Açucena é uma linda flor
Mas poderia ser nome de mulher
E para beber um copo de leite
É o nome desta flor-mulher

Rosa, dizem ser, a rainha das flores
Amo Rosa, minha amiga de faculdade
Tive Margarida como sogra (megera)
No entanto margarida é uma mimosa flor

Orquídeas são um encanto
Há uma infinidade delas na casa e no quintal
Da minha tia Lourdes que ama flores
Num chão onde tudo floresce

Tão simples catita cativa
Perfumes de céu azul
Calor extraído do amor
Em cores que arrebatam

Mário Feijó

07.10.17

sábado, 23 de setembro de 2017

O AMOR NOS SALVOU



O AMOR NOS SALVOU

Desde o momento em que eu te vi
Minha vida ganhou luz e cor
Tu abriste todas as minhas portas
E as janelas que davam para a felicidade

O amor nos salvou da escuridão
O amor veio nos ventos
O amor chegou nas brumas do mar
O amor desabrochou na primavera

E agora nas asas do vento
Nas entregamos à felicidade
Atemporal o amor nos envolveu
No tempo em que existimos

Sei que esperava por ti
Enquanto a vida passava lentamente
Eu estava aqui perdido
E foi assim que o teu amor me encontrou

Mário Feijó

23.09.17

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

MISTÉRIOS DA VIDA



MISTÉRIOS DA VIDA

Todos os dias eu me surpreendo
Com os mistérios da vida
Com as surpresas que temos...
Há muitas perguntas
E nenhuma resposta
Porque eu acredito
Em forças sobrenaturais
Que nos regem...
Acredito na energia do sol
Na força dos astros
No magnetismo do mar
E reverencio ao Deus
Que existe por trás de tudo isto...
Há mistérios ocultos na vida
Há perguntas na velhice
E respostas nos sorrisos das crianças
Há amor no desabrochar de uma flor
Há energia no crescimento de um fruto
Há perguntas no soprar dos ventos
Há respostas no desatino dos furacões
Há demônios disfarçados dirigindo nações
E anjos perdidos pelas ruas
Basta abrir os olhos...
Não podemos desistir do amor
Há poder na fé e nas orações
Temos que nos unir para nos proteger
Temos que praticar bons sentimentos
Não apenas cheirar as flores
Mas agradecer aos frutos que elas nos dão
Agradecer aos ventos que espalham vida
Pedindo que eles não se tornem furacões
Que a luz da vida
Não seja apenas a luz do sol
Mas a luz que irradia de nossos corações...

Mário Feijó

13.09.17 

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

MIL E UMA FORMAS DE AMAR




MIL E UMA FORMAS DE AMAR

Há muitas maneiras de amar
Para começar eu prefiro
Sempre a verdadeira:
Amor-amor
Amor-amigo
Amor-família
Amor-irmão
Amor-obrigação
Este último não me parece
Ser um amor verdadeiro
É um amor dependente
É o amor de quem ama
Porque deve algo
Porque quando algo fazemos
Não devemos esperar nada em troca
Na devemos esperar pagamento depois...
Amigo que diz que ama
E quando falamos a verdade
Logo fica de “mal” então, eu penso,
Este não deve ser um amigo verdadeiro...
Amor filial que quando
Não ganha mais dinheiro
Deixa de amar nasceu em lugar errado
Eu peço a Deus que o mundo o eduque...
Devemos sempre fazer o bem
Sem olhar a quem e nunca
Esperar nada em troca...
Há em mim uma felicidade
Em dar amor a alguém
Porque o amor se multiplica
No próprio gesto de amar...
Há sim muitas maneiras de amar
E que cada um encontre a sua
Sem esperar que o outro
Venha a lhe fazer algo em troca
Isto é evolução: nunca esquecer de amar!

Mário Feijó

11.09.17

domingo, 3 de setembro de 2017

INDEFECTÍVEL



INDEFECTÍVEL

Indecifrável
Indesejável
Indeciso
                Perdido

Sem saber para onde correr
Sabendo o que quer
Porém não consegue
Decidir o quer ser

Indefectível era o desejo
Indesejável era aceitar
Socialmente indeciso
(Perdido), na opinião dos outros

Um dia com cabelos prateados
Descobriu que a felicidade
Era tudo o que mais importava
Decidiu abrir os braços e amar

Mário Feijó

03.09.17

sábado, 2 de setembro de 2017

OS BRUTOS AMAM?




OS BRUTOS AMAM?

Homens são brutos
Homens dirigem a 100km/h
Em locais que limitam
A velocidade a 40km/h

Homens são violentos
Eles agridem
Eles se agridem
Para depois refletir

Homens não se preocupam com a saúde
Pensam que serão eternos por aqui
Homens têm medo de demonstrar
Suas fragilidades, amor, carinho

Homens são machos
Que pensam tudo poder
Empinam suas motos como se fossem pipas
E por serem irresponsáveis
Morrem primeiro que suas mulheres

Mário Feijó

02.09.17 

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

VISITA



VISITA

Ontem à noite
Enquanto tu dormias
Eu ouvia teus passos
Dentro de minha casa

Bateste às portas
Abrisse janelas
Estava ali tua alma
Só pra me visitar

Eu que acredito em Deus
Que acredito que somos espíritos
Pensei “deves estar com muitas saudades”
Para ter vindo me visitar

E orei para que
Continues bem vivo
Para que logo eu te abrace
No corpo que tens neste mundo

Mário Feijó

21.08.17

O AMOR É UM “CUIDAR” DO OUTRO



O AMOR É UM “CUIDAR” DO OUTRO

Amar é ‘cuidar’ do outro
Não importa a distância
Mesmo longe estamos perto
Basta querer...

É ter pelo outro
O carinho que a abelha
Tem com a flor

Há ali vida
Há ali sentimentos
Há ali necessidades múltiplas

E se você cuida de mim
Eu cuido de você
E na fragilidade da flor
Percebe-se a fragilidade do amor...

Mário Feijó

21.08.17

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

NÃO TE ESCONDAS



NÃO TE ESCONDAS

Nada é melhor
Do que você em meus abraços
Por isto eu peço
Por favor não te escondas

Não te escondas de mim
Nem tampouco de ti
Ou até mesmo da vida

Não te escondas
No perfume das flores
Não te escondas
No vento que me enlaça

Eu te quero, bem sabes,
Sem subterfúgios
Quero o teu corpo, tu’alma
Por favor, venha! Venha pra mim agora


Mário Feijó

18.08.17

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

A FESTA DE ANIVERSÁRIO (CONTOS)





A FESTA DE ANIVERSÁRIO (CONTOS)

                Carol estava feliz. Tudo em sua vida estava correndo da melhor forma possível. O filho cada dia ficava mais gracioso e já murmurava as primeiras palavras. Seu casamento com Pedro era um sonho concretizado e tudo se mostrava melhor na vida compartilhada a dois, do que antes já vivera.
Seu aniversário estava próximo, seria no mês de setembro e queria fazer uma grande festa para reunir os amigos e parentes. Seria a prova da sua superação depois de tantas perdas, mas principalmente porque ela transbordava felicidade. Pensou num churrasco e só de pensar já sentia o cheiro, coincidentemente os vizinhos faziam um e o cheiro chegava até ela. Começou a salivar, pensando nisto. Falara com Ana e já encomendara uma torta de abacaxi com recheio de leite condensado e coco.  Os 500 docinhos, falou com D. Rita, pediu desde brigadeiros a olho de sogra. Mas pensou também em encomendar 500 salgados. Afinal de contas eram todos os amigos e a família.
Tudo estava planejado com esmero e antecedência, o salão de festas estava reservado, ali mesmo no condomínio, afinal moravam em um condomínio fechado de primeira classe.
De repente sentira um arrepio, era o tempo mudando e a friagem entrava pelas frestas. Saiu para fecha-las antes que apanhasse um resfriado. Não queria adoecer e que algo saísse errado logo agora que estava tão perto da data.
Enquanto andava pela casa fechando as portas e janelas, sua cadelinha Lili, uma poodle micro-toy corria atrás dela mordendo a calça moletom que usava naquele momento, brincando e latindo querendo fazer festas.
Enfim chegara a data. O tempo havia esquentado. Já era quase primavera e aquele inverno não fora rigoroso. As árvores começavam a florir e no ar havia um perfume de flores que o vento suave se encarregava de espalhar pelo lugar e pela cidade.
Pedro percebia a sua felicidade e argumentava a si mesmo que jamais fora tão feliz. Jamais havia pensado que a vida de casado seria tão boa, como a sua estava sendo. E, depois da adoção do filho tudo ficara ainda melhor. Ele não media esforços para ajudar a esposa e colaborava com tarefas domésticas como trocar a fralda do filho, dar banho e colocar novas roupas na criança. Ajudava também com o asseio da cozinha e vez ou outra fazia um prato especial para o final de semana ou para uma determinada noite, quando abriam um bom vinho e papeavam sobre a vida e o trabalho. Tinham que se cuidar, pois ambos acabaram ganhando peso depois do casamento. Pensou “tenho que malhar um pouco mais”.
Doze de setembro! Chegou o grande dia para Carol distribuíra mais de cem convites pessoalmente e fez outros pelas redes sociais. Quase uma centena delas havia chegado. Viu que poucos faltavam.
No pátio havia um toldo onde um D.J. tocava músicas da atualidade e muito dançantes. Haviam combinado que depois ele faria uma sessão só com músicas dos nos setenta e oitenta, com os sucessos mais marcantes. Música boa de uma época boa, dizia Carol.
Naquela noite ela estava esplendorosa, seus olhos azuis sobressaiam no rosto, realçados pelo vestido de cetim com a mesma cor. Sobre os ombros usava um chalé branco. Pedro a admirava, entre embevecido e apaixonado.
A festa prometia ir até altas horas e enquanto tivessem convidados eles estariam ali com os amigos. O filho pequeno ficara na casa com uma babá...

Mário Feijó

17.08.17 

terça-feira, 15 de agosto de 2017

DIA DE SOL




DIA DE SOL

Nada é melhor
Que depois de dias de chuva
Dias fechados e frios
Um dia de sol

Acordar com você
Dentro do meu peito
(mesmo estando longe)
Sentir o teu corpo cheio de vida
E em devaneios entregar-me ao amor

Parece que o sol nos sorri
As nuvens somem todas do céu
O infinito fica completamente azul
(dizem que azul é a cor do amor)

No campo as flores se abrem
Os pássaros gorjeiam alegres
Como se a primavera já chegara
Efeito do amor, efeito dos dias de sol

Mário Feijó

15.08.17

sábado, 12 de agosto de 2017

DOCES LOUCURAS



DOCES LOUCURAS

Doces loucuras
São aquelas
Que fazemos
Por amor

Surpreender o outro
Com gestos de carinho
Beijos inesperados
Pequenos presentes

Fazer amor dentro do mar
Correr se roupas no campo
Amar dentro do carro
Em algum lugar deserto

Acordar com café na cama
Amar na hora do banho
Provocar lascívia
Beijando o corpo amado

Doces loucuras
Feito o vento que desnuda a flor
Feito a chuva escorrendo no rosto
Como se fosse felicidade derretendo

Mário Feijó

12.8.17

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

VOANDO



VOANDO

Talvez por insegurança
Tudo o que eu mais queria
Era ser por um só momento
Eterno

Eterno no amor
Eterno pra você
Eterno na memória de alguém
Para depois voar pelo cosmos

Eu poderia me perder no tempo
E dentro dele ser atemporal
Para voltar ao início de tudo
Agora que percebo minha finitude

O meu corpo nunca foi candidato
A ser algo eterno
E bem sei que sou, feito todos,
Candidato a ser pó no universo

Mário Feijó

11.08.17 

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

AS CONTRADIÇÕES HUMANAS




AS CONTRADIÇÕES HUMANAS

Por que será
Que as pessoas
Que dizem nos amar
São as que mais nos mentem?

São as que mais nos abandonam
Quando precisamos delas
Quando adoecemos
Ou quando ficamos velhos?

Justo nós que lhes dedicamos tempo
Quando ainda eram jovens
Que vivem em nossa memória
Desde o momento em que entraram
Um dia em nossas vidas

Alguns têm o nosso amor eterno
Outros apenas passaram como ex-amores
E alguns que se diziam amigos
Eu já tive amigos mais sinceros

Por isto sempre penso
Por que será que as pessoas
Que sempre nos juram amor
São as que mais nos mentem?

Mário Feijó

07.08.17

sábado, 5 de agosto de 2017

AVE CESAR!



AVE CESAR!

Bendito és tu
Entre os seres da terra
Tu que foste concebido
Em nome do amor
E que agora enches o lar
De teus pais e avós
Numa grande energia de amor

Ave Cesar
Um pequeno anjo
Que parece não ter asas
Mas que com sua energia
Protege aos que te rodeiam
Nesta aura de luz
Que agora nos trazes

Bendito sejas tu
Entre tantos pecadores
E que contigo venha muita luz
E muita paz para aqueles
Que irão te rodear
Velando para que sejas
Um ser abençoado
Agora entre os homens e mulheres
Que habitam este planeta...

Mário Feijó

05.08.17

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

ASAS QUE EU NUNCA TIVE



ASAS QUE EU NUNCA TIVE

Era tão grande a dor
Que parecia subir
Pelas pernas de minh’alma
E chegavam às asas
Que eu nunca tive

Amoleciam meus pensamentos
Que eram feitos apenas de nuvens
Carregadas agora no sopro do vento

E eu fui desmaiando meu corpo
Como quem tem uma brisa
Descoberta soprando distante
E eu estivesse ali no relento

Nem sorrir eu sorria
Apenas lamentava as dores d’alma
Como se elas morassem eternas
Dentro dos ossos do meu corpo

Mário Feijó

03.08.17

DEDICATÓRIA A UM LIVRO

DEDICATÓRIA A UM LIVRO

Este livro é meu
Tão meu
Que não empresto
Não vendo e não dou

Ele é um sonho realizado
E que depois de concreto
Não me deixou acordar

É apenas um livro de poemas
Um tesouro que sempre me encanta
E que me leva a fazer viagens

Não o pegue
Não o toque
Não o folheie
São meus sonhos que nele vivem

Mário Feijó
03.08.17


P.S. texto que dedico a um livro de poemas de Mia Couto, Poemas escolhidos. Cia das Letras. 2016.

segunda-feira, 31 de julho de 2017

DELÍRIOS POÉTICOS




DELÍRIOS POÉTICOS

“Só uma parte da existência cabe num poema.
A maior parte esbarra no muro das palavras
e permanece do lado de fora”
José Castello
In: COUTO, M. Poemas Escolhidos.  1ª. Ed. São Paulo : Cia das letras 2016

O poema é um delírio
Um momento de beleza
Em um instante de loucura
Na vida de um poeta

Ele (o poeta) tem os olhos
Que enxergam além do físico
Porque enxerga com olhos d’alma

Vê os encantos da vida
Na natureza das coisas
Nos eventos de cada sentimento
Na extensão de cada um

As palavras pouco dizem
O todo que o poeta vê
Em um mundo no qual
Ele é apenas o agente do sentir

Mário Feijó

31.07.17

DIA DO ESCRITOR




DIA DO ESCRITOR
Não pense você que só aqueles que têm livros escritos são escritores, mas todos aqueles que escrevem cartas, bilhetes, pequenos poemas, historiadores, pesquisadores são escritores.
É importante que registremos para a posteridade histórias que nos envolvem e que envolvem nossas famílias. Boas ou más histórias, mas eventos diários. Por isto é importante que não deixemos estas memórias morrerem e assim nos tornarmos eternos... imortais.
A todos os meus amigos escritores que estão na minha estante, a todos os meus amigos escritores, a todos os que vivem comigo histórias que morarão na minha memória ou que contribuem para a história da humanidade o meu carinho agradecido... Torne-se um escritor... escreva sempre e se possível leia-nos...
Mário Feijó
25.07.17

domingo, 30 de julho de 2017

LAMÚRIAS DE AMOR



LAMÚRIAS DE AMOR

Algumas pessoas
Procuram o amor
E quando encontram
Não satisfeitos
Continuam a procurá-lo
Em outros...

E quando perdem
Aquele amor que tinham
Por não saberem dar valor
Ficam a dizer que sofrem
Por não serem compreendidos...

Mário Feijó

30.07.17

segunda-feira, 10 de julho de 2017

A ENXURRADA

A ENXURRADA

“Restou a nós ficar olhando o vale arrasado. A chuva destruiu nossas plantações, levou toda a criação de animais domésticos, inclusive as duas vaquinhas que tínhamos”.
Este foi o relato da mulher, ao repórter que a entrevistava, no mês de junho passado, numa cidade do interior do Rio Grande do Sul, próximo ao Rio Uruguai, no sul do estado.
O casal desolado estava no alto do morro apreciando o volume das águas que não parava de subir. A mulher estava grávida havia sete meses, e no colo tinha mais um menino com pouco mais de um ano. Eram felizes, afirmara.
Simples, porém felizes e agora estavam desolados porque a única coisa que lhes restara foi a terra. Não sabiam o que fazer para recomeçar. Teriam que esperar as águas baixarem. Quase dois dias depois, o volume dos rios no Estado começou a baixar.
Quinze dias depois o volume dos rios no Estado começou a ficar normal. Houve lugares onde a água subiu 11 metros acima do normal. A comunidade empobrecida, das zonas rurais, começou a receber ajuda de outros municípios e até de outros estados. O poder público prometeu e não cumpriu, nem a ajuda de 2015. Agora em julho de 2017 começou a enviar uma parcela de recursos aos municípios em estado de calamidade pública.
As famílias recebiam ajuda de parentes e amigos e os que perderam suas casas estavam alojados no salão paroquial, algumas outras no ginásio coberto das escolas. Tudo muito precário.
O estado do Rio Grande do Sul está com as finanças falidas, o país diante da crise política dos últimos tempos vive situação semelhante. Tudo se torna difícil e caótico. No entanto o povo brasileiro e bravo e vai à luta. Geralmente quando a ajuda chega o problema já está quase resolvido. No entanto diante de tamanho caos uma perda como esta leva muitos anos para que as famílias se recuperem. Muitos acreditam piamente em tudo e esperam a ajuda divina para resolver seus problemas. Todavia Deus nem sempre está disponível para resolver todos os problemas que o próprio povo causa ao planeta, como: poluição e desmatamento e muitos dos desastres naturais são em consequência do descaso da humanidade. Vamos acreditar que podemos mudar isto e não esperar somente soluções vindas do poder público ou da ajuda divina.
Educação é o caminho. Nossa ação a solução. Vamos à luta e vencer esta batalha. Outros povos conseguem, nós conseguiremos. É nisto que eu acredito. É nisto que espero que as pessoas comecem a acreditar. Só assim as mudanças acontecerão e podemos todos ter uma vida com qualidade. O resto se Deus der é lucro!

Mário Feijó
10.07.17

P.S. Trabalho executado na Oficina Literária Itinerante “Mário Feijó”

(usar a imagem como referência na criação de um texto)

quarta-feira, 5 de julho de 2017

SER INVISÍVEL







SER INVISÍVEL

Éramos seis irmãos e ainda somos, antigamente mais unidos que hoje. Criança faz barulho: corre, grita, canta, brinca. Os quatro mais velhos tinham no máximo um ano e três meses de diferença entre um e outro. Éramos unidos, mas brigávamos bastante por qualquer coisa, mas nada muito sério, igual à maioria das famílias. Passados dez anos nasceram mais dois e completou-se o grupo de seis irmãos. Sendo eu o mais velho.
Muitos filhos, para os tempos de hoje, penso eu, porém dois irmãos de meus pais tiveram dezessete cada um. Crescemos crianças com pouco amor e atenção dos pais. Eu me sentia invisível aos olhos deles, principalmente para meu pai, que parecia ter seus olhos todos voltados para minha irmã, a terceira de todos.
Ganhei a responsabilidade informal de ser o tutor de todos, ai quando alguém fazia uma diabrura – uma arte qualquer que desagradasse meu pai, ou que minha mãe queixosa contasse a ele – eu me tornava visível e a “Iracema tira a teima” entrava em ação no meu lombo ou qualquer parte do corpo. Era dolorido e cruel, eu lembro (Iracema era uma vara ou cinta que servia para nos castigar). Porém na maioria das vezes era somente eu quem apanhava as surras, os outros eu não lembro se foram surrados alguma vez.
Cresci e fui cuidando mais de mim. Logo me tornei adulto e tive uma família para criar e sustentar, afinal de contas casei com 23 anos. Nunca deixei de me preocupar com meus pais, enquanto estiveram vivos, nem com minha avó, que faleceu com 97 anos. Tampouco deixei de estar vigilante com minhas tias. Sempre as visito, principalmente as da família da minha mãe.
Hoje estou morando sozinho, mas minhas “antenas” estão sempre ligadas em relação à família que cresceu muito: atualmente são quatro filhos e oito netos. É muita gente para cuidar e eu estou chegando numa idade que sou eu quem precisa de frequentes cuidados. Está muito claro que se precisarem é só ligar e estou presente. No entanto eu me sinto invisível aos olhos deles.
Gostaria muito de ser invisível – literalmente – e sei que a oportunidade acontecerá tão logo eu morra, aí poderei saber se o amor que plantei nos corações ainda existe, mesmo que tarde.
Sei, ainda, que ninguém é eterno, porém o amor e as coisas que fazemos a quem amamos torna-nos imortais, como se fossemos escritores numa academia de letras da vida...

Mário Feijó
05.07.17


PS. Trabalho produzido na Oficina Literária Mário Feijó

segunda-feira, 3 de julho de 2017

A ADOÇÃO: E AGORA? A CRIANÇA É NEGRA - CAPITULO IV


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A ADOÇÃO: E AGORA? A CRIANÇA É NEGRA

CAPITULO IV

Sim. Pedro e Carol resolveram atender ao chamado telefônico. Assustados pensavam no drama recentemente vivido no Rio de Janeiro.
O número                 tinha o prefixo 21, porém era da tia de Cleia, a amiga de trabalho de Carol, única conhecida naquela cidade. Haviam deixado com ela o número de Pedro para o caso de resolver problemas possíveis com a perda de documentos e telefone no Rio.
Tia Lia tinha recebido uma ligação da polícia informando que haviam prendido uma gangue e com eles estavam o telefone e os documentos de Carol. Era incrível isto, e tia Lia se encarregara de mandá-los por SEDEX.  
Deu pra relaxar um pouco de toda a tensão sofrida no último mês.
Vida voltando ao normal. Retornaram ao trabalho. Carol resolvera contar todo o drama vivido até o casamento para Cleia, pois eram amigas desde a infância. Não tornar pública toda a história que sofrera, principalmente para a família, mas confiava em Cleia. Trabalhavam juntas há algum tempo e a amiga entrara na empresa por indicação de Carol.
Em contrapartida Cleia contou o drama de uma sobrinha, meio cabeça de vento, que morava com ela e a mãe. A menina tinha 17 anos estava grávida pela terceira vez e decidira que entregaria o bebê para adoção. Até pensara em abortar, mas os mais próximos resolveram influenciar e indicar este caminho.
Carol fora pra casa tocada com a história. Talvez pela perda recente de um bebê e começou a pensar na trajetória daquele bebê que ninguém iria saber onde iria parar. Isto estava lhe incomodando, fragilizando. Falou com Pedro, quase um mês depois. Ele, a princípio nada disse, até que no final de semana falou:
- Se você quiser abraço esta causa com você. Vamos fazer tudo o que é necessário para adotar esta criança.
Começaram por ajudar Luana com médicos, remédios e pré-natal. Carol tinha uma amiga médica que se encarregou de tudo, para evitar um contato direto, e Cleia prometera não contar à Luana quem adotaria seu filho, visto que Pedro tinha uma amiga na Universidade que pertencia à Associação de Pais de Crianças Adotadas que ajudou e entrou na história.
Dra. Miriam se encarregou de fazer o parto, numa maternidade Pública, porém em quarto particular. A moça mãe não teria contato com o bebê que sairia da maternidade com a tia e a garota e na rua entregariam à Cecília, amiga de Pedro. Tudo muito discreto e planejado com cuidado. Tudo transcorrera normalmente até o dia do nascimento do bebê. Com todos estes cuidados, burlaram a adoção e registrariam como filho o menino recém-nascido.
Luana teve alta e na saída da maternidade Cleia veio até o carro, onde estavam Cecília, Pedro e Carol, todos ansiosos e nervosos e entregou aquele pequeno embrulho cheirando a sabonete, enrolado com as roupas que Carol havia comprado. Cleia jurara jamais contar o paradeiro do bebê à sobrinha, que não pareceu se importar muito com isto.
Carol pegara a criança delicadamente enrolada naquele cobertor e nada dissera. Encostara seu rosto no tecido e deixou uma lágrima rolar, tão emocionada estava. O cheirinho do bebê foi tomando conta dela que parecia sentir o mesmo quando seus outros filhos nasceram. Estava feliz. Acolhera aquele bebê ao peito e o instinto materno tomou conta dela. Por incrível que pareça sentiu o peito arder e logo depois ficar molhado. Seu peito estava inchado nos últimos dias e sentiu escorrer no corpo um líquido quente. A espera fez com que ela tivera uma gravidez psicológica e agora seu peito jorrava leite. Parecia um milagre, mas já ouvira casos assim.
Foram pra casa, onde tudo estava preparado. O quarto do bebê todo pintado de azul. Havia armários com carrinhos e alguns brinquedos que os filhos de Carol haviam mandado, para mostrar que aprovavam a ideia de um irmão (quem sabe a mãe pararia de lhes cobrar um neto).
Pedro entrou na dança. Estava feliz com a ideia de ser pai. Nunca pensara que estaria tão feliz.
Chegando em casa e colocou o bebê no berço e fora tomar um banho pois estava toda molhada. Ao sair viu que o menino chorava com fome. Ela já havia comprado leites especiais. Ligou pra médica contando o que aconteceu e perguntou se poderia amamentar o bebê. A médica respondera que sim, mas que gostaria de examiná-la naquela mesma tarde.
Colocara um roupão e destapou a criança. Incrível! Sentia como se fosse tão seu que não tivera nem a curiosidade de ver o rostinho do bebê. Agora tinha o maior susto da vida. A criança era negra. Não havia se preocupado em saber nada e agora tinha um filho natural e negro. Será que fora trocado? Resolvera ir com a criança à médica.
Por que não perguntara nada a Cleia. Por que ela nada lhe dissera, já que a sobrinha era branca. Conhecia toda a família. Não era amiga intima, mas conhecia de vista todos e não lembrava de ter negros na família de Cleia.
Pedro, tão logo passara a surpresa, logo se apaixonara pelo bebê. Nunca tivera preconceito, mas Carol vivia um drama. Sua família era preconceituosa. Sabiam que teriam futuros problemas.
Chamou Cleia em sua casa e pediu que esta contasse toda a história da sobrinha e de quem era o pai da criança. Ela falou que o namorado de Luana era um negro haitiano que chegara há pouco tempo ao Brasil. Luana nem lhe contara sobre a gravidez porque, segundo ela haviam apenas “ficado” e nem houve namoro. A moça era uma típica brasileira, onde há na família todas as raças, mas era loira e tinha olhos azuis.
Passaram-se os dias e ela foi se apaixonando pela criança que ficava cada dia mais linda, aos seus olhos. Todos começaram a esquecer a cor e a beleza exótica do menino começou a prevalecer, encantando a todos.

Mário Feijó

03.07.17

domingo, 2 de julho de 2017

EMBARALHADO



EMBARALHADO

Tudo dentro de mim
Está muito embaralhado
Até ontem eu queria
Apenas um amor eterno
Hoje eu descobri que você
Estará eternamente em mim

E num susto eu tenho medo
Um medo enorme de te perder
Eu não saberia mais
O que fazer sem ti

Tive muitos amores
E jamais morri de ciúmes
Por qualquer um deles
Confesso que tenho ciúmes de você

Estou assim embaralhado sozinho
Querendo correr para teus braços
Penso que todas as formas de amar
Sempre valerão à pena
E tudo o que eu mais queria
Era viver este meu eterno amor

Mário Feijó

02.07.17

sexta-feira, 30 de junho de 2017

ABENÇOADO EU



ABENÇOADO EU

Eu me abençoo
Desde que perdi vovó
Pois era ela quem me abençoava
Todos os dias que eu vivi
E todos os dias que ainda viverei

Eu nem sabia
O que era isto
Quando ainda era um anjo
Abençoado pelos céus

Vivia na terra
A voar de flor em flor
Sou apenas uma criança
Que perde o juízo ao envelhecer

E para não descompensar
Eu vou me abençoando
Para que deixe aos filhos e netos
Todas as minhas bênçãos que sobraram

Mário Feijó

30.06.17

quarta-feira, 28 de junho de 2017

CARTA A UM AMOR PERDIDO




CARTA A UM AMOR PERDIDO

Osório, 13 de junho de 2017

Querida Maria de Fátima

                Eu lembro de ti, com 17 anos, sorriso frouxo, boca deliciosamente fresca, beijo de jabuticaba madura, uma adolescente linda e magricela, pela qual me apaixonei.
Houve uma vez em que eu te beijei (foram poucas as vezes) e achei que tinha estourado na minha boca uma jabuticaba madura, doce, fora muito doce aquele beijo. Foi algo tão inusitado que eu nunca esqueci. Eu era um rapaz que tinha feito recentemente 20 anos e tinha passado no vestibular. Bobo, inexperiente, magricelo e ridiculamente feio (era isto que eu pensava de mim).
Hoje eu penso que terias sido meu amor da vida inteira. A vida embaralhou as nossas vidas e eu te perdi por uma bobagem à toa eternamente. Nunca mais te vi. Nunca mais tive notícias tuas, mesmo tendo te procurando depois dos meus términos de casamentos, tanto depois do primeiro, quanto depois do segundo. Já haviam se passado trinta e cinco anos daquele beijo. Ninguém te conhecia no lugar onde antes moravas, nem souberam dar notícias sobre a família.
Hoje já deves ter um pouco mais de sessenta anos e eu sinto saudades do que nunca fomos. Sinto saudades de ti, como se fosse ontem. Penso: como será que tu estás? Terás tido filhos? Netos? Será que casaste? Será que foste ou és feliz? Como será que estás?
Tu bem sabes que eu fui imatura em ter cedido aos avanços da Terezinha que corria e se oferecia para mim como se fosse laranja madura, na beira da estrada. Eu não era apaixonado por ela, mas não resisti à minha sexualidade que estava à flor da pele e cedi aos encantos dela. Culpa minha, confesso, mas o que fazer? Eu era bobo e inexperiente. Não fiquei com ela, mas por causa dela te perdi para todo o sempre.
Eu casei, descasei algumas vezes. Tive cinco filhos e tenho oito netos. Hoje vivo um amor, que, para a nossa época seria proibido. Sou feliz, mas tenho uma saudade infantil e juvenil do teu riso e dos teus beijos. Escrevi um poema que está publicado no meu livro de poemas PERMITA-SE! Cujo título é OS BEIJOS QUE EU NÃO TE DEI, considero um de meus melhores poemas. Pensava em ti na hora da escrita.
Ria Fátima. Você nunca envelheceu para mim e se hoje não és mais aquela menina risonha e amorosa, deixe-me só com estas lembranças.
Querida Fátima, hoje eu moro no Rio Grande do Sul, litoral, uma delícia. Tenho amigos adoráveis como: Heloisa, Marlene, Silvania, Graça, Sandra, Bela, Egon, Lucimar, Regina e tantos outros, e até um amor que te surpreenderia pela contemporaneidade. Nossas praias litorâneas são lindas, apesar de extensas e ventosas, mas venha passear por aqui qualquer dia. Quiçá fazer uma aula de literatura, piqueniques na beira da lagoa ou até mesmo jogar cartas conosco.
Espero que não me surpreendas sendo uma velha senhora amarga, gorda e desdentada por ter um dia perdido um amor, que pensava não correspondido e te exilado da vida porque meus sonhos libidinosos e juvenis contigo tornar-se-iam pesadelos. Ainda és o meu conto de fadas num livro delicioso que me foi arrancado das mãos quando eu estava prestes a ler o final.
Onde será que vou te encontrar? Onde será que lerei a última página de nossa história inacabada?


Mário Feijó

P.S. exercício da Oficina Literária Mário Feijó, onde os alunos fariam uma carta a um amor do passado. Seja este amor fictício ou verdadeiro, convidando-o para visitar o autor na cidade onde hoje reside.