segunda-feira, 18 de março de 2019

PERMITA-SE... Mário Feijó - Poemas e Artes Plasticas: DESTINO IGNORADO

PERMITA-SE... Mário Feijó - Poemas e Artes Plasticas: DESTINO IGNORADO: DESTINO IGNORADO A minha vida é assim Um destino ignorado Amanhã não sei onde estarei Hoje me perco no que sou Algum...

DESTINO IGNORADO





DESTINO IGNORADO

A minha vida é assim
Um destino ignorado
Amanhã não sei onde estarei
Hoje me perco no que sou

Algumas vezes sou apenas um sonho
Que em algum momento vira fumaça
E vai se perdendo no tempo

Noutras eu mergulho mar adentro
À procura de meu “eu perdido”
Querendo estabelecer elos com a realidade

Agora me contento em viajar pela poesia
Sou flor em botão se abrindo
Exalo um gostoso perfume
E voo nas patas de uma abelha para virar mel

Mário R. Feijó
17.03.19

domingo, 17 de março de 2019

COISAS BOBAS




COISAS BOBAS

Eu já escrevi muita coisa boba
Porém não vejo pecado nisto
O que eu vejo como um grande pecado
É não ter ideias, não escrever o que penso

Se eu sinto dor
Envolvo-me nela
Produzindo antídotos
Curando com amor

Se o mal do dia for a solidão
Eu viajo nas leituras
Vejo um bom filme
Ou danço uma música comigo

Não estou só
Tenho meus sonhos
Vivo de amor
E o coloco nas coisas que crio...

Mário Feijó
17.03.19

sábado, 16 de março de 2019

QUEM DÁ MAIS?




QUEM DÁ MAIS?

Algumas vezes eu me pergunto
Quem dá mais pela minha vida
Deus ou o Diabo?

Existem horas que eu penso
É difícil suportar tudo o que me acontece
E não é pouca coisa

Tento ajudar às pessoas
Mas quem me ajuda quando preciso?
Amo intensamente até a quem desconheço
Mas quem me ama assim?

Não existem momentos fáceis
Sou um Quixote lutando contra o invisível
Todo mundo me acha muito feliz
Mas pra quem vou reclamar?

O Diabo tem feito peripécias comigo
Os anjos de Deus tiraram férias de mim
Será que o “Todo Poderoso” dormiu
Minha vida virou uma filial do inferno
E eu me nego a ser seu atendente...

Mário R. Feijó
Jan. 2019

sexta-feira, 15 de março de 2019

SAPATINHO DE LÃ




SAPATINHO DE LÃ

Outro dia encontrei um sapatinho de lã caminhando sozinho (geralmente eles andam aos pares). Não sei se era um sapatinho de menino ou menina. Não era rosa, nem azul, o que talvez já desse uma pista sobre o gênero de seu ou sua dona. Era um sapatinho verde, de lã macia, mas estava gelado, não havia nele calor humano ainda.
Tinha o laço desfeito. Talvez nem tivera recebido, ainda, um laço, quem dera sentira um cheiro, um afago, um abraço. Sapatinhos de lã inspiram tudo isto, mas este estava perdido. Tinhas pelos desfiando e havia nele uma gota (de chuva ou lágrima, eu não saberia dizer). Pensei: - será que a vovó que o tricotou gotejara lágrimas emocionadas de amor? Será que já se passara muito tempo, desde que ele se perdera? Caíra de alguma bolsa ou de algum pezinho infantil e se soltara por estar desamarrado? Todas estas questões pensei quando o vi.
Não resisti e o recolhi o pobrezinho levando-o para casa. Sei que ficará eternamente órfão dentro de uma gaveta, porém não estará mais ao relento perdido. Vez ou outra eu posso acaricia-lo pensando em meus filhos crescidos que foram construir seus ninhos ou nos netos (alguns também já crescidos).
Quem poderá dizer qual o pé ele iria agasalhar. Qual o bebê ficou com um pé descalço e gelado quando o sopro de uma brisa tocar seu corpo?
Eu sinto arrepios toda vez que sinto o vento na janela e percebo que o sapatinho verde de lã não serve em meu pé...

Mário Feijó
14.03.19

segunda-feira, 11 de março de 2019

FLORES ETERNAS


FLORES ETERNAS

Eu vivo numa época
Em que não dá
Para ter receio de existir
Sofremos desde meninos

A vida é para quem tem coragem
Afinal de contas vencemos a corrida
Quando chegamos ao óvulo
E de lá pra cá a luta continua

As flores têm vida curta
Animais pequenos e peixes
Vivem menos que nós
E todos os ciclos são aprendizados

Minha vida tem sido uma lição
Que me faz crescer
Ao mesmo empo em que planto flores
Qualquer hora as sementes brotam

Mário Feijó
10.03.19

quinta-feira, 7 de março de 2019

PRETO OU VERMELHO?




PRETO OU VERMELHO?

Eu decidi ser feliz
Por isto levantei todas as âncoras
Que me prendiam
A um porto seguro

Icei minhas velas
Esperando que ventos promissores
Levem-me por mares desconhecidos

Não apostei minhas fichas em ninguém
Isto eu já tinha feito
Em outras vezes e perdi
Agora estou apostando em mim

Não me importa se der preto ou vermelho
Apostei em todas as cores
O mar agora é pra peixe sim
E o céu não tem nuvem alguma

Mário R. Feijó
07.03.19

segunda-feira, 4 de março de 2019

COLAGEM


COLAGEM

Agora sou um mosaico
De todas as emoções vividas
Algumas foram somente de alegria
Porém a maioria foi de aprendizado

Eu não sento à beira do caminho
Esperando a tristeza passar
Ela não é minha escola favorita
Eu prefiro as alegorias da Felicidade

Se não for assim desisto
Não sambo, nem sinto a música
Prefiro o samba enredo
Que eu mesmo escrevi

Sou feito de colagens
De todos os momentos
As alegrias eu curto
E com as tristezas aprendo...

Mário Feijó
04.03.19

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

UM OLHAR NO INFINITO




UM OLHAR NO INFINITO

Da minha janela
Vejo o horizonte infinito
É como se eu olhasse dentro de mim
E visse lá o amor que tenho

Perco-me no olhar o mar
Perco-me dentro de mim
Vejo-te na distância
Encontro-te nas lembranças

Não deveria ser assim
Amores deveriam ficar grudados em nós
Feito ostras que se grudam em pedras
Mesmo quando o mar lhes açoitam

Sei que eu não deveria me perder
Mas preciso de você
Para encontrar a minha liberdade
E para viver os dias que me restam

Mário Feijó 
23.02.19

sábado, 23 de fevereiro de 2019

COLAR PARTIDO




COLAR PARTIDO

Um simples beijo
Não deveria
Descongelar um iceberg

Porém em mim
Tudo descongela
Quando teus lábios
Tocam a minha pele

E a geleira
Que parecia indestrutível
Derrete-se
E eu me fragmento

Todos os meus pedaços
São contas de um colar
Que se arrebenta
E eu passo a rolar sob seus pés

Mário Feijó
23.02.19

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

LIBERDADE: ESTOU ME LIBERTANDO





LIBERDADE: ESTOU ME LIBERTANDO DE MIM

Todos nós alguma vez na vida já se sentiu prisioneiro de si. Neste momento eu estou escolhendo me unir a alguém, para me tornar livre.
É muito bom quando a gente descobre na vida que ama intensamente e que também é amado com a mesma intensidade.
Desde adolescente eu nunca me senti assim. Só me sentia tão amado, quando era criança, por minha avó: Felicidade.
É o que eu penso. E já casei algumas vezes, amei intensamente, noutras nem tanto, mas sempre havia algo de egoísta nos amores vividos, vejo isto agora. Tive cinco filhos, tenho nove netos, alguns até criei como se fossem filhos, mas ninguém me ama com a força que eu esperava, e eu me sinto amado agora, não porque sou homem, ou uma coisa, mas porque sou um ser humano. Um ser humano criativo e que inspira orgulho. E por este motivo eu quero registrar que tudo o que eu criei, seja um bem material ou imaterial, como as ideias eu quero deixar pra você: meus quadros, meus livros, minhas artes em geral. Tudo será teu.
Algumas pessoas, ao envelhecerem são interditadas, por filhos, ou outros que se intitulam herdeiros porque jamais entenderão que, o muito ou pouco que construímos, queremos que continue com quem nos dá amor. Já ouvi histórias de pessoas que deixam tudo o que têm para seus gatos ou cachorros. Eu penso que, se fui à luta, tentando construir algo, também posso decidir deixar para quem eu quero. E, neste momento, tudo o que eu tenho por mais simples que seja, quero que fique com você.
E, quando os dias clarearem, como nesta manhã ensolarada de vinte de fevereiro de dois mil e dezenove eu só não posso te dar as estrelas que estão presentes nas noites vividas porque você já é o sol dos meus dias e neles posso até ver as estrelas que tu colocasses em meu olhar.
Eu queria lembrar agora do dia em que nos vimos pela primeira vez. Éramos apenas dois seres humanos perdidos, querendo descobrir o amor. Nunca foi nossa intenção fazer o mal para alguém, estávamos apenas tentando ser felizes. Eu aprendi a ser feliz contigo, embora alguns achassem que estávamos fazendo o mal a elas. Há sempre alguém que acha ser o dono de alguém. Eu era apenas prisioneiro de mim, e muitos assim o são, ou se tornam prisioneiros de outros. Eu estou me libertando de mim, para ser teu, sem me aprisionar a ti, nem quero que sejas meu prisioneiro.
A verdade é que minh’alma encontrou resquícios de mim em ti, porém eu sou um pássaro viajante do tempo, sempre procurando alguém em algum momento desta infinita jornada. O universo é muito grande e há nele uma infinitude que assusta qualquer alma solitária.
Estou neste planeta por um tempo longo demais e ao mesmo tempo tão curto se comparado à Criação.  E, neste lapso de tempo em que aqui estou, não quero perder mais tempo com infelicidades, sejam as minhas ou as dos outros, quero você por perto, olhar nos teus olhos e me sentir seguro. Quero olhar para o reflexo do sol sobre o mar e não ter medo de que a qualquer momento este oceano possa me tragar numa tsunami.
Eu estou me libertando de mim. Estou me entregando a você, da mesma forma que um filhote de pássaro emplumado abre as asas e voa porque eu sei que é em você que mora a minha liberdade.

Mário Rogério Feijó
20.02.19

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

ÁGUA MOLE EM PEDRA DURA


ÁGUA MOLE EM PEDRA DURA

Por que depois de tanta dor
Aquela que mais me dói
É a dor do desamor?

É a dor onde você foge
Toda vez que eu te procuro
E fico sem saber por onde
Mas te vejo no mesmo lugar

Você utiliza uma forma estranha de amor
Uma maneira estranha de amar
É onde você não diz nada
Usando a forma de amar de uma pedra

Nestas horas eu me sinto oceano
Sempre a bater na pedra por amor
E você age feito pedra que apanha
Para não dizer que sabe amar

Mário Feijó
11.02.19  

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

PARABÉNS PRA VOCÊ...


PARABÉNS PRA VOCÊ...

Parabéns pra você, nesta data querida! Muitas felicidades... muitos anos de vida...
É assim que eu lembro do meu primeiro aniversário, aos quatro anos de idade.
Minha mãe e minha avó me apresentaram um pequeno bolo redondo, todo branco de glacê, com bolinhas prateadas, não daquelas miudinhas, mas daquelas grandes. Lembro que na época eu pensei “parece um bolo de casamento”. Ficou parecendo pérolas enfeitando uma linda joia. Estava lindo.
Este foi o primeiro aniversário que eu lembro. Se houve outros antes eu não sei, porém a minha felicidade era tão grande que eu lembro como se fosse meu primeiro evento na vida. Eu nunca fui tão feliz quanto naquele dia. Eu tive que soprar as velinhas. Elas eram uma montoeira: quatro.
Depois minha avó (D. Felicidade) perguntou:
- quantos anos você faz, meu filho?
E, eu, risonho e feliz, abri minha mão e mostrei meus quatro anos numa mão cheia de dedos.
Minha mãe corrigiu dobrando um deles pra traz...


Há dois meses eu fiz sessenta e sete anos e nem lembro se estava só ou acompanhado. Com certeza ninguém cantou parabéns para mim. A vida passa e tudo vira uma coisa sem importância, comum.
Os filhos vão embora, constituem família e ficam com vergonha da gente. Os estranhos sentem orgulho em ser nossos amigos. Os filhos, vergonha.
Hoje eu já não tenho mais dedos para mostrar a quantidade de anos e se pudesse talvez as dores articulares me impedissem de dobrar algum deles.
Toquemos a vida cantando ou não “parabéns pra você”. Vagarosamente vamos descobrindo outras músicas que nos alegram e passamos a dançar “conforme a música”...

Mário Feijó
06.02.2019




terça-feira, 29 de janeiro de 2019

COM VOCÊ VEJO ESTRELAS





COM VOCÊ VEJO ESTRELAS

Eu não tenho medo de amar
O que eu tenho mesmo
É medo de te perder

E eu vejo que estou
Perdendo-te no tempo
Porque a vida tem nos desencontrado

Contigo eu queria apenas
Ver a luz do amor
Porque sempre me fazes ver estrelas

Eu queria sempre olhar o céu
E ver com você todas as estrelas
Porque sei que és meu sol

E toda vez que o vento soprar
Eu queria ouvi-lo me dizer
Que o tempo não existe
E que eu vou me encontrar em você

Mário Feijó
28.01.19

quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

SONO DE PAZ




SONO DE PAZ

As dores ela já não sentia mais
Porque dentro de seu peito
Havia somente angústias  

Era como se aquela metástase
Que lhe extirpara os seios
Agora corroessem os seus pensamentos

E em desespero ela se agarrava
A toda esperança
Que lhe corriam pelas veias

De repente num susto
Ela percebera que não estava só
Havia braços fraternos ao seu redor
Desta forma pode relaxar e dormir

Mário Feijó
24.01.19

“ESTÁ NA HORA DE PARAR DE SENTIR MEDO”




“ESTÁ NA HORA DE PARAR DE SENTIR MEDO”

É chegada a hora
De parar de sentir medo
E enfrentar tudo aquilo que nos trava

O medo é uma espécie de culpa
Que nos impede de usufruir
De uma possível felicidade
Diante de tudo que é novo

E o novo significa mudança
Porém mudança dói
Dilacera a alma
E nos impede de mergulhar no escuro

O escuro pode ser um abismo
Feito a água que renova
Para viver uma nova vida
Então é chegada a hora: de parar de sentir medo

Mário Feijó
24.01.19

quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

AGASALHANDO TEMPESTADES





AGASALHANDO TEMPESTADES

Longe... não muito longe
A tempestade passava
Desta vez silenciosa

Parecia querer fazer surpresas
Rodeou os quatro cantos da rosa
Que era dos ventos

No entanto bem no centro
No lugar onde eu estava
Ela só fazia sombras no céu

A tarde tornou-se gris
E quando a noite chegou
Agasalhou a tempestade
Que em seu colo, sumiu chorosa

Mário Feijó
23.01.19

terça-feira, 22 de janeiro de 2019

EM SEU OLHAR




EM SEU OLHAR

Seus olhos pareciam
O leito seco de um rio
Não havia uma gota d’água

Agora por ali
Só escorriam tristezas
Mágoas? Eu nem sei se as tinha
Mas dava pra ver lá no fundo uma angústia

E para a vida passar mais rápido
Ela girava feito a lua
Gravitando em torno da terra

Outro dia eu vi
Tempestades lunares em seu olhar
Porém não havia uma gota d’água
Apenas pedras soltas cheias de limo

Mário Feijó
22.01.19

segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

COITADAS DAS BRUXAS


COITADAS DAS BRUXAS

É sempre assim
Estou sempre rezando
Pelo bem de alguém
Queria saber se alguém reza por mim?

Outro dia eu soube
Que uma bruxa rogou-me uma praga
Ah! Coitada da bruxa
Caíram-lhe todos os dentes

Chego à casa de minha tia
Que senil diz: “vou orar por você”
Mas até pouco tempo
Bastava eu dar as costas, falava mal de mim

Não importa o que façam
Teço rezas pela bruxa e pela tia
É uma forma do mal não me pegar
Coitadas de suas vassouras...

Mário Feijó
14.01.19

quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

DIZEM... NÃO IMPORTA O QUE DIZEM...




DIZEM... NÃO IMPORTA O QUE DIZEM...

Eu queria poder
(Embora parecesse louco)
Chegar à janela e gritar
Até ficar rouco

Era isto o que queria
Neste momento fazer
Colocando pra fora
Todos os demônios

Que me atormentam
Que infernizam minha vida
Causando tanto prejuízo
Ao meu bem viver

Porém sou “normal”
Como todos os anormais
Tenho que ser certinho
Para não ser taxado de marginal

É tarde demais
Já abri a janela
Já gritei para o mundo
Que não posso mais viver sem ti

Mário R. Feijó
02.01.19

quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

A CRIANÇA ENVELHECEU






A CRIANÇA ENVELHECEU

Enquanto brincávamos de amor
O tempo passou tão célere
Que eu não vi
Que deixara de ser criança

As ruas ficaram escuras
O meu quarto silencioso
E minha cama fria
A pele enrugada apenas se arrepia

E quando eu procuro
A criança que havia em mim
Vejo meus cabelos encanecidos
E a pele craquelada pelo tempo

E o meu coração já não palpita
Não se mete mais em aventuras
Ele apenas bate calado
E aceita o seu próprio destino

Mário Feijó
25.12.18



terça-feira, 25 de dezembro de 2018

O SENHOR É MEU PASTOR (Inspirado no Salmo 23)




O SENHOR É MEU PASTOR
(Inspirado no Salmo 23)

O Senhor é meu pastor
Na minha vida
Nas minhas ações
Porque eu tenho fé

Por isto nada me faltará
E quem tem fé
Não teme as dificuldades
Porque o Senhor é seu guia

Se por acaso
Eu me perder pelo caminho
O Senhor irá me conduzir à luz

Ele me salvará
E me conduzirá ao vale do amor
E pelo amor eu serei salvo

Mário Feijó
25.12.18

segunda-feira, 24 de dezembro de 2018

A RAZÃO DE TUDO





A RAZÃO DE TUDO

Tudo é tão efêmero
Que não devíamos nos contentar
Com o que nos é palpável
Eu adoro tocar estrelas

Quando o vento soprou
Eu acreditei em suas verdades
E ele foi tão forte
Que me dividiu em metades

Sou metade de mim
Que vive numa metade tua
Porém algumas metades são irreais
E ficamos a nos procurar

Agora eu sou apenas
Uma luz que se extingue em meio à escuridão
Enquanto tateio às cegas
Achar uma razão para tudo no fim do túnel

Mário Feijó
24.12.18



sábado, 22 de dezembro de 2018

VEM DANÇAR COMIGO





VEM DANÇAR COMIGO

Ah se eu pudesse
Agora, neste momento,
Tudo o que eu mais queria
Seria ter você em meus braços

Depois sair pelo salão a bailar
Um, dois, três passos
Colando o meu corpo ao teu
Ao som de uma bela música

Um passo, dois passos
E nossos corpos ficariam
Livres de todos os pesadelos
Que a vida às vezes impõe

Então vem dançar comigo
Um, dois, três
Apenas três passos sonhando,
Voando, como se fossemos pássaros

Mário Feijó
22.12.18

quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

DESTINOS




DESTINOS

e na beira do mar
onde os destinos caminhavam
descalços na areia escaldante da praia
a mula cabisbaixa não tinha destino

era impelida a ir para a frente
como todos nós fazemos
quando saímos a caminhar pelo mundo
perseguindo uma meta ou apenas descansando

à frente a vastidão do mar esmeralda
faz com que sonhos fervilhem
dentro da minha cabeça
fazendo-me voar na imensidão

eu sou apenas uma gaivota desgarrada
que não se assusta diante da beleza
seja ela da terra, do ar ou do mar
porque nela eu sinto a harmonia de Deus

Mário Feijó
Aracaju SE... 08.12.18 10hs AM

A SUAVIDADE DE TEUS BEIJOS





A SUAVIDADE DE TEUS BEIJOS

eu tentei de todas as formas
segurar com as mãos o vento
mas ele parecia selvagem
como se fora um corcel alado

e entre meus dentes
eu retive
todos os beijos que
com desejo eu queria te dar

na minha pele ficou
apenas o arrepio
e a excitação do desejo

o vento se foi
comigo ficou o afago
de uma brisa suave
feito teus lábios
quando percorrem meu corpo...

Mário Feijó
08.12.18

ENTRE O PRAZER E A DOR





ENTRE O PRAZER E A DOR

E numa explosão de cores
Você foi saindo de mim
Como se fora um arco-íris
Para se alojar no céu, depois da chuva

Eram lágrimas de felicidade
Que caiam naquele solo seco, infértil
Porque ali era “terra do nada”

Nada se cria
Nada se sonhava
Nada se fazia
Era apenas limiar do pesadelo

E eu quase gritava
Por prazer e por dor
Descobrindo que aquilo não era amor
Era apenas o caminho para um oásis

Mário Feijó
12.12.18

quinta-feira, 29 de novembro de 2018

COISAS QUE NÃO QUERO PRA MIM





COISAS QUE NÃO QUERO PRA MIM

Eu não quero pra mim
A falta de sonhos
Não quero amigos que traem
Filhos que mentem
Um amor que tudo esconde
Tampouco quero dias de solidão
Cansei das noites de frio
Ou de ficar escutando vendavais

Eu não quero ver rios secos
Água poluída
Dores na alma
Boca seca
Saudade de pessoas que vão embora
Não quero mais a morte de um filho
Não quero sofrer por angústia
Nem quero a falta de abraços

Porque tudo o que eu tenho
São sentimentos de amor
E pessoas que não me compreendem

Eu só queria poder sonhar
E não estou mais acreditando em sonhos
Queria amigos sinceros
Que os filhos não mentissem
Mas todos fazem das mentiras
Um jogo de sobrevivência

E sinto a falta de um amor sincero
Que me oferecesse solidariedade
E tudo o que tenho é fumaça
Nestes dias de solidão
Nas minhas noites frias
Escutando nas janelas
Os vendavais que as açoitam
Porém tudo o que me restou
Foi esta angústia no peito
E uma estrada deserta
Que não sei para onde me leva...

Mário Feijó
28.11.18

domingo, 25 de novembro de 2018

O AMOR É ASSIM: SEM CULPAS, SEM MISTÉRIOS



O AMOR É ASSIM: SEM CULPAS, SEM MISTÉRIOS

Não importa quem
Não importa onde
Não importa se você é homem
Ou a minha mulher
O amor é assim
Cheio de mistérios
Amamos o outro
Sem olhar o sexo

E se somos felizes
Melhor que o sejamos
Intensamente felizes
Melhor fazer amor
Do que atormentar com guerras
Fazer intrigas
Fazer fofocas
E sem contar que fazer amor é bom

Não importa quem seja você
Não importa o que os outros
Pensem de você
Importa sim
Todo o bem que você me faz
E o quão feliz eu sou
Quando estamos um nos braços do outro
E eu sou feliz
Quando moro em você
Quando penso em você
Não me importo mais com os outros...

MÁRIO R. FEIJÓ

25.11.19

quarta-feira, 21 de novembro de 2018

ELA CONTINUA UMA MENINA




ELA CONTINUA UMA MENINA
(para minha eterna Amiga Juliana W.)

Ah! Juliana
Você, agora mulher
Continua tão linda
Quanto aquela menina
Que foi musa de meu poema
Há mais de trinta anos

Os teus olhos verdes
Não amadureceram
E você se tornou
Uma linda mulher
Que teve lindas filhas
E ao que me parece é muito feliz

Porém acho que não devia
Ser tão magrinha
Mulheres lindas carecem de carnes
E eu se pudesse
Proibir-te-ia de fumar

Espero que você reflita
Sobre o fumo e não deixe nunca
Teus olhos amadurecerem
Porque eles feito uvas verdes
Enganam raposas
(lembra da fábula?)

Pois é! Você é esguia
Feito um parreiral
Tão doce feito uvas maduras
E na memória eu te eternizei
Como aquela menina linda
Que um dia me pediu um poema
Porque já se pensava mulher aos 15 anos

Nesta época eu te via
Como se estivesses numa torre
(Como Rapunzel) tecendo escadas
Com tuas curtas tranças

E você continua menina
A mesma menina do Sr. Leopoldo e D. Mariazinha
Porém está na hora de parar
De jogar fumaça para o ar
Continue jogando somente tuas tranças

Mário Feijó
21.11.18


terça-feira, 30 de outubro de 2018

HÁ UM VÁCUO ENTRE NÓS


HÁ UM VÁCUO ENTRE NÓS

Não deveria existir
Espaço entre pessoas
Que se amam

Porque o vácuo que se forma
Acaba com qualquer romance
E o amor acaba caindo
Dentro de um buraco negro

Então o coração parece sangrar
E as pessoas passam
A viver suas próprias solidões

Não há amor que sobreviva
À necessidade não atendida
De toques na pele
De uma porção de carinho

Mário Feijó
30.10.18

A MINHA SOLIDÃO


A MINHA SOLIDÃO

Você não está só
Porque eu sempre estarei contigo
Mesmo que seja só em pensamentos
Nas minhas orações

É isto o que eu faço
Quando o assunto é filhos
Amigos, irmãos e a pessoa
Que me cativou e tem o meu amor

Saibam que vocês nunca estarão sós
Mesmo nas horas mais difíceis
Seja no escuro do quarto
Ou pelas estradas onde anda

Eu estarei em oração
Pedindo pelo sucesso
Torcendo para que sejam felizes
Mesmo que não seja junto de mim

Mário Feijó
29.10.18

sábado, 27 de outubro de 2018

O QUE EU FAÇO SEM TI?


O QUE EU FAÇO SEM TI?

Eu quero de ti
Algo mais que
A tua disponibilidade
Para estar em minha cama

Eu quero teu companheirismo
Eu quero tua solidariedade
Eu quero tua compreensão
Nas minhas horas mais difíceis

A mim não basta
Uma mensagem copiada da internet
Porque não está escrito nas estrelas
Que tu estás comigo, mesmo sem estar perto

Eu quero saber
Que posso contar contigo
Nos dias tristes e que
Podes me abraçar nas horas mais frias

Então eu te pergunto o que faço
Com as minhas noites de luar?
Com os meus dias de sol
Quando estou sem ti de frente para o mar?

Mário Feijó
27.10.18

SECOS E MOLHADOS


SECOS E MOLHADOS

Compro: sorrisos frouxos
Sorrisos brejeiros
Sorrisos marotos
Feito os risos teus

Compro sorrisos fáceis
Sorrisos de crianças
Parcelo com beijos
Ou pago à vista com abraços

E te entrego compreensão
Mas não me venha com sorrisos amarelos
Tampouco com falsos sorrisos

Porque tudo o que eu preciso
É de um pouco de felicidade
Quero sorrisos soltos em tarde de chuva
E gargalhadas felizes em noites de amor

Mário Feijó
27.10.18

sexta-feira, 26 de outubro de 2018

SINTO QUE SOU TEU




SINTO QUE SOU TEU

O que será
Que fez com que
Eu me apaixonasse por você?

Teria sido
Esta tua pele morena
Queimada de sol
Ou teu sorriso de criança?

Penso que pode ter sido
O calor dos teus beijos
E teus abraços envolventes

Mas quando vejo os teus olhos
Como se quisessem me devorar
Toda vez que nos encontramos
Eu sinto que não vou resistir: sou teu...

Mário Feijó
26.10.18

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

VENDO OU TROCO


VENDO OU TROCO

Vendo ou troco uma pequena tristeza
Abandonada aqui em casa
Vi que ela não me tem serventia
Porém tem muita gente
Que gosta de fazer uso dela
Para se fazer de “tadinho(a)”
Para fazer chantagem com a família
Ou para não ir à luta

É uma velha tristeza
Que está muito bem conservada
Não foi muito usada
E ninguém diz a idade que tem
Porém também posso trocá-la
Por uma pequena alegria
Tipo: uma noite de luar
Um dia de sol ou até mesmo
Um passeio na beira da praia
Serve ainda uma tarde no campo

Interessados podem fazer contato
Em qualquer um dos meus canais de diálogo
No meu blog, face, whats
É muito fácil, não sou exigente
Para pequenos momentos felizes

Mário Feijó
24.10.18

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

FOI POR VOCÊ


FOI POR VOCÊ


Foi por você
Que eu me transformei em ruas
Estradas calçadas e floridas
Ruas por onde transitava o amor

Foi por você
Que eu vi estrelas
Não somente nas noites
Mas também nos dias em que me enlaçavas

Foi por você
Que eu perdi o medo
Criei esperanças
Esqueci-me da solidão

Foi por você
Que eu pude criar asas
Que eu descobri o amor próprio
E agora já posso voar

Mário Feijó
22.10.18

O BARULHO DO MAR




O BARULHO DO MAR

Eu tive um amor
Que não dizia que me amava
Não tinha cuidados comigo
E nem tempo para me amar

Que me deixava ao vento
Feito folha de papel
Jogada de um lado para o outro

Eu tive um amor
Que não conversava comigo
Porém estava conectado
Em todas as redes, em todo lugar

Então o tempo passou
E eu não estava mais me amando
E também não tinha a quem amar
Só me restou a luz do sol
E o barulho do mar...

Mário Feijó
22.10.18

terça-feira, 16 de outubro de 2018

ATO SOLITÁRIO

ATO SOLITÁRIO

escrever é
um ato tão solitário
que até dentro de mim
muitas vezes me perco
Mário Feijó
16.10.18


PERDIDO NA MULTIDÃO

PERDIDO NA MULTIDÃO
sobre o tampo da mesa
eu vejo refletido o céu
e parte do meu mundo
que está de pernas para o ar
eu, como nunca tive certeza de nada
estou prisioneiro das janelas envidraçadas
no quarto andar de um prédio
quase junto à beira-mar
já caminhei pela orla
respirando o ar ameno
que a primavera proporciona
encontrei muita gente
esbarrando na minha solidão
vi gaivotas, tatuíras, quero-quero e garça
só não me encontrei no meio da multidão
Mário Feijó
16.10.18


domingo, 14 de outubro de 2018

DEPOIS DE TANTO TEMPO

DEPOIS DE TANTO TEMPO

ando meio perdido
colocando em sacos de lixo
trecos que acumulei vida afora
dentro e fora de mim
nem sinto mais meu coração
que não pulsa mais
ouço somente as ondas do mar
que batem ali na praia
nas janelas clama o vento
que me chama em gemidos fracos
enquanto a lua no céu
enche a minha vida de esperanças
saio do marasmo ao romper do dia
quando em cima do mar o sol desponta
então piso na areia fofa
e descubro que ainda estou vivo

Mário Feijó
14.10.18


SONHOS DESBOTADOS

SONHOS DESBOTADOS

ainda hoje eu me peguei
lembrando de ti
das coisas simples que fazíamos
passeando por ruas de Mar del Plata
e à noite indo até o Cassino local
para jogar um pouco nas máquinas e nos divertir
na época eram coisas bobas
mas eu lembro que era feliz
porque tu sempre me fazias sorrir
e eu via a felicidade que sentias
eu não sei quando isto se perdeu
e depois da tua tempestuosa partida
eu percebi que tudo o que tínhamos
era o que me bastaria para alimentar meus sonhos
agora eu já tenho outro alguém
muito diferente de ti
porém não temos tido tempo
para fazer as "coisas bobas" que fazíamos
não passeamos de mãos dadas
como eu e tu fazíamos
e os meus sonhos estão todos desbotados

Mário Feijó
27.09.18