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quarta-feira, 5 de outubro de 2011

ANJO FAMINTO





Quando eu lembro
Que quando criança
Houve dias em que
Eu roubava comida para sobreviver... 

Eu me sinto tão pequeno
Entendo-me criança, mas não perdoo
Aquela criança carente e faminta
Aquela criança má que eu fui... 

Não era intenção daquela criança
Fazer qualquer mal a alguém
Nem mesmo à minha avó Angelina
Que na sua senilidade nada compreendia
E morria de fome comigo... 

O menino faminto sobreviveu
A avó senil não resistiu
Não sobreviveu ao descaso, ao abandono
Então Angelina pegou suas asas e partiu...


Mário Feijó

05.10.11
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