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segunda-feira, 7 de março de 2011

CRÔNICA DE UM CARNAVAL





A beleza encanta aos olhos
Mas é a doçura das ações
Que encanta a alma.

Voltaire

Um dia Clarisse descobriu a possibilidade de que seu verdadeiro pai, ou seja, aquele que ela pensava ser seu verdadeiro pai, que lhe criou, que lhe registrou não fosse seu pai biológico.
Então esperou uma ocasião festiva, onde a mãe (que sempre gostou de beber) estivesse “alegrinha” e tascou: “mãe quem é meu verdadeiro pai?”
- Não sei! Respondeu a mãe.
- Como mãe? Perguntou Clarisse.
- Querida naquele carnaval tudo o que aconteceu a partir do meio-dia apagou-se da minha mente. Eu nunca tinha dito isto a ninguém... Mas confesso agora pra você que não sei!
- Passou-se algum tempo. Quase três meses e nada da minha menstruação vir e eu que driblava três pretendentes escolhi um...
- Não sem antes sondar se o pretendente poderia ser uma das minhas “vítimas” da minha libido alcoólica naquele carnaval.
- E sabe o que descobri?
- Fala mãe... Não faça mais suspense. Disse Clarisse.
- Pois é. Descobri que os três tinham sido minhas “vítimas”...
- Meu Deus, mãe. E eu, estes anos todos, sem saber de nada. Disse Clarisse.
- E você pensa que é a única? Disse D. Conceição já “altíssima”...
- O quêêê? Não diga que com meus irmãos aconteceu o mesmo? Perguntou Clarisse.
- Eu sempre gostei de carnaval, minha filha. E seu pai não...
- A verdade é que eu não sei... Seus irmãos também foram gerados no carnaval.
- Penso que seu pai nunca nem descobriu...
Mas dona Conceição estava enganada. O velho Eleotério, sempre soube que era estéril... E nunca falou nada até morrer.
- Primeiro... Em relação a você. Eu escolhi seu pai porque ele foi o primeiro a descobrir a minha gravidez e logo se acusou. Então para não ter tanto trabalho eu logo concordei, como se lembrasse de tudo. Então aceitei o seu pedido de casamento quando ele falou que não tínhamos outra alternativa. Além do mais eu tinha uma imagem a zelar. Tinha sido miss estadual no ano anterior e fiquei em segundo lugar no miss Brasil.
- Mãe eu quero pelo menos saber se meu pai foi mesmo o meu pai biológico. Quero fazer um teste de DNA, visto que na sua época isto não seria possível. Disse Clarisse.
Teve ela o cuidado de coletar material genético dos irmãos, Roberto e Ana Rita. Levou tudo ao laboratório e esperou o período de um mês na maior ansiedade.
Podemos dizer que Clarisse passou o pior mês de sua vida. Teve insônias, pesadelos, emagreceu e se sentia exausta e cansada todos os dias, até o dia do resultado do exame...
Dia 13 de maio, conforme o horário marcado, Clarisse foi ao laboratório buscar o resultado dos exames, dela e dos irmãos. E sabe o que aconteceu?
Antes mesmo de chegar em casa, Clarisse abriu todos os envelopes e descobriu que os três irmãos não tinham o mesmo pai...
E mais, descobriu que nenhum dos três era filho daquele que ela pensava serem seus pais...
Desnorteada vagou pela cidade sem rumo... À noite deixou o carro num estacionamento e foi a pé até a Ponte Hercílio Luz. Lá em cima pegou os resultados dos exames, picou-os um por um e atirou-os ao vento, dentro do mar...

Mário Feijó
Carnaval de 2011
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