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domingo, 1 de abril de 2012

CONVERSA SÉRIA COM DEUS



Eu já tive algumas conversas sérias com Deus, mas no último natal eu cheguei a discutir com Ele. Eu não entendia porque eu tinha que sobreviver e tu não.

Eu não entendia também porque as pessoas que vinham para me ajudar aproveitavam para saquear. É incompreensível isto num ser civilizado. Será que na desgraça dos outros soltamos o criminoso que está preso dentro de nós? E por que motivo isto acontece? Por que motivo tudo é mais difícil nas horas difíceis? As mãos que te são estendidas algumas vezes são bocarras que querem te devorar, aproveitando-se da tua fragilidade... Por isto eu algumas vezes me refiro às pessoas que fazem isto como se fossem abutres (coitados dos abutres, esta é a natureza deles, limpar a natureza), mas as pessoas que agem assim, não estão limpando nada, além de sujar as suas consciências.

Mas voltando à minha discussão com Deus. Eu penso que pelo menos umas 3000 vezes eu repeti o seu nome, isto talvez tenha me feito sobreviver, pois com sangramento no pulmão e sem respirar direito, o esforço me deixou consciente. Segundo foi o desespero de ver ao meu lado outro ser humano na mesma situação que eu, mas que não teve a mesma chance de lutar pela sua sobrevivência. Esta eu até entendo, ela sempre foi apressada, e partiu na frente.

Discutir com Deus não quer dizer estar indignado com Ele, mas querer respostas. E naquele momento eu queria respostas. Agora eu ainda as quero, não sei quando as terei...

Viver é um aprendizado. Viver com dores é um aprendizado maior. E não ter respostas: um exercício de paciência.

Mário Feijó (31.03.12)
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