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quinta-feira, 19 de março de 2015

A GRANDE CILADA

A GRANDE CILADA

Era um dia nublado. As folhas secas rodopiavam pelas calçadas dando a sensação de abandono.
No meio da praça, embaixo das árvores havia um corpo inerte de mulher. Guilherme e a esposa Alexandra corriam ao redor da praça, no parque da Redenção em Porto Alegre, quando viram aquilo pararam e foram até ela ver o que tinha acontecido. A mulher estava semiconsciente e desorientada. Falava mal o português e trajava roupas africanas. Era negra. Tinha uma cara belíssima. Parecia uma modelo de tão esbelta e bem tratada.
O casal logo tratou de chamar a polícia pelo celular que carregavam. Guilherme que era médico começou a fazer os primeiros socorros e entendeu em inglês que a mulher era filha do embaixador da Nigéria que estava passeando em Porto Alegre. Tinha 25 anos, era solteira, e resolvera passear sozinha enquanto os pais saiam para um compromisso social, pois mesmo em férias tinham contato na cidade. Atendia pelo nome de Ndidi. Fora o que descobrira.
Depois descobriram que por causa das joias que usava fora assaltada. Levaram a maioria, mas a mulher estava viva. Recebera uma pancada na cabeça, por isto estava zonza e meio inconsciente.
A SAMU logo chegara e a levara para o pronto socorro. Guilherme que trabalhava lá como cardiologista não precisara acompanhar e se comprometeu que depois iria até o hospital com a mulher para prestar esclarecimentos e também depor à polícia, mas tinham que ir em casa trocar de roupas e tomar um banho. Estavam suados, devido à corrida que praticavam.
Isto fora o que a mulher dissera enquanto falava coisas desconexas. Não dava para afirmar cegamente que tudo era verdade. Ela falava a maioria das coisas em inglês, algumas em português e outras numa língua que deduziram ser sua língua nativa ou algum dialeto africano.
Alexandra achou tudo aquilo muito estranho. Afinal fazia horas que não aparecia na cidade ninguém tão distante, só para fazer turismo. Foram pra casa, intrigados e fazendo mil e uma conjecturas sobre o ocorrido. Tinham planos de jantar fora àquela noite, afinal fazia dois anos que tinham casado e queriam comemorar, porém não sabiam mais quanto tempo estariam envolvidos com o episódio. Banharam-se, trocaram de roupa e foram para o hospital.
Lá descobriram que a mulher estava grávida, tinha ligações com o tráfico de mulheres para várias partes de mundo e era amante de um traficante internacional...


Mário Feijó
19.03.15



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