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domingo, 20 de novembro de 2011

NO VELÓRIO





No velório havia café, chá, salgadinhos, água gelada, bolachinhas, salgadinhos e fofoca. No menu além de todas as iguarias havia o defunto como assunto. Este já fora execrado à boca pequena. Mas o tema não rendeu muito porque o homem era bom, pobre diabo. Então o assunto não rendeu muito.

Vanda Maria procurou outras vítimas já que o falecido foi marido de sua amiga, até ontem à noite.

- Você e eu precisamos emagrecer menina. Disse ela à Tereza.

- Eu já perdi quase dez quilos. Argumentou Tereza, querendo se livrar da prima. Mas Vanda não perdoou e perguntou:

- E seu marido? Como Está? Outro dia encontrei com ele. Que homem lindo!

- Nós nos separamos querida. Disse Tereza.

- Então é por isto eu você engordou deste jeito. Disse Vanda Maria à prima, de soslaio, e foi falar com outra Candinha.

Tereza ficou rosa choque e esqueceu aonde estava, querendo avançar na outra. Foi contida por colegas próximas que apreciavam a contenda, mas que não queriam perder o show gratuito.

A viúva inconsolável (minto, a viúva não estava inconsolável. Parecia estar numa festa de formatura agradecendo um diploma pelo qual havia lutado há anos).

Será que ficamos assim tão felizes depois de quarenta, cinquenta anos de convivência, quando o companheiro morre? Não sei! O mundo mudou, mas ninguém é obrigado mais a aturar o outro até à morte...

- Caros amigos, familiares e conhecidos do Sr. Francisco, homem bondoso e membro da Igreja (mentira). Dizia o padre.

- Vamos rezar e pedir pela alma deste nosso amigo (o padre não conhecia o morto, a mulher ele conhecia porque esta era da congregação).

Enquanto o padre rezava. Num momento de descuido, Tereza e Vanda Maria, as primas, atracaram-se e caíram na vala aberta para o defunto (que por pouco não se revirou no caixão).  



Mário Feijó

20.11.11


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