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domingo, 24 de julho de 2011

IMAGEM EM DOBRO (conto)




Cap. III – Diário de uma prostituta adolescente



IMAGEM EM DOBRO



Maldita hora em que eu fui atrás de Olívia, na cidade de Osório, pensou Daiane. Além das preocupações que eu já tinha ela me criou outras. Falou-me para cuidar de uma possível gravidez. Já imaginou? Além de tudo, mais isto.

E não é que a cartomante podia ter razão. Antes de fugir ela havia mantido relações com Dagoberto e depois... ah! Depois...

Bem, depois durante a viagem Fernando, o tal motorista do caminhão cobrou a passagem direitinho...

Remexendo seus poucos pertences de repente cai no chão uma foto, em preto e branco, com passos na areia e no verso estava escrito “você faz seu próprio caminho”.  Um arrepio percorreu seu corpo e ela pensou: acho que vou mudar pra Capão da Canoa. Disseram-me que lá eu teria mais chances de arrumar um emprego e no inverno as pousadas são mais baratas.

Desembarcou na rodoviária de Capão, atravessou à rua e foi em direção a uma fruteira próxima quando viu uma senhora desembarcando de um Fox preto, puxou conversa pedindo informações ao que a senhora logo se apresentando disse chamar-se Sônia Maria e que ali mesmo perto da rodoviária havia uma pousada de sua amiga Maria de Lurdes, chamada Pousada de Capão. Quase foi ao céu tamanha a sua felicidade, parecia que as coisas aconteciam de uma forma que tudo se encaixava rapidamente. Além de um lugar pra morar Daiane conseguiu um emprego na Pousada de Maria de Lurdes, que lhe dava além de comida um quarto pra dormir, mais um salário mensal. Estava até esquecendo as preocupações e agruras dos últimos tempos.  

Numa tarde de folga, já no inicio da primavera, Daiane resolveu passear na praia, conhecer os mares do sul. A maré estava baixa e a praia semideserta, mas o tempo estava nublado e os jornais anunciavam uma frente fria se aproximando, o que dava uma sensação de inverno, principalmente para Daiane, acostumada ao calor do nordeste.

Caminhou pensativa por longo tempo e diante de uma rajada de vento mais forte resolveu voltar e se assusta ao olhar o caminho antes percorrido e se lembrar da foto e das palavras “você faz o seu próprio caminho”. Parecia profético e assustador tudo o que lhe acontecia e a imagem que ora via parecia ser a mesma da fotografia...

Voltou para a pensão da D. Maria de Lurdes e lá chegando ela apresentou à Daiane dois rapazes atléticos, muito bonitos, com idade que regulava vinte e poucos anos dizendo que eram seus filhos e que haviam saído de um seminário, onde estudavam, para dar um tempo em suas vidas.

Daiane foi para seu quarto com a imagem dos rapazes na cabeça, nem tanto pela beleza deles, mas porque um parecia a imagem refletida do outro. Seriam gêmeos? Parecia que sim, mas a cabeça de Daiane girava, ora vendo a imagem dos rapazes, ora os passos na areia...



Mário Feijó

24.07.11
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