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quarta-feira, 11 de novembro de 2015

TADINHOS...

TADINHOS...

Vendo uma reportagem na TV, sobre comportamento de cães, de que eles precisam ter um líder e para isto só com adestramento.
Lembrei dos tempos em que éramos crianças e obedecíamos nossos pais. Tornamo-nos adultos educados. Passamos por dificuldades e fomos à luta. Nunca ninguém me deu algo sem que eu merecesse. Pensei “éramos adestrados” uma outra versão para educados, como acabam se tornando os animais.
Chegou a hora de ter filhos e pensamos “tadinhos”. Deixamos decidirem sobre tudo. Não nos chamam de “senhor, senhora”. Não nos pedem a benção... e o respeito sumiu. Sumiu em casa e nas escolas nem se fala. Tentamos ser democráticos demais. Desapareceu a liderança dos pais.
Acho triste que os valores tenha se perdido pelo caminho. E penso ainda que na angústia da falta de um líder, da falta de comando, muitos dos filhos não vão mais à luta. Nunca vi tantos adultos entre 25 e 40 anos que não trabalha esperando que os pais lhes deem “uma bolsa família”.
Os filhos completam 18 anos e quem pode já dá um carro. Os que não podem partem pras drogas, já que este é um caminho fácil para todos os sonhos. Os que não consomem, traficam.
Outros dormem, dormem, dormem... geração de cansados. Exigem dos pais o conforto que foram educados para ter. Sim! Somos culpados. Não ensinamos a dar valor ao que se conquista. E se eles não sabem e não obedecem mais aos pais, jamais saberão respeitar a um chefe. Qualquer salário recebido é pouco. Diz a mãe “tadinho”, diz a tia “coitado”, diz o governo coitados e assim prolifera uma geração de coitados.
Ficou mais barato para o governo dar “uma ração” (bolsa família) do que dar educação e ensinar a vencer. Continuam eternos dependentes sem perspectiva. Eu já ouvi que se deve ensinar a pescar do que dar o peixe, no entanto criar uma dependência ficou mais fácil para os governos. E para os pais (perdidos) a situação fica insuportável. Acabam patrocinando eternamente os filhos para não se incomodarem. Só que chega uma hora em que estes pais se aposentam (e não existem aposentadorias milionárias), nesta hora fica impossível continuar patrocinando tudo. E os filhos não têm a renda que pensam ser justas para eles, então a relação pais X filhos fica complexa, além do que eles pensam que seus pais não os amam mais.
É complicado. Deveríamos repensar a educação. Investir mais em cultura e nas relações humanas. Trabalhar não desmerece ninguém. Estudar só engrandece e ler... ah, ler: ler é descobrir um mundo novo. Aumentar nossa capacidade de cognição, de nos relacionarmos com o outro, de entender o mundo e de respeitar nossos pais. Entender que o amor não é medido em dinheiro. Eu já vi muitos ricos, a literatura tem muitos casos, de pessoas abastadas que deixam sua fortuna para um animal: um cão, um gato ou instituições de caridade. Antes não compreendia isto. Hoje entendo. Penso que é uma forma de dizer: vá à luta! Cresça!
Bem não sou nenhum “expert” sobre o assunto. Porém espero que façam pelo menos uma reflexão sobre esta realidade e aos que parei de “dar tudo o que tinham direito”: perdão, mas tenho que cuidar um pouco de mim, a velhice chegou...

Mário Feijó
11.11.15
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