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terça-feira, 13 de maio de 2014

ALMAS TRANSPARENTES



ALMAS TRANSPARENTES

É incrível o grau de transparência que adquirimos quando envelhecemos.
Os filhos, raramente, lembram-se de você. Os netos só se você servir para brincar com eles. Os estranhos chamam você de “tio” ou “tia” e nem percebem mais se você é homem ou mulher – isto não faz mais diferença.
Até os cinquenta anos eu sabia que um dia iria morrer, mas quando a gente chega aos sessenta tem certeza disso. Tudo dói e a vida começa a se modificar drasticamente.
Será que o “ser humano” sempre foi assim: tão cruel com o seu semelhante? Será que estes milhares de anos na terra não deixaram nenhuma lição de que devemos respeitar o outro e, principalmente aos mais velhos?
Talvez tenha sido à toa Cristo dizer “amai-vos uns aos outros”... Decretou-se uma surdez a isto.
Estou vendo que envelhecer é como se desintegrar aos poucos da vida das pessoas. Você continua ali inteiro, mas os outros não te vêm porque você só não morreu, mas aos seus olhos já se desintegrou...

Mário Feijó
13.05.14
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