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sexta-feira, 5 de junho de 2015

ANJOS E DEMÔNIOS

ANJOS E DEMÔNIOS

        Era uma vez uma mãe, dessas, tão amorosa quanto a maioria que existe por aí. Dessas que ensina tudo aos filhos e que não lhes deixa faltar nada.
Eu sou pai e avô e como crio duas netas sozinho há nove anos, sou quase uma mãe. Sem trabalho de parto e sem os nove meses grávido, mas tenho que ser: pai, mãe, avô e agora amigo. Faço quase tudo por elas, como fazia antes pelos filhos, fico imaginando como são estas mães que querem proteger, sem deixá-los sofrer decepções.
No entanto os filhos nem sempre fazem tudo o que os pais ensinam, orientam. É mais fácil vê-los fazendo uma receita para acne que uma amiga ensinou, do que a gente a dizer: isto não é bom. Resta-nos deixá-los quebrar a cara. Mas nem sempre é assim... eles continuam acreditando nos “amigos”, têm anseios além do que lhes é permitido.
E os pais, mães, avós (não interessa quem os cria) que nunca ensinaram a eles a enfrentar o não, que tudo lhes deram, não querendo que nada lhes faltasse, eles crescem querendo mais, porém não fazem esforço para ter.
Então em determinado momento da vida, eles pensam que seus pais já viveram muito, que está na hora deles usufruírem do que eles conseguiram trabalhando, os filhos querem suas heranças, o que lhes compete por direito. Mas que direito é este? E o que estas pessoas fizeram para ter direito aqueles bens ou recursos financeiros?
Bem... a verdade é que estes não aprenderam a lutar para ter e, tudo lhes foi cedido facilmente. Aí dentro deles cresce um pequeno demônio que lhes dá uma ideia genial: abreviar a vida dos pais, ou somente de um deles, algumas vezes do avô ou avó. Vemos estes exemplos nos jornais e na TV com frequência. São pequenos monstros criados no próprio lar.
Esta semana li, horrorizado, a história de um filho de 55 anos que matou a mãe, no dia das mães e a concretou com cimento cola dentro de um armário e depois foi às compras.
Comecei a pensar sobre o fato e me pareceu inumana tal atitude. Parece encarnação de um demônio. Só assim consigo entender. Não acredito que um ser humano em evolução possa descer a este nível. É uma frieza demoníaca.
Eu acredito em anjos e seu contraponto são os demônios (ou anjos do mal). Assim, só assim dá pra conceber uma atitude tão cruel como esta com a própria mãe, aquela que lhe gerou com tanto amor, criou e educou.
Penso que talvez tenha faltado a este individuo um pouco mais de “nãos”. O limite do não dá noção ao amor. Porém não adianta somente os “nãos” tardios. Isto pode gerar desamor.
Não estou aqui julgando nem tampouco tecendo pareceres. Mas fazendo uma reflexão sobre este e alguns outros demônios que passaram pela minha vida e de gente próxima.
Vamos acreditar que o bem irá prevalecer e que estes demônios fiquem restritos aos seus próprios infernos interiores e que um dia o bem prevaleça sobre o planeta Terra.

Mário Feijó

05.06.15 
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