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terça-feira, 14 de abril de 2015

BEIJOS COM CHOCOLATE

BEIJOS COM CHOCOLATE

         Ontem à tarde derretendo chocolate para fazer bombons ela vestiu-se apenas com avental e calcinha. Afinal de contas a tarde estava quente e ela estava sozinha em casa.
Preparou as formas. Pegou leite condensado, coco ralado e morando... lembrou que esquecera dentro do táxi as caixas de morango. Telefonou para o taxista e pediu que mandasse lhe entregar em casa, mas ele falou que não poderia ir e ia ver o que podia fazer.
A casa transcendia a chocolate quente... Pensava na sua solidão e nos filhos distantes e se controlava para que as lágrimas não se tornassem ingredientes da sua receita.
Seu coração era tão doce e naquele momento estava amolecido pela saudade. Lembrava do ex-marido e da saudade de ter alguém ou estar nos braços de alguém.
Distraída com as lembranças nem ouvira alguém batendo na porta. Era um jovem entre 25-30 anos, alto, queimado de sol, musculoso, sorriso de pipoca, tão alvo e brancos. Seus olhos verdes pareciam o mar distante.
- Olá sou Roberto. Meu pai pediu que lhe trouxesse os morangos que ficaram no táxi.
- Meu Deus. Não acredito. Lembra de mim? Estudamos juntos.
Tinham sido os primeiros amores, um na vida do outro e a vida os tinha separado.
Que homem lindo ele havia se tornado. Agora ela percebia. Abriu somente uma fresta da porta para apanhar os morangos, tendo em vista seus trajes.  
Ele disse:
- Mas que cheiro delicioso de chocolate não vai me oferecer um bombom?
- Entre que eu vou colocar uma roupa decente, eu estava sozinha em casa e com este calor...
Roberto entrou e não resistiu Heloisa naqueles trajes, puxando-a para si, ao que ela pegou um bombom de chocolate e colocou na boca do rapaz tentando evitar o que parecia inevitável.
Roberto com o bombom na boca apertou mais Heloisa contra o peito e tascou-lhe um beijo que era puro chocolate.
Os bombons de morango que seriam os próximos a serem feitos foram esquecidos para depois. Heloisa nem lembrava mais de seus trajes. Agora suas lágrimas nem faziam mais sentido...

Mário Feijó

14.04.15
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