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sábado, 18 de abril de 2015

AS MIL E UMA NOITES DE SHERAZADE

AS MIL E UMA NOITES DE SHERAZADE

Ontem, meu caro sultão, eu havia pensado que poderíamos ter feito sexo oral, mas percebendo que o senhor estava cansado quis apenas fazê-lo ter bons sonhos contando-lhe histórias que li e ouvi pelo reino quando ainda era solteira.
Eu percebo, meu marido, que nunca ouvi de outra mulher histórias tão interessantes sobre performances sexuais quanto às que vivo com o senhor, agora que é meu marido. Confesso-lhe que estou encantada. Pergunto-lhe se já ouviu falar do livro chamado Kamasutram, um tratado indiano sobre o desejo.
Penso que meu senhor, Rei Shariar,  caso conseguisse um exemplar poderíamos colocar em prática algumas posições que nele são mostradas, onde cada noite seria única para nosso amor. Caso seja este o seu desejo, eu ficaria feliz em praticá-lo com meu marido e senhor.
Hoje podemos começar onde ontem paramos. Já mandei preparar uma banheira com sais aromáticos e ervas. Depois iremos para nosso leito, onde mesmo extasiados poderemos continuar e, se o senhor estiver disposto, tenho uma bela história para lhe contar, disse Sherazade ao sultão.
Ouvi falar que Cleópatra e Marco Antônio tinham um amor tão grande porque aprenderam a não ter pudores no amor. Usava ela cremes afrodisíacos, leite de cabra no banho e até, ouvi dizer, que raspavam os pelos pubianos. O senhor pode ter ficado horrorizado, mas poderíamos tentar algo parecido, caso deseje. Lembre-se de que sou sua esposa, mas sua escrava sexual, caso queira experimentar coisas novas.
Soube pela criadagem que o correio persa trouxe-lhe uma encomenda esta tarde. Será possível que já tenha conseguido o tal livro que lhe falei.
Esta noite pensei em fazer uma dança sensual – a chamada dança do ventre – que aprendi com as dançarinas de um grupo de teatro mambembe que se apresenta na cidade. Uma delas deu-me aulas à tarde inteira.
Amanhã... somente amanhã começaremos a praticar o que o livro Kama Sutra ensina, caso tenha sido esta a encomenda que hoje à tarde lhe entregaram.

Mário Feijó

16.04.15  
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