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quinta-feira, 10 de junho de 2010

PARDAL ENCANTADO



Numa rua arborizada, dentro da grande Porto Alegre, no frescor das sombras um pardal se debatia na janela de um carro estacionado. Convém ressaltar aqui que Porto Alegre é uma das cidades mais arborizadas que eu conheço e a falta de espaços nativos faz a gente apreciar fatos inusitados para quem mora no interior, nas pequenas cidades.

Não sei se encantado com sua imagem ou imaginava ele banhar-se no vidro daquele carro como se aquele espelho fosse um lago e o pardal ficou ali muito tempo a banhar-se em um lago virtual (?).

Batia as asas no vidro escorregando pra cima e para baixo. Eu não pude resistir ao apelo lúdico daquele fato, para mim, inédito. Logo o assimilei ao fato de que nós humanos, também, muitas vezes nos encantamos com coisas pelas quais nos debatemos diante de apelos por vezes não compreendidos.

Algumas vezes nos esquecemos de olhar para os lados e ver que existem pessoas que não conseguem achar tempo, nem para se encantar com a imagem de si próprio, nem para apreciar o encanto do mundo.

Penso que é cruel esta situação meio robotizada dos menos favorecidos que às vezes diante do infortúnio se encantam nas drogas e na bebida.

E nós, um pouco mais privilegiados, muitas dessas vezes nos encantamos com nossa própria imagem, insistindo em alguns erros feito Narciso apaixonado pela sua imagem diante de um lago.

E quando não é pela imagem física que fazemos de nós é a imagem do que pensamos que somos e pensamos tudo resolver. Nem sempre é assim. E muitas dessas vezes estamos enganados em todos os sentidos.

Alguém que ascende socialmente, o presidente de uma empresa, alguém que é alçado à posição de líder – estes são alguns exemplos de seres que se encantam consigo próprios.

Temos que ter a humildade de perceber que nunca seremos suprassumo como seres humanos. Todos sem exceção estamos num eterno aprendizado neste planeta.

Não vamos cometer o mesmo erro do pardal e ficar encantados diante de um mundo virtual, cada vez mais presente em nossa vida. Que este pardal com seu simples exemplo, possa servir de lição para nós, diante de situações que possam ir além da nossa compreensão...





Mário Feijó

10.06.10
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