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segunda-feira, 3 de julho de 2017

A ADOÇÃO: E AGORA? A CRIANÇA É NEGRA - CAPITULO IV


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A ADOÇÃO: E AGORA? A CRIANÇA É NEGRA

CAPITULO IV

Sim. Pedro e Carol resolveram atender ao chamado telefônico. Assustados pensavam no drama recentemente vivido no Rio de Janeiro.
O número                 tinha o prefixo 21, porém era da tia de Cleia, a amiga de trabalho de Carol, única conhecida naquela cidade. Haviam deixado com ela o número de Pedro para o caso de resolver problemas possíveis com a perda de documentos e telefone no Rio.
Tia Lia tinha recebido uma ligação da polícia informando que haviam prendido uma gangue e com eles estavam o telefone e os documentos de Carol. Era incrível isto, e tia Lia se encarregara de mandá-los por SEDEX.  
Deu pra relaxar um pouco de toda a tensão sofrida no último mês.
Vida voltando ao normal. Retornaram ao trabalho. Carol resolvera contar todo o drama vivido até o casamento para Cleia, pois eram amigas desde a infância. Não tornar pública toda a história que sofrera, principalmente para a família, mas confiava em Cleia. Trabalhavam juntas há algum tempo e a amiga entrara na empresa por indicação de Carol.
Em contrapartida Cleia contou o drama de uma sobrinha, meio cabeça de vento, que morava com ela e a mãe. A menina tinha 17 anos estava grávida pela terceira vez e decidira que entregaria o bebê para adoção. Até pensara em abortar, mas os mais próximos resolveram influenciar e indicar este caminho.
Carol fora pra casa tocada com a história. Talvez pela perda recente de um bebê e começou a pensar na trajetória daquele bebê que ninguém iria saber onde iria parar. Isto estava lhe incomodando, fragilizando. Falou com Pedro, quase um mês depois. Ele, a princípio nada disse, até que no final de semana falou:
- Se você quiser abraço esta causa com você. Vamos fazer tudo o que é necessário para adotar esta criança.
Começaram por ajudar Luana com médicos, remédios e pré-natal. Carol tinha uma amiga médica que se encarregou de tudo, para evitar um contato direto, e Cleia prometera não contar à Luana quem adotaria seu filho, visto que Pedro tinha uma amiga na Universidade que pertencia à Associação de Pais de Crianças Adotadas que ajudou e entrou na história.
Dra. Miriam se encarregou de fazer o parto, numa maternidade Pública, porém em quarto particular. A moça mãe não teria contato com o bebê que sairia da maternidade com a tia e a garota e na rua entregariam à Cecília, amiga de Pedro. Tudo muito discreto e planejado com cuidado. Tudo transcorrera normalmente até o dia do nascimento do bebê. Com todos estes cuidados, burlaram a adoção e registrariam como filho o menino recém-nascido.
Luana teve alta e na saída da maternidade Cleia veio até o carro, onde estavam Cecília, Pedro e Carol, todos ansiosos e nervosos e entregou aquele pequeno embrulho cheirando a sabonete, enrolado com as roupas que Carol havia comprado. Cleia jurara jamais contar o paradeiro do bebê à sobrinha, que não pareceu se importar muito com isto.
Carol pegara a criança delicadamente enrolada naquele cobertor e nada dissera. Encostara seu rosto no tecido e deixou uma lágrima rolar, tão emocionada estava. O cheirinho do bebê foi tomando conta dela que parecia sentir o mesmo quando seus outros filhos nasceram. Estava feliz. Acolhera aquele bebê ao peito e o instinto materno tomou conta dela. Por incrível que pareça sentiu o peito arder e logo depois ficar molhado. Seu peito estava inchado nos últimos dias e sentiu escorrer no corpo um líquido quente. A espera fez com que ela tivera uma gravidez psicológica e agora seu peito jorrava leite. Parecia um milagre, mas já ouvira casos assim.
Foram pra casa, onde tudo estava preparado. O quarto do bebê todo pintado de azul. Havia armários com carrinhos e alguns brinquedos que os filhos de Carol haviam mandado, para mostrar que aprovavam a ideia de um irmão (quem sabe a mãe pararia de lhes cobrar um neto).
Pedro entrou na dança. Estava feliz com a ideia de ser pai. Nunca pensara que estaria tão feliz.
Chegando em casa e colocou o bebê no berço e fora tomar um banho pois estava toda molhada. Ao sair viu que o menino chorava com fome. Ela já havia comprado leites especiais. Ligou pra médica contando o que aconteceu e perguntou se poderia amamentar o bebê. A médica respondera que sim, mas que gostaria de examiná-la naquela mesma tarde.
Colocara um roupão e destapou a criança. Incrível! Sentia como se fosse tão seu que não tivera nem a curiosidade de ver o rostinho do bebê. Agora tinha o maior susto da vida. A criança era negra. Não havia se preocupado em saber nada e agora tinha um filho natural e negro. Será que fora trocado? Resolvera ir com a criança à médica.
Por que não perguntara nada a Cleia. Por que ela nada lhe dissera, já que a sobrinha era branca. Conhecia toda a família. Não era amiga intima, mas conhecia de vista todos e não lembrava de ter negros na família de Cleia.
Pedro, tão logo passara a surpresa, logo se apaixonara pelo bebê. Nunca tivera preconceito, mas Carol vivia um drama. Sua família era preconceituosa. Sabiam que teriam futuros problemas.
Chamou Cleia em sua casa e pediu que esta contasse toda a história da sobrinha e de quem era o pai da criança. Ela falou que o namorado de Luana era um negro haitiano que chegara há pouco tempo ao Brasil. Luana nem lhe contara sobre a gravidez porque, segundo ela haviam apenas “ficado” e nem houve namoro. A moça era uma típica brasileira, onde há na família todas as raças, mas era loira e tinha olhos azuis.
Passaram-se os dias e ela foi se apaixonando pela criança que ficava cada dia mais linda, aos seus olhos. Todos começaram a esquecer a cor e a beleza exótica do menino começou a prevalecer, encantando a todos.

Mário Feijó

03.07.17
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