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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

ALIMENTADA COM SERRAGEM ELA NASCEU CARA DE PAU

ALIMENTADA COM SERRAGEM ELA NASCEU CARA DE PAU

         Desde criança ela sempre foi tão bonitinha. Todos diziam que ela era um amor. Pudera! A mãe tivera desejos na gravidez e comera serragem. Além de bela teve cara de pau.
Ainda ontem, a menina, agora mulher contava que a mãe tinha ciúmes dela. Queria chamar atenção só pra si e disputava espaço com a filha, mas a menina com sua cara de pau superara o quesito.
Sempre chamara a atenção para si. Tinha que se superar, disputava com a mãe a atenção dos outros. Contava piadas, fazia brincadeiras e fazia língua pra todo mundo.
Ela dizia que não sabia o motivo pelo qual a mãe parecia lhe odiar, porém na aula de hidroginástica ela contou, para todos os colegas, que seu pai tinha uma fábrica de móveis e quando a mãe engravidou teve desejos de comer serragem. Por pouco não se tornou Pinóquio. Cara de pau: da mãe e da filha.
Agora, já na terceira idade, ela toda floral, maiô colorido, brincos combinando faz questão de pegar os espaguetes da mesma cor do acessório de banho, para fazer seus exercícios.
Feito perereca na lagoa ela coaxa piadas nas aulas, feliz, visto que nos últimos tempos perdeu mais de vinte quilos e porque a mãe (morta há muito tempo) não havia compreendido que ela tinha cara de pau porque a mãe comera serragem quando ela estava em seu ventre.
Esta parece uma história ficcional, mas é tão verdadeira quanto sua personagem que aqui omiti os créditos devido aos direitos autorais que a própria quererá cobrar: cara de pau, lembra?
No entanto para que não tenhamos dúvidas sobre quem falamos ela sempre se veste com uma capa verde invisível, tipo mulher maravilha e mergulha na piscina de uma “Piccola Casa”. Sempre que pode ela salienta que não abre mão da felicidade. Tristezas ficam escondidas sobre o manto da capa verde desde o dia em que casou com aquele ogro poeta.
Mulheres assim tinham que ser clonadas, reproduzidas aos montes, mesmo quando os maridos implicam com suas alegrias porque elas não deixam a tristeza entrar pela porta.
Assim é nossa cara de pau que não se deixa afundar porque sua estrutura é toda em madeira de lei.

Mário Feijó

12.02.15 


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