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quarta-feira, 10 de maio de 2017

A TRISTEZA DE CAROL (conto) 1º. CAPITULO




A TRISTEZA DE CAROL (conto)

1º. CAPITULO

                Carol era uma mulher que por onde passava sempre chamava a atenção. Era bonita, dentes brancos, sorriso largo e arrasador, cabelos negros longos, porém seu perfume a precedia, anunciando sua chegada muito antes de sua presença. E, ao adentrar em qualquer ambiente o som da sua voz abafavam qualquer música ambiente.
Ex professora, acostumara-se a falar alto e ela perdera o bom senso, embora muitos já a tenham prevenido quanto a isto.
Toda a família havia combinado de se encontrar, em um restaurante, em Florianópolis, à beira da Lagoa da Conceição. Viria gente de todo lado.
O cheiro de maresia com certeza iria ameninar o perfume forte e adocicado daquela mulher. A família pensara que isto amenizaria seu protagonismo escolhendo um local público, ao ar livre, onde a brisa suave (geralmente causando frisson na pele) e o cheiro de frutos do mar sendo preparados abriria o apetite em todos naquele dia das mães. Ficara para trás a comidinha caseira comum na casa de vovó, todos os domingos, onde a maioria ia sempre, mas também ninguém precisaria lavar a louça daquela tropa toda. Com certeza sentirei falta do cheirinho do café Amélia que vovó agora usava, substituindo seu café produzido no quintal por tanto tempo, e que agora era substituído por um produzido na cidade.
Sobrinhos, netos, irmãos, primos, todos se fizeram presentes. Se faltou alguém eu não saberia dizer quem, pois havia ali quase cem pessoas.
Juntamos duas ocasiões: o dia das mães, no segundo domingo de maio e o aniversário de 100 anos de vovó que seria dia 17.
Carol veio silenciosa. Estava comedida naquele dia. Eu diria que tensa. Pouco falou. Sentou-se num canto, depois de ter cumprimentado vovó e alguns irmãos. Pouco comeu. Pouco falou. Nada bebeu e em determinado momento eu percebi uma lágrima que ela secara rapidamente. Seu atual companheiro não estava presente, porém aquele dia e hora não era o momento certo para uma investigação ou perguntas. Naquele dia não era Carol a protagonista, mas muitos ficaram de ti-ti-ti numa mesa ou outra. Ela comera rapidamente e disfarçadamente se afastou do restaurante. Soubemos mais tarde que havia “saído à francesa”.
A curiosidade aumentara entre os presente, e, todos tiveram que ficar quietos e esperar pela segunda-feira ou por notícias que seriam, certamente publicadas no Facebook. Sua vida sempre fora um livro aberto.
Certamente aquele era um dia feliz para a maioria, mas não foi o melhor dia na vida de Carol...


Mário Feijó
09.05.17



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