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terça-feira, 23 de agosto de 2016

A REALIDADE DOS SONHOS



A REALIDADE DOS SONHOS

Vi minha amiga Izabel adotando maiores abandonados. Pessoas que moram na rua e que querem ter uma chance na vida sem conseguir. Ela adotou Nina, uma moça de 18 anos, que dormia pelas ruas e vivia com o que conseguia fazendo pequenos bicos. Com a adoção, um bom banho, corte de cabelos, roupa simples e nova, cheirosa e perfumada, agora com endereço fixo, Nina conseguiu emprego e logo em seguida, já estava matriculada na faculdade para continuar os estudos que havia parado, por não ter condições.
Algum tempo depois ela “adotou” Alberto, com 41 anos. Deu-lhe um quarto, roupas e as mesmas providências que fez com Nina. Logo em seguida descobriu que ele era um homem inteligente. Que foi morar nas ruas porque perdeu tudo, depois de uma tragédia familiar ocorrida há quase seis anos.
Alberto era um empresário. Com a morte da esposa, num acidente de carro que ele dirigia, entregou-se à bebida. Os filhos foram tirados pelos sogros e ele foi afundando até perder a empresa, por falta de gestão e empenho.
Vivia na rua. Esquecera de si. Passou a ser alguém sem nome e sem rosto aos olhos da população. Os cabelos cresceram, a barba igualmente.
Izabel empenhara-se em conversar com Nina e com ele já há algum tempo. Ouvira suas histórias e decidira que iria recuperá-los. Tinha uma casa grande e acolhera-os em sua casa. Ela era psicóloga e uma pessoa muito humana que acreditava que as pessoas podem mudar, tendo uma nova chance. Adotara-os como se fossem filhos, como se fossem amigos, e foi o que realmente aconteceu. Eles evoluíram, voltaram a progredir na vida. A tomar gosto e a ter uma nova meta.
Nina trazia uma história complicada de surras e abandonos. O pai morrera cedo e a mãe casara-se novamente com um homem que só a explorava e maltratava seus filhos. Um dia Nina não aguentava mais e partiu. Sem estímulos vivia pelas ruas...
Há muitos destes casos pelo mundo afora. Podem até parecer fantasia, mas existe muita gente que às vezes só precisa de uma mão, de atenção, de conforto, de estímulo.
Eu acordei feliz, porque vi que em sonhos tudo podemos fazer. Na realidade comecei a pensar, será que não podemos fazer realmente algo por alguém? Será que não podemos ajudar alguém? Que seja desta ou de outra forma, mas que comecemos a pensar no próximo como sendo um de nós mesmos, estendendo a mão e ajudando. Vamos começar a pensar o mundo como sendo melhor, como se todos os sonhos pudessem se tornar realidade.
Foi somente um sonho, mas parecia algo tão real...

Mário Feijó

23.08.16

domingo, 21 de agosto de 2016

ATLETA

ATLETA

A ti que és um atleta
A ti que nos faz feliz
A ti que marca um gol

Enalteço a ti atleta
Sem esquecer a tua dor

A ti que fazes “ace”
No tênis e no voleibol
A ti que fazes ginástica olímpica
Ou que atiras em busca do alvo

Enalteço a ti atleta
Sem esquecer a tua dor

Seja no judô ou karatê
Ou tantas outras formas de luta
Correndo nas maratonas
Ou disparando na marcha olímpica

Enalteço a ti atleta
Sem esquecer a tua dor

Quando todos querem a glória
Tu remas na canoagem
Tu corres no revezamento
Tu nadas de todas as formas

Marcas no corpo e na alma
Pontos da tua glória
As lesões dos treinamentos
Nas chegadas da maratona
Quando chegas de joelhos

Enalteço tua glória
Sem esquecer a tua dor
Porque eu somente assisto
Torço por ti com muito amor...

Mário Feijó

21.08.16

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

SER HUMANO – ESTE ANIMAL RACIONAL (?)

SER HUMANO – ESTE ANIMAL RACIONAL (?)

                Numa alcateia, os lobos mais velhos vão à frente, protegidos na retaguarda pelos mais novos.
Nenhum outro animal abandona os mais velhos, porém os seres humanos “civilizados” fazem isto com muita facilidade e frequência. Pelo que eu sei e já vi os “indígenas”, nativos, aborígenes ou os primeiros habitantes da Terra nunca fizeram isto. A Antropologia nos mostra isto nos estudos primitivos da humanidade. Será que a dita civilização fez isto com os humanos? Será que ao invés de evoluirmos “involuímos”!?
Com frequência vejo filhos que não querem saber dos pais, alguns até se aproveitam de seus rendimentos, em benefício próprio sem dar assistência ao idoso. Vejo até brigas por herança enquanto o corpo é velado. Sem contar os que querem partilhar tudo o que o idoso acumulou, e que deveria gerar-lhe qualidade de vida na velhice. Muitos só querem usufruir sem ir à luta.
Estamos num planeta, como se estivéssemos em um barco. Mas os homens não pensam em harmonia, em cuidar desta embarcação. Até quando o planeta suportará a destruição que o homem causa? Até quando ficaremos sem aprender as lições mínimas de civilidade e convivência harmônica?
E se falarmos daqueles que querem acumular infinitamente riquezas que nunca poderão ser gastas em uma única vida, enquanto muitos morrem de fome diariamente?
É chegada a hora de refletir. É chegada a hora de evoluirmos. A ciência caminha a passos rápidos. Vejamos tudo o que já aconteceu nos últimos 100 anos. E o homem parece caminhar para trás. Deveríamos pensar na vida como uma construção de valores e não de riquezas. A riqueza desaparece numa simples catástrofe, mas o que construímos como Ser, isto é eterno. É uma herança imutável que nada destruirá. Temos que aprender novos valores, não somente o valor do dinheiro. Temos que aprender a Ética, e ética implica em justiça.
Sei que criamos os filhos para o mundo, não para ficar sob nossas “asas”, mas eles esquecem de ouvir àqueles que lhes deram vida, educação, amor. Criam novos conceitos e julgam sem conhecimento do que os pais fizeram para que eles sejam o que são. Falta amor. Falta compreensão. E enquanto isto não for mudado, seus filhos farão o mesmo com eles, vendo o exemplo do que seus pais fizeram com seus avós, e a vida continua, sem uma melhora da raça humana.
Infelizmente isto não acontece só em países subdesenvolvidos, mas nos países ditos desenvolvidos. Comecemos a mudar isto nas nossas casas, nas nossas famílias, nos nossos lares e quiçá tenhamos um planeta sob uma melhor energia. Que Deus nos proteja! Que os deuses nos protejam! Que qualquer coisa nas quais acreditamos nos protejam! E que tenhamos um planeta melhor!
Que sejamos menos racionais e mais lobos protegendo sua alcateia!

Mário Feijó
19.08.16



quinta-feira, 11 de agosto de 2016

VELHO EUCALIPTO

VELHO EUCALIPTO

Tudo o que um dia eu pensava
O tempo mudou
O vento levou
E o bom senso me fez repensar

Criei cicatrizes
Dos tombos e aprendizados
Que só quem tem humildade aprende

Ficaram marcas em formas de rugas
Cascas em camadas
Tal qual eucalipto eu fora

Em cada camada
Ficou a marca do aprendizado
E o velho eucalipto cresceu imponente
Rumo ao céu

Seguro diante das tempestades eu sigo
Esperando o dia da poda
Em que o meu tronco sirva
De alicerce para outra morada

Mário Feijó

11.08.16  

domingo, 7 de agosto de 2016

LAREIRA APAGADA

LAREIRA APAGADA

Quando o suspiro cessou
Fez-se o silêncio
Apagou-se a lareira
Instalou-se o frio
Ficaram no chão
Somente as cinzas
Que foram turvando os mares
E as lágrimas nos olhos

As paredes cor de rosa
Também foram pintadas de gris
O silêncio foi ampliado
Estendendo-se por toda a orla
E o telhado agora sem goteiras
Caem apenas lágrimas do orvalho
E nos jardins não brotam mais girassóis
Tampouco os amores são mais perfeitos

Mário Feijó

07.08.16

terça-feira, 2 de agosto de 2016

UMA RAJADA DE VENTO

UMA RAJADA DE VENTO

Há dias em que eu queria
Ser apenas uma rajada de vento
Para soprar o pólen das flores
Ou causar frisson nas águas das lagoas
Depois passar levemente pelo teu corpo
Eriçar os teus pelos
E te fazer sentir
Ter saudades dos carinhos meus

E como se não bastasse
Eu queria passear pelo mundo
Conhecer outras terras
Tocar as ondas dos mares
Balançar suavemente canoas
Com pescadores dentro
Para que eles felizes
Possam voltar pra casa com seus alimentos

Eu não quero muito da vida
Aceito tudo o que ela me oferece
Mas continuo correndo atrás de sonhos
Tão pequeno quanto este
De ser apenas uma rajada de vento

Mário Feijó

02.08.16

domingo, 24 de julho de 2016

LEVE-ME COM VOCÊ

LEVE-ME COM VOCÊ

Quando você for embora
Não me deixe aqui tão só
Leve-me pra onde você for

Se fizer sol eu quero ir
Se fizer chuva eu vou também
Se for de dia: lembre-se de mim
Se for à noite: eu quero ver a lua

E se o vento que soprar for norte
Leve-me junto com você
Se o vento que soprar for sul
Lembre-se que gosto de lá

Mas se for subir a serra
Saiba que gosto da montanha
No entanto se decidir o mar
É lá que eu aprendi a amar

Só não quero que se esqueça de mim
E me leve pra onde você for
Mesmo que seja contra o vento: eu vou
E se for pra onde ele soprar: é pra lá que eu vou

MÁRIO FEIJÓ

24.07.16

sábado, 23 de julho de 2016

POR ENTRE OS GIRASSÓIS HAVIAM AMORES-PERFEITOS

POR ENTRE OS GIRASSÓIS HAVIAM AMORES-PERFEITOS

Eu plantei em meus jardins
Muitas sementes de flores
Eram amores-perfeitos, girassóis
E sementes de jasmins

Os girassóis logo cresceram
Debruçaram-se pelas cercas
Floriram, jogaram sementes pra todo lado
E foram sufocando meus amores quase perfeitos

Enfiaram-se no meio das rosas
Feriram-se em seus espinhos
Espiavam o sol, já meio murchos,
Por baixo dos girassóis cada vez maiores

Tentei replantar em outro canto
Mas os girassóis se espalharam
Não tinham mais amores-perfeitos em meus jardins
Mas meus dias ganharam o brilho dos girassóis...

Mário Feijó

22.07.16

quarta-feira, 20 de julho de 2016

BRUMAS DO INVERNO (Cap. final)

BRUMAS DO INVERNO
Estávamos no mês de junho quando o inverno (aqui no hemisfério sul) solta suas brumas através de um vento gelado. Nas ruas as pessoas andavam encolhidas, úmidas e apressadas.
Joana era apenas uma menina, com seus sete anos. Fugira de casa, pois o pai, bêbado, batia-lhe todos os dias e a mãe submissa não intercedia. Algumas vezes até tentara lhe molestar. Era melhor viver nas ruas do que ter uma vida daquelas...
14.07.16
Joana dormia agora nas ruas da cidade. Brincava com pombos na praça. Tinha liberdade, não tinha mais amor. Aliás, amor era a única coisa que Joana jamais conhecera.
Volta e meia ganhava uma moeda. Já conhecia todos os recantos da cidade. Não tinha luxos. Comia tudo que achava nos lixos da cidade. Afinal de contas, os ratos não sobreviviam? Mas Joana não tinha capacidade nem para raciocinar sobre isto. No entanto no mundo dos bichos ela era apenas mais um deles.
Enquanto tinha inocência, Joana era inocente, mas a vida mostrava a Joana que a inocência é um elemento que tem que ser superado quando pensamos em sobrevivência. E Joana começara a ser esperta, feito um rato que foge do gato que quer lhe abocanhar ...
16.07.16
Dormia onde conseguia se esconder, entre construções ou em locais abandonados. Quando era verão isto não era problema, mas quando o inverno chegava era mais duro achar um abrigo. Começou a se misturar com mendigos de rua. No início a maioria lhe protegia e dava guarida. Pegou sarna dos cachorros e piolho das pessoas.
Um dia uma senhora da cidade ofereceu-se para ajudá-la. Chamou-a para morar em sua casa como se fora sua filha. Parecia uma boa oportunidade, foi. No entanto a “mãe” passou a aproveitá-la nos serviços domésticos e com o passar do tempo ela virou empregada da casa, sem amor e sem salário, mas não queria voltar para as ruas então se sujeitou à “escravidão”. Com o passar dos anos não havia mais amor entre elas e a “mãe” mostrou-se quase cruel.
Sem estudar e com dificuldades em se relacionar com as pessoas, um dia ela resolvera fugir novamente. Estava agora com 15 anos. Foi para a cidade grande. Agora estava na capital. Procurou emprego e achou um de doméstica para dormir no emprego. Tentou várias vezes voltar a estudar. Ia um a dois meses e não conseguia acompanhar, além do que sentia vergonha por estar aprendendo a escrever somente com 15 anos. Na escola noturna arrumou um namorado e por carência de amor entregou-se a ele na primeira oportunidade. Engravidou. Ele não sumira, ficara por perto e quando chegou a hora do bebê nascer foi para a casa da “mãe” que um mês depois a mandou voltar ao trabalho.
- O bebê fica aqui. E o namorado também ficou. Apaixonou-se pela “mãe” e um ano depois nascia mais um bebê. O seu antigo namorado torna-se seu “padrastro”.
Joana continuava trabalhando na casa onde antes trabalhava.
Passaram-se mais alguns anos e Joana arrumara outro namorado. Engravidara novamente. Quando chegou a hora do bebê nascer voltou “contrafeita” à casa da “mãe” que um mês depois a mandara voltar ao trabalho...
- O bebê fica! Era uma menina agora.
Seu primeiro filho aprendera a lhe chamar de “tia” e só depois de adulto descobrira que a “tia” na realidade era sua mãe verdadeira. A irmã também aprendera a chamar a mãe de “tia” e nunca a aceitou como mãe. Não compreendia aquele abandono. E realmente, tudo era muito mal explicado. A ignorância e a submissão nunca deixaram aquela mãe lutar por seus filhos.
Pensava ela, “de que adianta eu lutar por meus filhos, se não tenho onde, nem como criá-los”.
O tempo passou e Joana nunca conseguiu o amor de seus filhos. Eles não lhe perdoam. Ela sofre... a “mãe” agora já morreu, mas nunca foi uma mãe para seus filhos. Criou-os como se fossem serviçais. E nunca lhes deu amor. Acabara sozinha com uma doença terminal que pouco a pouco lhe destruiu o corpo. A alma não se sabe se foi redimida ou se pena nos umbrais do inferno.
Joana foi envelhecendo. O coração partido sofria sem o amor dos filhos. Tinha consciência de que não deu amor, porque nunca aprendera a amar.
Com quase trinta anos arrumara um namorado que lhe oferecera uma pequena morada, numa vila distante. Fora morar com ele, mas continuava doméstica no emprego de quinze anos.
Um ano depois...
18.07.16
O DESTINO DOS FILHOS
Bem, um ano depois Joana já estava envolvida em outras tramas. Sua vida era uma continua tentativa de acertos. Por não ser muito inteligente ela não pensava nas dores que poderia estar causando a seus filhos com a sua acomodação em deixá-los com a “mãe”. Acreditava que lá eles tinham um lar e amor.
Sentia-se feliz com João. Com ele agora tinha um filho e uma casinha simples, numa vila distante da grande cidade. Tentara trazer os outros filhos para junto de si, mas a “mãe” não deixara. Ela não era forte o bastante para brigar. Continuou “tia” dos próprios filhos. Não dormia mais no emprego, nem tentara mais voltar a estudar.
Durante o dia deixava o filho que tivera com João com uma vizinha, a quem ajudava. Não pagava porque já ganhava pouco também.
O tempo passava célere e a vida de Joana ficou menos corrida. Seu marido trabalhava como zelador em um prédio, num bairro da periferia daquela grande cidade. Dormia em casa todos os dias, e, se não fosse pelos filhos que deixara com a “mãe” ela podia dizer que era feliz.
Um dia bateram em sua porta seus filhos mais velhos. O menino tinha 17 anos, a menina 15. Queriam morar com ela, pois era a única parente mais próxima, a “tia”. Joana resolvera contar-lhes a verdade. Pessoa simples, não sabe contar histórias, não soube explicar seus sentimentos, nem seu abandono, nem o abandono que causara. Os adolescentes revoltados fugiram de sua casa, antes mesmo que ela argumentasse melhor. Não queriam mais saber dela. Saíram dali dizendo que a odiavam.
Joaquim vivera nas ruas por alguns meses até que um antigo colega de escola, cabeleireiro agora lhe convidara para morar juntos. Aceitou e passou a trabalhar num posto de gasolina. A menina, Marina, tornara-se prostituta e vivia bêbada e drogada. Joana sofria com aquilo, porém nada fazia. Nada sabia fazer para solucionar o problema. Começara a adoecer e antes mesmo que tudo aquilo terminasse suas entranhas começaram a ser devoradas por um câncer que a matou em pouco tempo.
O filho mais velho agora estuda. Está com 30 anos. Quer ser advogado. Marina fugiu com um cafetão e ninguém mais soube sobre ela. O terceiro filho tem 13 anos e mora com o pai e uma nova mulher que este arrumou.
A vida algumas vezes faz com que pensemos que somos os únicos quem sofre. Mas tudo o que fazemos tem consequências sérias para nós ou para os outros.
Joana nunca teve sabedoria para compreender seu sofrimento e crescer com ele. A sua submissão criou outros dramas, mesmo quando ela não queria prejudicar ninguém. Sua busca era uma busca de amor, por amor, com amor que não aprendeu a dar, nem mesmo quando se casou, tampouco quando se tornou mulher.
20.07.16


Mário Feijó

segunda-feira, 18 de julho de 2016

BRUMAS DO INVERNO (A SAGA DE JOANA - nascem os filhos)

BRUMAS DO INVERNO
Estávamos no mês de junho quando o inverno (aqui no hemisfério sul) solta suas brumas através de um vento gelado. Nas ruas as pessoas andavam encolhidas, úmidas e apressadas.
Joana era apenas uma menina, com seus sete anos. Fugira de casa, pois o pai, bêbado, batia-lhe todos os dias e a mãe submissa não intercedia. Algumas vezes até tentara lhe molestar. Era melhor viver nas ruas do que ter uma vida daquelas...
14.07.16
Joana dormia agora nas ruas da cidade. Brincava com pombos na praça. Tinha liberdade, não tinha mais amor. Aliás, amor era a única coisa que Joana jamais conhecera.
Volta e meia ganhava uma moeda. Já conhecia todos os recantos da cidade. Não tinha luxos. Comia tudo que achava nos lixos da cidade. Afinal de contas, os ratos não sobreviviam? Mas Joana não tinha capacidade nem para raciocinar sobre isto. No entanto no mundo dos bichos ela era apenas mais um deles.
Enquanto tinha inocência, Joana era inocente, mas a vida mostrava a Joana que a inocência é um elemento que tem que ser superado quando pensamos em sobrevivência. E Joana começara a ser esperta, feito um rato que foge do gato que quer lhe abocanhar ...
16.07.16
Dormia onde conseguia se esconder, entre construções ou em locais abandonados. Quando era verão isto não era problema, mas quando o inverno chegava era mais duro achar um abrigo. Começou a se misturar com mendigos de rua. No início a maioria lhe protegia e dava guarida. Pegou sarna dos cachorros e piolho das pessoas.
Um dia uma senhora da cidade ofereceu-se para ajudá-la. Chamou-a para morar em sua casa como se fora sua filha. Parecia uma boa oportunidade, foi. No entanto a “mãe” passou a aproveitá-la nos serviços domésticos e com o passar do tempo ela virou empregada da casa, sem amor e sem salário, mas não queria voltar para as ruas então se sujeitou à “escravidão”. Com o passar dos anos não havia mais amor entre elas e a “mãe” mostrou-se quase cruel.
Sem estudar e com dificuldades em se relacionar com as pessoas, um dia ela resolvera fugir novamente. Estava agora com 15 anos. Foi para a cidade grande. Agora estava na capital. Procurou emprego e achou um de doméstica para dormir no emprego. Tentou várias vezes voltar a estudar. Ia um a dois meses e não conseguia acompanhar, além do que sentia vergonha por estar aprendendo a escrever somente com 15 anos. Na escola noturna arrumou um namorado e por carência de amor entregou-se a ele na primeira oportunidade. Engravidou. Ele não sumira, ficara por perto e quando chegou a hora do bebê nascer foi para a casa da “mãe” que um mês depois a mandou voltar ao trabalho.
- O bebê fica aqui. E o namorado também ficou. Apaixonou-se pela “mãe” e um ano depois nascia mais um bebê. O seu antigo namorado torna-se seu “padrastro”.
Joana continuava trabalhando na casa onde antes trabalhava.
Passaram-se mais alguns anos e Joana arrumara outro namorado. Engravidara novamente. Quando chegou a hora do bebê nascer voltou “contrafeita” à casa da “mãe” que um mês depois a mandara voltar ao trabalho...
- O bebê fica! Era uma menina agora.
Seu primeiro filho aprendera a lhe chamar de “tia” e só depois de adulto descobrira que a “tia” na realidade era sua mãe verdadeira. A irmã também aprendera a chamar a mãe de “tia” e nunca a aceitou como mãe. Não compreendia aquele abandono. E realmente, tudo era muito mal explicado. A ignorância e a submissão nunca deixaram aquela mãe lutar por seus filhos.
Pensava ela, “de que adianta eu lutar por meus filhos, se não tenho onde, nem como criá-los”.
O tempo passou e Joana nunca conseguiu o amor de seus filhos. Eles não lhe perdoam. Ela sofre... a “mãe” agora já morreu, mas nunca foi uma mãe para seus filhos. Criou-os como se fossem serviçais. E nunca lhes deu amor. Acabara sozinha com uma doença terminal que pouco a pouco lhe destruiu o corpo. A alma não se sabe se foi redimida ou se pena nos umbrais do inferno.
Joana foi envelhecendo. O coração partido sofria sem o amor dos filhos. Tinha consciência de que não deu amor, porque nunca aprendera a amar.
Com quase trinta anos arrumara um namorado que lhe oferecera uma pequena morada, numa vila distante. Fora morar com ele, mas continuava doméstica no emprego de quinze anos.
Um ano depois...

18.07.16
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Mário Feijó

sábado, 16 de julho de 2016

MARIA’S VIDA AFORA

MARIA’S VIDA AFORA

Oh Maria tu que és Graça
Te disfarças de Mary
Enquanto Eneida’s te cuidam
Ana Maria, tu mãe ferida,
Desfrutas a vida envolvida em amor

Regina, Dione, Emília e Sandra
Que poderiam ser chamadas de Maria’s
Trazem semblantes de mães
Mesmo longe dos seus filhos

Isabel mãe de Maria
Lucilla cheia de “eles”
Beija as mãos de Carlinda
Quando esta ampara o irmão

E eu fico assistindo
Os ensinamentos da vida
Protegendo Lara e Larissa
Futuras mães de Maria’s
No desconforto de seus abandonos

Virgem Santíssima
Protegei as mulheres que nos deram a luz
Que nos amparam pela vida
Mesmo quando estas já se foram
In Sônia’s  Maria’s vida lá fora...

Mário Feijó

16.06.16

segunda-feira, 11 de julho de 2016

PERMITA-SE... Mário Feijó - Poemas e Artes Plasticas: FELIZ NATAL TODOS OS DIAS

PERMITA-SE... Mário Feijó - Poemas e Artes Plasticas: FELIZ NATAL TODOS OS DIAS: Eu quero um mundo Onde a paz exista Durante o ano inteiro Onde as pessoas se amem Fraternalmente todos os dias Onde não exista fome, ...

PERMITA-SE... Mário Feijó - Poemas e Artes Plasticas: AMOR PERFECTO

PERMITA-SE... Mário Feijó - Poemas e Artes Plasticas: AMOR PERFECTO: Hoy yo pensé Que no más poeta sería Pues dejé huir Por entre rimas Mi amor es perfecto Que dormía en el lecho Y por...

PERMITA-SE... Mário Feijó - Poemas e Artes Plasticas: PENSANDO MUCHO

PERMITA-SE... Mário Feijó - Poemas e Artes Plasticas: PENSANDO MUCHO: Hoy yo pensé Que no más poeta sería Pues dejé huir Por entre rimas Mi amor es perfecto Qu...

O PODER DO MAR

O PODER DO MAR

As forças da natureza interferem em tudo. Somos parte dela. Segundo o ensinamento Cristão nascemos do barro. Ganhamos vida com um sopro.
Eu sinto as forças da natureza me afetando. Elas afetam minhas vontades e meu humor. Um dia nublado me deixa mais deprimido que um dia de sol. Não que eu me curve aos dias, como fazem as árvores que se curvam ao vento, mas é inegável que as forças da natureza me afetam.
Eu tenho fases, feito a lua.
Eu também brilho, feito as estrelas.
Eu sofro de erupções, feito a terra.
Eu faço marolas, feito as ondas do mar.

E quando o dia nasce eu sou a luz do sol.
Tenho a bondade dos animais domesticados
E sou feroz quando me machucam
Feito os animais selvagens.

E tenho amor pra dar
Para quem tem energia para trocar
Estendo meus braços
Feito o vento e nos teus ouvidos troco confidências

E quando a noite chega
Eu sou a luz da lua iluminando o mar
Escondendo segredos que não sei contar
Sim! Eu tenho o poder do mar.

E sendo assim, sigo minha vida contando meus dias, como se fosse uma única jornada. É a jornada da vida que tem um começo, meio e fim. Porém eu me sinto contínuo nas forças da natureza. Daqui a pouco eu serei apenas uma borboleta, recém-saída de seu casulo, viajando pelo mundo, sem destino pra pousar.

Mário Feijó

11.06.16

quarta-feira, 29 de junho de 2016

VENTO: ESTE MENINO TRAVESSO

VENTO: ESTE MENINO TRAVESSO

Todas as manhãs ela ia para a escola com sua saia pregueada (diziam ser plissada, não entendo muito de costuras). Era azul marinho, a blusa branca e no bolso o nome da escola.
Adorava jogar a cintura de um lado para o outro, começava a se descobrir mulher.
Depois de formada passou a usar sempre saias “plissadas” com tecidos finos e leves. Era quase que sua marca registrada.
Certa tarde resolvera que iria dar umas voltas pela cidade, andaria pela praça, e sem nada para fazer especificamente, iria cumprimentar pessoas e sorrir. A vida é bela e agradável.
Aquele dia estava quente. O calor estava infernal. Entrou no banho e em seguida começou a se arrumar. Tinha que ser rápida, afinal pedira ao taxista que lhe buscasse às 15 horas. Faltavam dez minutos para ele chegar.
Estava quase pronta quando o interfone começou a tocar insistentemente. Terminou rapidamente, mas parecia que faltava algo.
Deixa pra lá, pensou. Pegou a bolsa. Jogou um pouco de perfume no pescoço e nos pulsos e saiu rapidinho. Sentia-se fresquíssima.
Lá embaixo, Gilmar, o taxista disse:
- Desculpe D. Marília, mas não tinha lugar para parar e eu estou em local proibido.
- Sem problemas Gilmar, disse ela lânguida, ao taxista, ao qual era freguesa habitual.
Marília era uma linda morena, no auge de seus trinta anos. Os homens nunca deixavam de se virar quando ela passava. Afinal de contas uma bunda daquelas não era para qualquer mulher.
Gilmar pensou “esta mulher deve ter ancestrais negros, porque uma bunda destas, somente as negras têm”. Hoje ela vai ter muito trabalho na cidade, com sua saia rodada. Riu para si mesmo e tocou para o centro.
Dito e feito. Saiu ela do táxi e o vento levantou-lhe a saia que se enrolou na cabeça, sem que ela desse conta de baixa-la. Marília lembrou agora do que tinha esquecido. Não colocara a calcinha. Lembraria para sempre que o vento é um menino travesso.
Nem Gilmar, nem os demais transeuntes se esqueceriam da visão daquela tarde.
Marília voltou para o táxi e pediu ao motorista:
- Por favor, leve-me para casa.

Mário Feijó
29.06.16


Texto desenvolvido na Oficina Literária, com minhas alunas, na tarde de 28.06.16, na Biblioteca Pública de Osório-RS. 

terça-feira, 28 de junho de 2016

TAL MÃE, TAL FILHA ( o fim )

TAL MÃE, TAL FILHA ( o fim )

 Daniela ficara viúva com trinta anos. Os primeiros anos de viuvez foram terríveis, mas com o passar dos anos tornara-se amiga da filha que insistia para que ela saísse de casa e aproveitasse a vida.
Tornaram-se inseparáveis. Pareciam irmãs. Faziam academia juntas e Daniela voltara para a faculdade.
A filha, Débora, apaixonara-se pelo professor de ginástica, e depois de um namoro relâmpago casara-se com ele. No entanto dois meses depois de casados o marido morrera em um acidente de moto.
Tal mãe, tal filha... Estavam as duas viúvas. Agora era a mãe quem consolava a filha e a incentivava a sair, passear.
Um dia na praia, no verão passado, ambas olharam para aquele homem moreno, 1,90m de altura, sorriso alvíssimo, extremamente simpático chegou e puxou conversa com elas. Ficaram conversando o resto da tarde. Não queriam mais se despedir. Ele as convidou para jantar, num lugarzinho ali perto que tinha música ao vivo e pista de dança. Local romântico. Aceitaram...
Em casa conversaram. Ambas estavam atraídas por ele. Mãe e filha confessaram-se apaixonadas à primeira vista. Decidiram que ele escolheria uma, se fosse o caso e a outra aceitaria.
O jantar estava ótimo. Dançaram ambas se revezando. Ele parecia indeciso e confuso e não decidia a sua preferência. Trocava carícias com uma e com outra quando as tirava pra dançar. Ambas não se sentiram rivais...
________________


E agora? Você que está lendo decida o fim desta história. Na próxima semana eu publicarei a minha versão ou a versão de quem mais me agradar, com direito a crédito na parceria.

Mário Feijó
15.06.16

TAL MÃE, TAL FILHA... (o final)

Foram muitas as respostas e soluções para o drama vivido por mãe e filha, diante de uma paixão. No entanto a solução tinha que vir de dentro de cada uma delas. Sendo assim, mãe e filha, sempre confidentes, amigas e experientes, pois a vida as fizera experientes resolveram de comum acordo por fim aquele romance.
Chamaram o rapaz para um jantar e colocaram as cartas na mesa. Contaram suas histórias de vida. Foram sinceras em tudo, até na atração que ambas sentiam por Davi. Ele diante da sinceridade delas também se abriu.
Eu também me senti atraído por ambas e sei que é confuso. Ambas são jovens e eu poderia ter um romance com qualquer uma das duas sem problemas. Só que gostaria que antes de por um fim em toda a nossa história eu queria propor que nos conhecêssemos melhor e queria contar uma coisa que ainda não tinha falado pra vocês. Tenho um irmão gêmeo que mora em São Paulo e estava lá fazendo doutorado com a esposa, mas faz seis meses que se separaram e ele decidiu voltar, pois terminou o doutorado. Fez concurso para a URGS e vai trabalhar em Tramandaí. Não estamos muito enturmados por estes lados, então peço que sejamos amigos. Que me ajudem a socializar meu irmão e eu aqui no Litoral.
As mulheres, que já tinham decidido por fim ao romance, decidiram aceitar a amizade com o rapaz e conhecer o irmão (o tal gêmeo).
Não é que os dois eram mesmo iguais!!
- Meu Deus! Disseram uma à outra. Vai começar tudo de novo. Miguel era tão encantador quanto Davi e logo se sentiu mais atraído por Daniela. Ele era mais maduro que Davi e não tinha dúvidas de que era Daniela a sua preferida. No início ficaram amigos. As mulheres estavam preocupadas que a situação voltasse a ser como fora no inicio, porém logo foram se conhecendo e Davi acabou tendo certeza de que Débora era sua musa. Miguel deixou claro que não estava a fim de casar novamente, e assim, logo. Daniela também não queria um casamento imediato, queria sim, um amigo, um companheiro e se este companheiro lhe desse amor, isto lhe bastava.
Os romances evoluíram e logo depois do primeiro ano Davi e Débora haviam decidido que casariam no ano seguinte.
Miguel alugou um casa em Osório e convidou Daniela para morar com ele. Pelo que todos observam há harmonia entre eles. Todos parecem estar felizes, cada qual com suas convicções.
Débora percebe agora que não tinha nada a ver com Davi que é mais imaturo que o irmão. Por isto se dá tão bem com a filha, prestes a completar 21 anos. Gostam das mesmas coisas, viajam sempre, vão a shows de roque. Planejam ir ao próximo Rock in Rio, e estão sempre em festas e badalações. Já Miguel é como ela: gosta de ficar em casa, ouvir uma boa música, leituras, vão a saraus, cuidam do jardim, são românticos e sonhadores... descobriram-se almas gêmeas, mas têm os pés no chão e tentam não cometer erros. O passado ensina muito, dizem sempre.
Apesar de tudo, o amor venceu.

Mário Feijó

28.06.16

segunda-feira, 27 de junho de 2016

O COMEDOR DE VENTOS

O COMEDOR DE VENTOS

Há muito tempo venho passando pelas ruas de Osório. Osório é uma pequena e encantadora cidade no litoral norte do Rio Grande do Sul.
Há uns quarenta anos, quando por aqui passava eu percebia que os ventos na cidade eram assustadores, irritantes e “quase” amaldiçoados por alguns. Já ouvi dizer que quem gosta de vento é louco.
Hoje os ventos de Osório são benditos e a causa de sua crescente prosperidade. Osório passou a ser “a Terra dos Bons Ventos”. Basta olhar para o horizonte e ver uma quantidade infinda de torres eólicas. Na cidade parece que os ventos sumiram...
Voltei a ser criança...
Aquelas torres monstruosas me assustam. Dizem que elas transformam vento em energia... Não sei não...
Tivemos uma “presidenta” que queria engarrafar o vento. Como será que se faz isto? Será que não há perigo de o vento não se aquietar e levar a garrafa junto?
Não entendo isto, sou criança... tenho medo daqueles cata-ventos monstruosos. Para mim eles são comedores de vento. Pelo que eu vejo eles comeram os ventos da cidade, mas os ventos que ainda sobram não são mais mal vistos.
Em outros tempos eu fazia cataventos de papel e os soprava pelo mundo. Era outro tempo, uma outra infância. Um tempo onde o meu país era o “país das maravilhas”. Tínhamos sonhos e esperança. Eu vivia encantado. Hoje tento, mas não consigo mais me desencantar. Tudo está desencantado. Deixa pra lá... voltemos à Osório.
Passeio pelas ruas tranquilas. Encontro gente educada, mesmo num país em desenvolvimento, Osório cheira a primeiro mundo. Há esperança em Osório. A cultura é primordial, apesar de alguns políticos não lhe darem o devido respeito, mas o povo de Osório é um abnegado e continua fazendo saraus e cafés poéticos (tipo os promovidos pelo Espaço Cultural Conceição). Existe na cidade uma Academia de Letras que perambula de um lado para o outro sem uma sala para se reunir porque não tem sede, mas a Biblioteca frequentemente lhe abre as portas (por falar em Biblioteca Pública: que espaço maravilhoso e as meninas que lá trabalham são incansáveis em promover eventos). Vale à pena visitá-la. Há um encanto especial nela.
A feira do livro sobrevive. A faculdade cresce a olhos vistos porque não é pública. O Teatro prospera, com alguns abnegados à sua frente.
Enquanto isto os ventos sopram escorrendo da Serra do Mar que termina ali na cidade, descendo pelo morro da Borrússia – lugar aprazível e que deve ser visitado. Lá em cima Jesus, se tivesse ficado por 40 dias e 40 noites teria sido mais feliz meditando. Com certeza o Diabo não o tentaria.
É, eu não sou mais criança. Não tenho medo dos ventos. Nem quando gemem na minha janela. Apenas escuto seus recados, apenas lembro de suas viagens pelo mundo e vindo se espalhar pelas lagoas da região contando histórias, criando lendas, sendo devorados pelos Cataventos da minha infância, crescidos agora nas terras de Osório.

Mário Feijó

27.06.16 

sábado, 25 de junho de 2016

A BATALHA DO(EU)

A BATALHA DO(EU)

Tenho travado
Uma batalha invencível
Com meu eu

Não é uma batalha do ego
Mas uma batalha contra o tempo
Que se alojou dentro de mim
Contra a idade
Contra os males
Que a vida acumulou em meu corpo

É como se eu fosse pedra junto ao mar
Que com o tempo acumula cracas,
Algas, crustáceos, mariscos

É uma batalha inumana, invisível
Incompreensível aos outros
Que não moram em meu corpo

São dores que mutilam a minh’alma
Que não entende a degeneração do corpo
Afetadas pelo tempo
Pela luz do sol
Que ao mesmo tempo é luz e destruição

Mário Feijó

25.06.16

sábado, 18 de junho de 2016

VONTADES SÃO DESEJOS QUE TEMOS QUE ATENDER



VONTADES SÃO DESEJOS

Há vontades que dão e passam
Outras ficam na imaginação
Algumas são contraditórias
Outras até bem explícitas...

Minha vontade agora
Era correr para teus braços
Andar de mãos dadas
Nos campos ou à beira-mar
Beijar os teus lábios
E no teu colo, enfim relaxar

Eu já te dei o meu amor
O meu céu e o meu lar
Traga contigo a vontade
De sempre comigo estar

Vontades são desejos
A serem cumpridos
Deixe que ela aconteça
E acenda luzes em sua vida...

Mário Feijó

18.06.16

sexta-feira, 17 de junho de 2016

OUTONO INVERNAL

OUTONO INVERNAL

                Fazia frio, porém ainda era outono.
Deitado na minha cama o frio intenso fazia com que eu tremesse. Do outro lado da rua a menina beijava o namorado, eu assistia através do vidro embaciado, lembrando meu amor ausente.
Dentro do quintal do vizinho o cão uivava. Estava inquieto. Minha avó dizia que quando uiva está agourando morte.
Levantei e fui até a cozinha tomar uma caneca de chá quente.
Tentei escrever. Minha letra estava tremida por causa do frio. Entrava uma friagem por todas as frestas que havia na casa. Os aquecedores não davam conta de esquentar o ambiente. Eu continuava tiritando de frio. Estava me sentindo uma peteca pulando de um lado para o outro.
Estava com fome, mas uma salada é muito pouco. Comi umas bolachas que eu mesmo fiz e fui para o quarto.
Isto não é vida, pensei. Detesto o inverno, ele é meu carraso. Cada vez que o verão termina quero me atirar o penhasco.
Dramático, eu?
Não. Tenho muitas dores no corpo, toda vez que é inverno.


Mário Feijó
16.06.16


Atividade passada aos alunos da Oficina Literária, na tarde deste dia. Usar as palavras: uivo, namorado, salada, caneca, peteca, carrasco, penhasco, vida e morte, numa composição, em qualquer ordem. Se eles fazem eu também me coloco a fazer. 

quarta-feira, 15 de junho de 2016

TAL MÃE, TAL FILHA

TAL MÃE, TAL FILHA

 Daniela ficara viúva com trinta anos. Os primeiros anos de viuvez foram terríveis, mas com o passar dos anos tornara-se amiga da filha que insistia para que ela saísse de casa e aproveitasse a vida.
Tornaram-se inseparáveis. Pareciam irmãs. Faziam academia juntas e Daniela voltara para a faculdade.
A filha, Débora, apaixonara-se pelo professor de ginástica, e depois de um namoro relâmpago casara-se com ele. No entanto dois meses depois de casados o marido morrera em um acidente de moto.
Tal mãe, tal filha... estavam as duas viúvas. Agora era a mãe quem consolava a filha e a incentivava a sair, passear.
Um dia na praia, no verão passado, ambas olharam para aquele homem moreno, 1,90m de altura, sorriso alvíssimo, extremamente simpático chegou e puxou conversa com elas. Ficaram conversando o resto da tarde. Não queriam mais se despedir. Ele as convidou para jantar, num lugarzinho ali perto que tinha música ao vivo e pista de dança. Local romântico. Aceitaram...
Em casa conversaram. Ambas estavam atraídas por ele. Mãe e filha confessaram-se apaixonadas à primeira vista. Decidiram que ele escolheria uma, se fosse o caso e a outra aceitaria.
O jantar estava ótimo. Dançaram ambas se revezando. Ele parecia indeciso e confuso e não decidia a sua preferência. Trocava carícias com uma e com outra quando as tirava pra dançar. Ambas não se sentiram rivais...
________________


E agora? Você que está lendo decida o fim desta história. Na próxima semana eu publicarei a minha versão ou a versão de quem mais me agradar, com direito a crédito na parceria.

Mário Feijó

15.06.16

terça-feira, 14 de junho de 2016

COISAS QUE EU GOSTO

COISAS QUE EU GOSTO

Eu gosto de dias de sol
De tardes de chuva
E de noites enluaradas

Gosto de caminhar 
Com os pés dentro d’água
Quando estou na beira do mar

Gosto de olhar 
Campos verdejantes
Árvores viçosas 
E jardins floridos

Gosto de ouvir
Risos de alegria
E ver o sorriso
No rosto da pessoa amada...

Mário Feijó 
14.06.16


domingo, 12 de junho de 2016

AGORA JÁ POSSO DIZER QUE TE AMO

AGORA JÁ POSSO DIZER QUE TE AMO

Alguns amores
Gritamos aos quatro ventos
Desde a nossa adolescência
Outros só a experiência
Junto com o tempo para nos dar
Força e coragem para enfrentar
O mundo e o julgamento social

Somos hipócritas e preconceituosos
Muitas vezes acomodados
Mas é chegada a hora
Em que descobrimos ter pouco tempo
Já vivemos mais do que o tempo a viver
E chega a hora de escolher
O que é melhor para nós
E não para os outros

Então eu sinto que já posso dizer
A você e ao mundo:
Venha para os meus braços
Porque eu te amo!

Mário Feijó

12.06.16  

sábado, 11 de junho de 2016

DORES QUE TODO MUNDO TEM

DORES QUE TODO MUNDO TEM

Eu tenho n'alma
Dores invisíveis
Cicatrizes de leito de rio
Dessas que as correntes d’água
Fazem no fundo dele e da gente

Dores de saudades
Não acontecidas
Dores de amores distantes
Algumas vezes tão perto (os amores)
Noutras vezes tão longe

Mário Feijó

11.06.16

quarta-feira, 8 de junho de 2016

NUMA TARDE DE OUTONO TRANSBORDEI MEUS SONHOS

NUMA TARDE DE OUTONO TRANSBORDEI MEUS SONHOS

         Era uma bela tarde ensolarada. Estávamos no final de outono e o inverno se aproximava célere. A noite não fora somente gelada, fora enregelante. No entanto o dia amanhecera com o sol tomando conta de todo o céu límpido e azul.
Eu havia escutado o vento a gemer suas dores reumáticas a noite inteira. As minhas guardei embaixo das cobertas, num quarto superaquecido.
Naquela tarde eu decidira sonhar. Eu não daqueles que dá guarida à velhice, nem mando o menino que em mim habita ir embora.
Convidei minhas amigas (que se dizem alunas, mas eu também aprendo com elas) para passarmos a tarde transbordando sonhos. Levei uma cesta de vime para piqueniques (era a ideia inicial) torradas, pão caseiro (feito com granola e açúcar mascavo), café, chá e poesia.
O cheirinho do pão assando me levou à Felicidade (era o nome de minha avó). O café tinha o aroma de sonhos com doce de leite e eu voltei aos meus tempos de criança. Sonhei!
Minhas parceiras criaram asas e borboletearam feito pandorgas ao vento a escrever seus sonhos. Que bom, pensei: não sou o único com fome de sonhos. Peguei uma folha em branco, coloquei fermento na minha imaginação e me pus a sovar a massa. Agora é só deixar meus sonhos transbordarem. Enquanto isto, fomos aos quitutes...


Mário Feijó
08.06.16


Tema desenvolvido em nossa Oficina Literária de hoje.           

terça-feira, 7 de junho de 2016

EU TENHO UM ANJO

EU TENHO UM ANJO

Eu tenho um anjo
Que me ensinou a voar
Faço isto em seus braços
Vou aos céus
Quando beija a minha boca

Eu tenho um anjo
Que todos os dias
Diz “eu te amo”
Com tamanha energia
Que minhas asas crescem

Eu tenho um anjo
Que além de desejar meu corpo
Deseja a minh’alma
Deseja meus abraços
E me deu esperanças

Eu tenho um anjo
Que tem cara de gente
Corpo de gente
Olhos de criança
E um amor divinal

Mário Feijó

07.06.16

segunda-feira, 6 de junho de 2016

OS SOLITÁRIOS E O INVERNO

OS SOLITÁRIOS E O INVERNO

Infelizmente eu não gosto do inverno
O inverno faz-me lembrar
Que já não sou mais menino
Tenho dores que atingem a alma
Faz-me lembrar das noites de solidão
Onde não tenho quem aqueça meu corpo
Nem tampouco tenho mais uma lareira
Que fazia eu esquecer o frio

Apesar de tudo gosto de pinha
(que só temos no inverno)
Gosto de chocolate quente
(que é bom só no inverno)
Gosto de um bom vinho tinto
À beira da lareira
(mas não tenho mais lareira)
Gosto que me aqueçam no inverno
(mas você não está aqui para me aquecer)

Então eu fecho minha janela
E por entre os vidros fico espiando
As pessoas que passam encolhidas
Pensando quem delas terá um corpo quente
Que as aquecerá nas noites de inverno?

Mário Feijó
06.06.16





sábado, 4 de junho de 2016

UM AMOR SÓ MEU


UM AMOR SÓ MEU

Eu já tive um amor assim
Era tão somente meu
Que só eu amava
Só eu beijava
Só eu fazia carinhos
E comigo gozava
As delícias do amor


Mário Feijó

04.06.06

sexta-feira, 3 de junho de 2016

O AMOR É PURO

O AMOR É PURO

quando menino
ele arranhava o corpo
em paredes ásperas
fugindo da solidão

tinha um sofrimento infindo
por querer amar
criança não ama
ele não era amado

no máximo criança engana
não sabe escolher o amor
e fica pior quando a criança
acredita nisto

tornou-se homem
e perdeu o medo de amar
descobriu que seu amor nunca foi sujo
como um dia lhe fizeram acreditar

Mário Feijó
02.06.16


BONECAS SÃO POESIAS

BONECAS SÃO POESIAS

Maria Clara era poesia pura. Trajes de princesa, toda em tons de bege. Seus olhos eram grandes, feito os olhos de sua boneca (Elza), pele alva, olhos grandes e expressivos, cabelos loiros que caiam sobre os ombros, ela era pura poesia, porém não acredita nela. Quem a vestira acreditava em poesia, mas Maria Clara não. Era mais uma menina mimada que ao bater os pés conseguia tudo o que queria. Bastava olhar a submissão do pai, que foi logo dizendo “eu poderia ser o avô”. No colo ela trazia Elza, a boneca poesia. Certamente a ganhara da mãe, trazida do exterior.
Elza era loira, feito sua dona. Elza era tão loira quanto Maria Clara. Mas havia uma ruptura entre as duas. Elza era mais um adorno para aquela princesa. Elza não era um nome poético naquele contexto, era um nome antigo, certamente nome de uma avó, penso que não fora escolha de Maria Clara. Tenho dúvidas quanto a isto. Maria Clara não acreditava em poesia, tenho certeza, pois ao conversar com as duas ela me disse ela é apenas uma boneca. Não tinha dúvidas quanto a isto, nem entrou no mundo de Elza. Vi uma lágrima escorrendo no rosto da boneca quando se sentiu desprezada e encaixada na poltrona da frente a que Maria Clara e seu pai estavam em um voo de Porto Alegre para São Paulo.
Elza era apenas um apêndice na figura principesca de Maria Clara, algo que compunha seu figurino.
Quando eu quis entrar no mundo de Elza e perguntei algo a respeito dela, Maria Clara logo respondeu:
- Ela não fala. É apenas uma boneca.
Na idade de Maria Clara esta é uma percepção muito adulta. Cinco anos é a idade dos sonhos. Acredita-se em tudo e, realidade e fantasia, fazem parte de um mundo só. Depois, ao nos tornarmos adultos, praticamente descartamos as fantasias. Ficam os sonhos que já não são mais perseguidos porque desacreditamos na fantasia. E a poesia que mora dentro do mundo da poesia então: inexistirá para quem não persegue sonhos. Embrutecemos! É tão cedo para desacreditar dos sonhos, em idade tão tenra, pensei. Mas eu posso estar errado...
Bonecas são a chave para o mundo da fantasia. O mundo das bonecas é um mundo poético e aquela boneca era pura fantasia. Descobrir que uma criança não acredita em fantasia dá um choque. Eu senti uma dor profunda naquela hora. Espero que o tempo  mude isto para Maria Clara e que aquela boneca em forma de gente, não seja a fantasia dos outros, somente a boneca do amor de alguém...

Mário Feijó

03.06.16

quinta-feira, 12 de maio de 2016

SAUFAFES

SAUFAFES

outro dia minha amiga
quase morreu de saufafes
ela pensara escrever Saudades
e saufafes registrou
espantada morrera de rir
porque eu pensara 
que se tratava de algo para comer
tipo uma salada com legumes e frango
foi então que percebera
que criara uma nova expressão
achou-se "gênia" com graça a Maria
e dizia que eu era "mestre" nas letras
como eu não poderia deixar 
passar em brancas nuvens
feito a lua crescente que se esconde no céu
registrei para indicação ao "nobel de literatura"

Mário Feijó
12.05.16

(P.S. apenas uma brincadeira para registrar o evento)